
Ao refletir no posfácio que ocupa quase metade da recém-saída edição nacional de O Amigo, de Giorgio Agamben (n. 1942), o seu autor, António Caselas, sublinha um aspecto que resulta fulcral no texto do filósofo italiano: «A amizade é essencial ao relacionamento político e não um artifício privativo que disfarça uma falta.» E, no entanto, é justamente a confusão entre estas duas leituras, e principalmente o destaque dado à segunda aceção, que denuncia o modo como o conceito tem vindo ser progressivamente vulgarizado, ou mesmo depreciado, no domínio do público. No limite, os conceitos de «amigo» e de «amizade» presentes hoje nas redes sociais são contaminados por aquela presunção segundo a qual eles representam um relacionamento privado e entre indivíduos. Ao mesmo tempo, porém, o próprio conceito de rede questiona esta perspetiva, uma vez que a ligação pessoal é publicamente exposta, a uma escala nunca vista, passando a assumir uma dimensão social que lhe confere um significado inevitavelmente político. ler mais deste artigo
