Resistir ao poder da ignorância

A terrível frase «Muera la inteligencia! Viva la muerte!» terá sido pronunciada na manhã de 12 de Outubro de 1936 no Salão Nobre da Universidade de Salamanca. Foi seu autor o general franquista José Millán-Astray e com ela pretendia afrontar o reitor Miguel de Unamuno após este ter feito um elogio da sabedoria e do diálogo. Existem versões um pouco diferentes do episódio, mas o que importa é que têm sido estas as palavras repetidas nos últimos oitenta anos para destacar o combate justo da razão e da democracia contra a força da ditadura e da ignorância. Na Alemanha, o nazismo nascera também da imposição do ódio e do obscurantismo sobre o diálogo e o conhecimento, queimando livros e conduzindo o mundo ao pesadelo da Segunda Grande Guerra e do Holocausto. Todos os fascismos tiveram, aliás, este denominador comum: o repúdio da razão e da sabedoria por troca com a força do instinto e as certezas fundadas em ideias muito básicas que dominaram o quarto de século chamado por Hannah Arendt de «tempos sombrios».

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    Atualidade, Democracia, Olhares, Opinião

    As europeias «não servem para nada»?

    Esta campanha para o Parlamento Europeu não tem sido em Portugal muito diferente das anteriores, no que respeita a mostrar-se pouco mobilizadora. Em parte porque, dado o calendário eleitoral deste ano, serve como uma sondagem sobre as próximas legislativas. Mas sobretudo porque para a maioria dos eleitores, mesmo para muitos dos que não se irão abster, «não servem para nada». Não partilho desta ideia, até porque a prestação dos deputados europeus não tem a irrelevância que muitos eleitores lhe atribuem, e tem sido bastante diferenciada, seja no sentido do seu trabalho concreto, seja nas escolhas políticas. Reconheço, no entanto, que no essencial quase todas as vozes e partidos presentes têm subvalorizado os problemas colocados à própria Europa. Na forma de se gerir a si mesma e de resolver os seus conflitos, mas também no modo de se relacionar com o resto do mundo: com as grandes potências – os EUA, a Rússia e a China – que a desqualificam todos os dias, e com os Estados e os povos que nela ainda vêem o paraíso. Mais uma oportunidade perdida para sentir «a Europa connosco» e para discuti-la na relação com o mundo em que vivemos.

      Apontamentos, Opinião

      Contra a desmemória

      Abaixo-assinado de 71 professores da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra relacionado com um infeliz episódio ocorrido durante as festividades de Queima das Fritas. Sendo um dos signatários, entendo que não devo juntar aqui a minha opinião individual, que darei noutros lugares. Todavia, uma vez que este post servirá também para memória futura, junto três notas objetivas: 1) o episódio em si constou de uma brincadeira com o Holocausto, servindo-se ademais da simbologia de um comboio, que deveria ser integrada no habitual cortejo da festividade; 2) os 71 professores signatários foram aqueles que foi possível reunir em menos de 48 horas durante uma semana que é de interrupção das aulas, outros transmitiram entretanto o seu apoio a este documento; 3) alguns professores entenderam não assinar, o que estava, naturalmente, no seu direito; uma pequena minoria procurou demover colegas de o fazerem, o que não pode deixar de ficar registado. [Relembro: este comentário é estritamente pessoal e não vincula os signatários do documento que a seguir se transcreve.]

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        Coimbra, Democracia, Memória

        O peso da responsabilidade e o anonimato

        O título desta crónica parafraseia o de um livro do historiador Tony Judt sobre três intelectuais franceses – Léon Blum, Albert Camus e Raymond Aron – com personalidades singulares e percursos muito diversos, mas que coincidiram no sentido exigente da sua responsabilidade perante o mundo. Encararam-na num duplo sentido. Por um lado, sob a perspetiva de quem o observa de maneira informada, razoavelmente liberta dos filtros impostos pelas ideologias, dos modismos e dos lugares-comuns. Por outro, agindo, escrevendo e falando em função das suas próprias conclusões, obtidas através da reflexão e da crítica, e assumindo-as de uma forma pública, ainda que tal os tenha colocado por vezes contra a maioria dos que pertenciam ao seu campo político.

