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Fui maoista e não me arrependo

Esta noite sonhei que voltara ao passado. Ainda melhor: sonhei que fora ao passado roubar, para poder usar nestes dias sem luz, aquilo que ele tinha de melhor. Não a juventude por alguns revista como insana, a energia sem medida, cuja evocação nunca me encheu de nostalgia porque as troquei por outras coisas e porque sei que a memória mais bela e perfeita tem sempre a forma de fábula. Pensando bem, afinal nesse passado fui tão feliz e tão infeliz quanto o sou hoje, ainda que por motivos diferentes. Fui antes buscar outra coisa, que ao contrário das fases e das dinâmicas da vida, permanece imortal porque transcende o tempo curto que nos cabe. Falo da esperança e da vontade indómita de mudar as coisas do mundo, sabendo sempre que nelas se misturam, em partes iguais, a imaginação do que há-de vir e o banho de realidade que sempre defronta o futuro.

Em La Chinoise, o filme que Godard rodou em 1967, numa parede do pequeno e bem burguês apartamento de Paris que serve de quartel-general ao bando de jovens irredutíveis, aprendizes de alquimista da Revolução que há-de vir, que protagonizam o filme, encontra-se escrito, com letras delicadamente decalcadas, «é preciso confrontar as ideias vagas com as imagens claras». Uma frase, se a memória desgastada não me engana, justamente da autoria de Mao Tsé-tung. Nela se resume o princípio que no meu sonho procurei trazer de volta para este lado do tempo. O de que não há intervenção política capaz sem que a precedam o esboço de impossíveis quimeras. Porque o excesso de realismo e a ditadura da «política do possível», imune à ideia de salto, de viragem, deu no que deu. Como o comprovam os noticiários assustadores, soturnos, deprimentes, que ainda somos capazes de ouvir.

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    Deus lhe perdoe

    Viajo no tempo e tento concentrar-me na época em que deixei a Igreja católica apostólica romana. Até à altura em que as dúvidas apareceram, tinha sido um fiel convicto, praticante, tão seguro da minha crença e dos seus dogmas que cheguei uma vez a zangar-me com os meus pais por estes se afirmarem católicos e não frequentarem a Santa Missa. Aos 14, porém, comecei a sentir-me desconfortável e rapidamente encontrei duas razões para me afastar dos rituais, primeiro, e depois da fé. A primeira razão teve a ver com a recusa de uma retórica oca, repetitiva e indecifrável que nada me segredava: as prédicas aborrecidas que se limitavam a frase feitas sobre «o fim dos tempos» que eu não conseguia vislumbrar que coisa fossem, sobre uma «Salvação» que não percebia do que me iria afinal salvar e sobre o Espírito Santo, chamado de «Paráclito» sem que ninguém me explicasse que esta era a palavra grega para «consolador», enchiam-me de tédio. E, pior, nada tinham a ver com as letras das canções dos Rolling Stones, que acima de tudo adorava. (mais…)

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      O Nobel, a árvore e a floresta

      Na Carta a um amigo alemão, de 1944, Albert Camus falava da Europa na qual acreditava e pela qual se batia, contra aquela que a guerra se preparava então para aniquilar: «A vossa Europa está enferma. Ela nada tem para agregar ou exaltar. A nossa é uma aventura comum que prosseguiremos, apesar de vocês.» Escritas há 68 anos num momento dramático, estas palavras não perderam a validade, uma vez que a ideia de uma Europa unida, fraterna, democrática e progressiva – não tenhamos medo dos conceitos velhos mas imortais – continua a existir como utopia e, contra todos os obstáculos e cavalos de Troia, continua também a permanecer como projeto. As circunstâncias atuais correspondem, sem dúvida, a um momento de brutal retrocesso nesse caminho, e esta Europa pouco tem de são ou até de sustentável. Mas a casa permanece de pé e não é previsível nem desejável um regresso ao tempo ventoso e inseguro em que cada um geria por sua conta e risco o velho e desconjuntado castelo do seu Estado-nação. (mais…)

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        Quando a China mandar

