Ladrões de livros
Este apontamento de não-ficção pode causar-me problemas. Desde logo, como se diz agora, «de índole reputacional», mostrando que já fui pessoa em quem talvez não se devesse confiar. Mas também outros, mais prosaicos, a ocorrer com a polícia e os tribunais. Confio, todavia, na prescrição dos crimes descritos, na omissão dos nomes envolvidos e na indolência causada pelo calor de agosto. Contém o breve relato de dois episódios, ocorridos no ano distante de 1972, ambos ligados a uma prática então comum entre estudantes universitários, sobretudo entre aqueles que se dedicavam a compor uma pequena biblioteca pessoal, algo que hoje será por muitos considerada uma excentricidade. Refiro-me ao roubo de livros em livrarias, prática que, entre alguns de nós, comportava ainda a ideia de que era essa uma forma suplementar de combater o capitalismo.
(mais…)