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          Atualidade, Democracia, História, Opinião

          «Crise de 69»: celebrar e compreender

          Evocam-se neste Abril cinquenta anos sobre a «Crise Académica de 1969» em Coimbra. Os seus acontecimentos podem ser hoje encarados de três formas diferentes: duas mais voltadas para a celebração, uma terceira ocupada com a compreensão histórica. A primeira contém o testemunho dos que a viveram, retomando com orgulho e nostalgia uma parte memorável das suas vidas e o contributo maior dado à luta pela democracia. A segunda, a ser vista com alguns cuidados, é ocupada com perspetivas parciais ou equívocas, por vezes associadas à manipulação utilitária e institucional da memória. A terceira forma é preenchida por olhares retrospetivos e compreensivos sobre o acontecimento e a sua época.

          Perceber a «Crise» requer, em primeiro lugar, conhecer o seu contexto, e não apenas os factos que em Abril de 1969 a projetaram. Desde logo, observando a mudança sociológica do ambiente universitário, onde crescia a presença da classe média e das mulheres. Depois a expansão da cidade, com um timbre cada vez mais cosmopolita e urbano. Crucial foi também a influência política da «abertura marcelista», notória entre 1969 e 1971 (e logo de seguida infletida), com maior flexibilidade da censura e uma moderação provisória nos processos da repressão. Importante também foi a presença de uma cultura política de oposição ao regime, em crescimento desde as eleições de 1958, e de uma diversificação das suas correntes, com uma grande influência política e vivencial do marxismo e do existencialismo. Indispensável a entrada no meio universitário da atitude hedonista, libertária e inconformista dos anos 60, associada em boa parte à nova cultura juvenil de matriz anglo-saxónica. Para além da importância da vida estudantil pautada por uma cultura de debate, informada e crítica, que em Coimbra incorporava a atividade dos organismos da AAC e envolvia a sociabilidade dos cafés e das repúblicas, enquanto a cultura da «sociedade académica tradicional» tendia a desaparecer.

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            Coimbra, Democracia, História, Memória

            Do amor romântico

            Durante cerca de três décadas dei aulas sobre a dimensão cultural, política e vivencial do romantismo oitocentista. Começavam invariavelmente por procurar diluir a conceção do romantismo tardio, ou ultrarromantismo, que transformava o conceito numa expressão doentia – sob a forma de sentimento aparentemente dócil e contemplativo, mas traduzida em gestos por vezes bárbaros – da posse de alguém por outro alguém. Em regra, de uma mulher por um homem, embora pudesse ocorrer o contrário, ou pudesse também acontecer algo de menos convencional.

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              Ensaio, História, Leituras, Olhares

              História do presente, a «crise de 69» e alguns mitos

              Começo por contar um episódio ocorrido comigo que já referi em público algumas vezes. Tendo há algum tempo sido convidado para participar num ciclo de conferências-debate sobre o movimento estudantil, fiz aquela que me competiu sobre a «crise de 69», o importante momento do combate da juventude universitária contra o autoritarismo do regime e das autoridades universitárias que aconteceu em Coimbra e do qual se evoca agora o cinquentenário. No final da sessão, num daqueles momentos em que os conferencistas contactam o público, fui abordado por um senhor que me disse o seguinte: «olhe, gostei imenso de o ouvir, mas tenho a dizer-lhe uma coisa: tudo o que disse é mentira, pois eu estive lá e sei que não foi assim.» É claro que tivemos de esclarecer o imbróglio. Fomos beber um café e antes de nos separarmos já essa pessoa me dera razão: «afinal estive lá, mas não vi certas coisas e não fiz algumas ligações».

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                Atualidade, Coimbra, Democracia, História, Memória

                «Por trás de um grande homem…»

                A frase é conhecida e recorrentemente citada, se bem que a sua origem literária seja, tanto quanto sei, desconhecida: «Por trás de um grande homem há sempre uma grande mulher». Ela possui em regra uma óbvia e forte tonalidade machista, subentendendo que certos homens estão vocacionados para grandes obras, ou para grandes causas, e para terem tempo de se dedicar a elas deverão ter, na retaguarda, mulheres que arrumem a casa, vão às compras, eduquem os filhos, paguem as contas da água e da luz e lhes confiram a paz de espírito necessária para poderem dedicar-se por inteiro à nobre missão da qual se crêem investidos. Grandes mulheres, para muitas das mentes que produzem aquele juízo, serão estas, e não tanto as que concorrem com os homens por igual ou que não asseguram aos seus a devida supremacia na vida privada e em sociedade. Esta relação desigual é, obviamente, antiga, pois Plutarco, sem tomar como objecto da suas perto de cinquenta biografias uma só mulher, colocou-as sempre como fatores benfazejos ou influentes, imprescindíveis para acalmar a destemperada valentia que julgava caracteristicamente masculina.