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        Estou a ler um livro assustador, Quando a China mandar no Mundo, do jornalista e ensaísta britânico Martin Jacques, recém-editado entre nós pela Temas & Debates – Círculo de Leitores. O argumento principal de Jacques é que o domínio económico e político do planeta por parte da China é uma inevitabilidade. Mas o mais difícil de digerir não é essa ideia, à qual, aliás, muitos analistas desde há sensivelmente uma década nos têm vindo a habituar. É antes a certeza, fundada na sua experiência de reputado sinólogo, na caraterização da China, não como um Estado empenhado numa lógica de desenvolvimento de tipo capitalista, que lá por volta de 2025 terá um regime politicamente mais aberto e uma economia que superará a dos Estados Unidos da América, mas como centro de uma realidade imperial. Realidade profundamente marcada por tradições milenares únicas, de natureza centralista e autoritária, que reconfigurará ou anulará a noção, herdeira da Revolução Francesa, que deste lado do mundo, ainda que com nuances, conservamos de democracia. Num artigo saído hoje no Público, fala-se da China como um país de hoje em dia «comunista sem comunistas», mas se seguirmos a lógica deste livro percebemos que nem mesmo essa ideia um tanto arbitrária poderá explicar o regime que se prepara para dominar o mundo. Aquilo que aí vem é mais antigo, menos compreensível para a nossa lógica de base humanista, sem nada a ver com a teleologia marxista e que será inevitavelmente despótico. Vamos esperar que o autor se engane nas suas certezas, mas não será nada conveniente que esperemos sentados.

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          Solidários mas felizes

          Fotografia de Fiona

          Sendo um francoatirador de esquerda, nunca deixei de me preocupar com os destinos do mundo e o combate constante e solidário por uma justiça que evito adjetivar. Foi uma vocação precoce que espero manter enquanto souber fazê-lo. Por isso sempre procurei combinar o interesse pelas coisas belas e reconfortantes do mundo – uma música exaltante, um livro que nos desafia, um poema que canta, uma mulher bonita, um rio selvagem, uma nuvem carregada que anuncia o outono – com uma noção de compromisso que, com Camus, associo sempre às escolhas que todos os dias nos vemos condenados a fazer. Nesta medida, sempre afastei, por vezes até com alguma repulsa, a proximidade dos que apenas olham uma flor, ou só se vêm ao espelho, enquanto desviam o olhar e o corpo do sofrimento dos outros, do ódio e da opressão que fazem parte da vida, tentando simular que eles não existem. Aborrece-me muito, por vezes de morte, quem fala apenas de política, mas incomoda-me quem se recusa a olhá-la. Uma e outra posição marcadas, no fundo, por uma falta de humanidade que elide a complexidade das coisas e das pessoas, reduzindo-a, obsessivamente, apenas a um dos seus lados. (mais…)

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            O Congresso e o pesadelo

            Dos trabalhos do Congresso Democrático das Alternativas e dos termos da declaração nele aprovada (a divulgar em breve) não resultou a proposta de uma nova plataforma partidária e muito menos a apresentação de um programa de governo. O equívoco dos seus detratores no campo da esquerda – invariavelmente associados aos tempos e aos modos de sectarismo político que ele procurou contrariar – está em olharem os resultados do Congresso nessa perspetiva. Pelo contrário, estes devem ser vistos principalmente como fatores de abertura e elementos de debate para a edificação urgente mas gradual de um novo cenário democrático. Este cenário envolverá a afirmação pública de três princípios fundamentais: em primeiro lugar, aquele que define a inadiável necessidade de se produzir uma alternativa à política austeritária, antissocial e antipatriótica que governa Portugal; em segundo, aquele que considera dever esta alternativa passar pela construção de um governo de unidade à esquerda, assente em princípios que possam ser partilhados pela maioria dos cidadãos; e em terceiro lugar, aquele que aponta para tal solução resultar, de um modo plural, da conjugação de esforços dos partidos, dos movimentos mais ou menos informais e de cidadãos empenhados mas sem partido. Ninguém espera que este caminho se mostre claro do dia para a noite e que seja fácil de pisar. Aquilo que não se vislumbra é outra solução realista que não repita velhas receitas. (mais…)

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              Luta política e teatro da rua

              Uma nota sobre a manifestação de ontem, convocada pela CGTP três dias antes do movimento nacional «Que se Lixe a Troika! Queremos as Nossas Vidas de Volta!», de 15 de setembro, e à qual aderiram entretanto outras organizações e movimentos. Não pude de todo estar presente em Lisboa, mas apoiei a convocatória, ajudei a divulgá-la e tive muita pena de não ter podido fazer parte da multidão que encheu o Terreiro do Paço. Ainda assim, segui-a diretamente ou em diferido através das televisões, dos jornais online, dos blogues, do Facebook e do Twitter, tendo depois conversado com pessoas que estiveram presentes. Por isso, a minha leitura não deriva apenas de «ouvir falar». Se bem que, nos tempos que correm, o que se ouve e o que se à distância possa ser, muitas vezes, mais completo do que aquilo que podemos observar na escala direta e calorosa da presença física. (mais…)