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                  Artes, Cinema, Etc., Olhares

                  De baixo das pedras, como as serpentes

                  Temos sempre a história para nos ajudar a conhecer o passado e a compreender o presente, mas a memória pessoal pode dar também uma boa ajuda. Quem tenha vivido os anos finais do Estado Novo já com alguma consciência política – felizmente ainda existem muitas pessoas nestas condições e capazes de oferecer o seu testemunho – sabe que nessa altura, em particular a partir do «período marcelista» de 1968-74, eram já pouquíssimas as pessoas com voz pública que fora dos organismos e dos círculos do poder assumiam claramente a defesa do regime. Muitas calavam-se por vergonha ou desmotivação, mas muitas também, em número cada vez maior a cada dia que passava, porque eram mesmo contra ele e desejavam que ruísse o mais depressa possível.

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                    Democracia, Direitos Humanos, Opinião

                    Os norte-coreanos não são figurantes

                    Tornou-se um hábito, entre a esquerda exterior ao PCP, olhar várias das suas posições sobre política internacional com alguma relutância, mas também com um encolher de ombros. De alguma forma compreendo a escolha e muitas vezes faço o mesmo: por um lado, porque as circunstâncias políticas associadas à experiência da «geringonça» requerem alguma contenção em tudo aquilo que possa dividir ou criar animosidade (como se sabe, a menor crítica de fundo é sempre vista daquele lado como «anticomunismo»); por outro, porque apesar das divergências, a história do PCP, a sua importância para a democracia, a generosidade de muitos dos seus militantes, determinam a contenção possível. Um pouco como quando temos divergências em família, por vezes graves, não sendo todavia por isso que cortamos com ela. E desta forma, a muitos episódios lamentáveis se responde relevando-os.

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                      Democracia, Direitos Humanos, Opinião

                      8 de Março: celebração e crítica

                      Foi muito significativa e de grande importância política a forma participada como em Portugal foi vivido este 8 de Março, dia no qual por todo o mundo se lembra e prossegue a luta longa, difícil e necessária pelos direitos das mulheres e pelo seu combate por uma efetiva igualdade. Longe ainda da dimensão esmagadora que o movimento tem hoje no território do Estado espanhol, por cá ele tem vindo a crescer, a abranger um leque cada vez maior de mulheres, muitas delas ativistas, mas também pessoas comuns, a agregar um número crescente de organizações, e, o que é sempre importante, a chamar a atenção da comunicação social, elemento imprescindível neste tempo que atravessamos.

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                        Atualidade, Democracia, Direitos Humanos, Opinião

                        Anónimos, pseudónimos e «noms de guerre»

                        Uma das maiores conquistas da era da comunicação poderá alimentar a sua destruição. Quando, a partir dos meados do século XIX, livros e jornais passaram a ter como alvo um público alargado, alimentado pelo progresso da alfabetização e pelo desenvolvimento do ensino médio, nasceu a «opinião pública», associada à expansão e à partilha da informação e do conhecimento. Com todo o potencial democrático possibilitado pelo facto de mais pessoas poderem conhecer, opinar, debater e agir no plano político a partir de uma ideia mais completa do mundo que pisavam. Por isso, no processo de centralização administrativa dos Estados iniciado no mesmo período histórico, o controlo e a manipulação da informação foram ganhando importância. Em alguns casos através do controlo do sistema educativo e da propaganda do Estado, noutros, mais graves e aplicados nas ditaduras do século seguinte, mediante fortes mecanismos de censura e de repressão das vozes mais livres. Em qualquer caso, livros e jornais continuaram a ser um espaço privilegiado para a construção do saber, da liberdade e da cidadania.

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                          Democracia, Direitos Humanos, História, Opinião

                          Feminismo e idiotice pegada

                          O «problema» do feminismo é na realidade um falso problema. Porque o feminismo não é ideologia ou movimento uno, nem tendência sociológica inversa do machismo, que é uma patologia, mas antes um complexo de análises, de causas, de combates, de escolhas, de organizações, que no conjunto não só tem já no mínimo século e meio de existência, como são hoje cada vez mais plurais. Isto é: na realidade não existe feminismo, mas sim feminismos, tão amplas foram e são hoje a dimensão e a diversidade, por vezes (e felizmente) até contraditórias, dos combates pelos direitos das mulheres.

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                            Os perigos do presentismo

                            O presentismo é uma categoria de análise do tempo, criada pelo historiador francês François Hartog, segundo a qual passado e presente desaparecem como referentes da experiência humana, seja esta pessoal ou coletiva, dado passarem a valer apenas pela forma como são compreendidos no momento. Nestas condições, o próprio futuro desvincula-se de toda a construção utópica, sendo visto como mais do mesmo e deixando de suscitar esperança nos indivíduos e nas comunidades. Resta única e exclusivamente o presente como instância de orientação no tempo: tudo é apresentado como se passado e futuro fossem realidades incertas, que não têm lições a dar-nos, nem projetam a nossa vida para horizontes de progresso. Para os presentistas, vivemos um eterno presente e só este é real.

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                              Os racistas, os antirracistas e os outros

                              Os acontecimentos no Bairro da Jamaica, no Seixal, trouxeram de novo para primeiro plano o problema do racismo em Portugal. O mito da sua inexistência entre nós segue-se aos outros mitos do país multirracial e do colonialismo «suave», tapando uma vez mais o sol com a peneira dos «brandos costumes». Mas, como é sabido, peneira não tapa luz e por cá o racismo existe de facto. Claramente expresso e assumido pode parecer raro, confinado aos pequenos grupos de extrema-direita, a franjas dos adeptos de futebol e aos últimos ressabiados da descolonização, mas na realidade é uma constante, vindo ao de cima em muitas circunstâncias e lugares. Por vezes, apenas num olhar, outras em atitudes de condescendência, aqui e ali em palavras jocosas ou em inconfessadas formas de segregação. No caso agora ocorrido, traduzido de novo numa ação policial brutal e totalmente inadmissível.

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                                Ativismo: necessidade e limites

                                Ao privilegiar a prática efetiva de transformação da realidade em detrimento da atividade exclusivamente especulativa, o ativismo é absolutamente essencial para que a política não se reduza à teoria ou à intervenção sempre pesada, lenta e burocrática das instituições e dos partidos. E para que não se circunscreva apenas ao momento do voto. Sem ele, em todas e cada uma das suas variantes, a democracia permaneceria sempre incompleta. Sem ele, sem os caminhos que aponta e abre, sem a dose de perturbação necessária que impõe, pouco mudaria. Ou mudaria apenas quando algo de mais avançado estivesse já a revelar-se necessário.

                                Tenho um respeito muito grande pela intervenção dos homens e das mulheres que fazem dele o eixo das suas vidas. Penso até que a maior parte não tem o reconhecimento devido, sendo muitas vezes política e socialmente marginalizada. Mas isto não me leva a que deixe de criticar o modo como muitas das escolhas que fazem se fecham tantas vezes em combates muito específicos, radicalizando-se rapidamente nas palavras de ordem e metas, e esquecendo que sem a busca de consensos razoáveis entre quem na diferença deseja também a mudança esta não ocorrerá. Sem ela serão reconhecidos dentro do seu pequeno grupo, mas não fora dele.

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                                  Coimbra, 1969 e depois

                                  A história dos últimos anos da oposição ao Estado Novo não pode ser feita sem ter em conta o movimento estudantil e, dentro deste, sem mencionar os acontecimentos que tiveram lugar em Coimbra durante a «crise académica» vivida entre Abril e Julho de 1969. A perfazer agora meio século, esta configurou um momento crítico da vida portuguesa daquela época, marcando para sempre o país, a cidade, a sua universidade e quem a viveu. Tendo sucedido numa fase de relativa abertura do regime – em plena «primavera marcelista», um tempo de esperanças rapidamente goradas –, representou, para toda uma geração de universitários, uma parte inesquecível das suas biografias pessoais e uma escola de política e de democracia. Ao mesmo tempo, ajudou a sacudir um sistema político decrépito que cinco anos depois iria ruir com estrondo.

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                                    Tempo dos Filipes, tempo do PREC

                                    Durante o Estado Novo, o passado de Portugal ensinado na primária – nas antigas terceira e quarta classes – era muitíssimo simplificado, embora contivesse uma pesada carga de ideologia. Os conteúdos eram apenas de natureza heróica, épica ou sagrada, e na forma tudo era limitado aos factos mais básicos, dispostos numa cronologia linear que seguia ano após ano a mera ordem das dinastias e dos reis. Terminava em 1910, naturalmente, e depois dava um salto até 1926 e à emergência de Salazar. A Primeira República desaparecia assim, apresentada, tal como os anos que se haviam seguido à Revolução de 1820, como a era «do gato e do rato». Uma permanente e insana balbúrdia que era preciso apagar.

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