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                Hoje, 29 de Setembro

                É preciso pôr de lado a indiferença. E é muito importante que a manifestação seja unitária, grande, poderosa. Mas que nela os cartazes monotonamente estandardizados e as palavras de ordem pré-estabelecidas e previsíveis não perturbem a espontaneidade e a diversidade do protesto. Foi esse o factor central, decisivo, para o êxito do inesquecível 15 de Setembro.

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                  O fim da ilusão europeia

                  Enquanto lemos o ensaio Uma Grande Ilusão?, publicado pela primeira vez em 1996, baseado em palestras proferidas no Johns Hopkins Center de Bolonha e traduzido agora em Portugal, poderá surpreender-nos a capacidade de Tony Judt (1948-2010) para chegar, com vários anos de avanço, a conclusões hoje praticamente do domínio do senso comum. Naquela altura, o euroceticismo era dominado pela direita e o ideal de uma Europa política e economicamente unida ainda parecia constituir, pelo menos para a generalidade dos socialistas e dos social-democratas de esquerda, o fundamento de um futuro de prosperidade e de bem-estar social para a grande maioria dos cidadãos. Em Portugal, a proposta de uma «Europa connosco», utilizada pelo PS em 1975 para vencer as eleições para a Assembleia Constituinte, dera o mote para a projeção intramuros, por mais de vinte anos, dessa quimera de um continente unido, próspero e pacífico, no qual cada Estado deveria funcionar como peça perfeita de uma experiência eterna e de um todo harmonioso. No entanto, quando escreveu este texto, o historiador britânico desconfiava já da viabilidade desse projeto e, em consequência, do seu futuro. (mais…)

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                    A lusofonia como vocação

                    Depois de em 2007 ter publicado A Morte de Portugal, no qual desenvolveu um diagnóstico profundamente negativo da situação nacional e dos seus fundamentos históricos construídos durante a travessia dos séculos, o novo livro de Miguel Real retoma a preocupação com um entendimento do lugar do país perante o seu percurso temporal e o seu lugar no mundo, embora o faça agora numa tonalidade mais esperançosa. São quatro as teses, segundo o autor «simples, mas polémicas», que norteiam este ensaio. Para a primeira, o «espírito europeu» definiu a atual configuração do mundo e «a atual humanidade do homem», reportando o seu caminho histórico uma aventura ímpar que no essencial deve ser valorizada positivamente. De acordo com a segunda tese, a Europa encontra-se agora «em estado de esgotamento histórico», requerendo a rápida revitalização das suas nações constituintes. Na terceira procede-se a uma separação entre o «lugar natural» de Portugal, que é aquele conservado na comunidade dos Estados europeus, e o seu «lugar histórico», que de acordo com Miguel Real se realiza hoje na dimensão da Lusofonia (assim mesmo enunciada, com maiúscula). A quarta tese dialoga então com a ideia de um «destino histórico» para Portugal, proposta por Jorge Borges de Macedo, opondo-lhe, com uma menor dimensão de inexorabilidade, a de uma «vocação histórica». Esta é traduzida no cruzamento da recente experiência europeia, considerada incontornável, com a antiga aptidão imperial, no contexto de um espaço político internacional de igualdade e de prosperidade que, insiste, apenas poderá concretizar-se no âmbito da Lusofonia. Positivamente, o autor elogia então, e coloca as suas esperanças, numa «nova geração» que, procurando um caminho melhor para Portugal, deixa para trás o «país sonâmbulo» em que nos teríamos transformado e «assume sem complexos neocolonialistas a existência passada do Império», projetando-o no futuro de uma «língua comum» e de um «espírito comum». Na dimensão utópica de uma «política nova» capaz, sob o seu ponto de vista, de regenerar Portugal.

                    Miguel Real, A Vocação Histórica de Portugal. Prefácio de José Eduardo Franco. Esfera do Caos. 150 págs. Nota saída na LER de Setembro.

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                      O incrível Mitt

                      Na New Yorker desta semana, o jornalista Nicholas Lemann conta num artigo biográfico intitulado «Transaction Man» a inacreditável história do primeiro encontro de um importante mórmon de Salt Lake City, Douglas Anderson, partidário dos democratas,  com Mitt Romney, o candidato republicano às presidenciais norte-americanas. Corria o ano de 1968 e Anderson acabara de entrar na Universidade de Stanford. Romney chegara a Stanford cerca de três anos antes, depois de ter viajado por França no seu trabalho como jovem missionário mórmon. Andava Anderson a passear pelo campus quando um estudante mais velho, que ele conhecia mal, lhe dirigiu uma pergunta: «És mórmon?». Anderson respondeu que sim. «E conheces Mitt Romney?». Não, não conhecia. «Mitt Romney é a pessoa mais excecional que alguma vez conheci!». E afastou-se. Pouco tempo depois Anderson descobriu que o desconhecido era o próprio Mitt.

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                        Apartidários e antipartidários

                        Coimbra, 15 de Setembro

                        Não representa uma vantagem, mas sim um problema e um péssimo sintoma. Pode também ser um ponto de viragem para indispensáveis mudanças de atitude. Torna-se evidente que uma boa parte da dimensão e do êxito das manifestações anti-troika e anti-governo de 15 de Setembro se ficou a dever – para além, claro, da revolta genuína, profunda, dos cidadãos espoliados e ofendidos – ao seu caráter apartidário. A necessidade e a unidade na ação produziram então o necessário para que as bocas se abrissem: uma conjugação de vontades, fundadas em alguns objetivos elementares e comuns, que não se acharam submetidas a figuras tutelares, a discursos estereotipados, a «serviços de ordem» ou a previsíveis aproveitamentos. Essa foi a vantagem.

                        Já o problema começa quando o caráter apartidário degenera em sentimento antipartidário, e nada garante que a linha separadora das duas dimensões não tenha sido já transposta. Tanto no que diz respeito aos partidos do governo, quanto no que concerne àqueles que formalmente se lhe opõem. Chegamos então à perceção de que este pode ser o perigoso sintoma de uma certa rejeição da democracia representativa de base partidária tal como esta se encontra desenhada na Constituição, o que pode antecipar uma arriscada vertigem de caráter messiânico ou autoritário. Aguarda-se por isso que aquilo que aconteceu suscite, quanto mais não seja por efeito do instinto de sobrevivência, uma reflexão dentro dos próprios partidos. E que preludie uma reconfiguração do nosso mapa político e partidário, com a emergência de novas formas de organização, de ação, de discurso e de representação política. A esperança que nos alimenta reclama esta possibilidade.

                        Fotografia retirada do blogue Denuncia Coimbrã.

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                          Povo unido com voz própria

                          15 de Setembro. Fot. Daniel McKay

                          A dimensão e as características dos protestos deste 15 de Setembro terão sido uma surpresa, tanto para os governantes quanto para os partidos do chamado arco da governação. E mesmo para os próprios organizadores, que só tinham as adesões no Facebook como indicador. A surpresa começou pelo número esmagador de manifestantes que foram para a rua, em tantos e tão diversos locais, somando perto do milhão. Falamos, repare-se bem, de 10% da população em protesto contra a ingerência da troika em Portugal, contra a vertigem insana da austeridade sem horizonte assumida pelo governo, e contra a proposta injusta e desumana de uma Taxa Social Única que traduziria uma política de terra queimada. Foi esta, aliás, a gota que fez transbordar o copo. (mais…)

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                            Que cesse o medo, que sopre o vento

                            Não me parece plausível, surgindo mais como uma manobra de diversão para atemorizar algumas pessoas e diminuir o impacto do movimento de protesto, que possam ocorrer atos de violência nas dezenas de manifestações «Que se lixe a Troika! Queremos as nossas vidas!» previstas para este sábado, 15, em todo o país. Mas já pode ser preocupante que possam acontecer, ainda que esporadicamente, atitudes de sectarismo contra pessoas conotadas com posições políticas mais próximas do «arco do poder» que resolvam estar presentes. É absolutamente crucial para o êxito destes protestos e a sua transformação em instrumento de uma dinâmica de mudança política alargada à maioria dos portugueses, que todos percebamos não se tratar de uma caminhada para a «revolução dos oprimidos», mas sim de um passo, apenas um passo embora importante, no sentido da construção da unidade e da alternativa, ao pesadelo de governo e de futuro que nos estão a tentar impor. Por uma vida digna. Neste momento, preciso, imperioso e urgente é unir forças e gritar a uma voz em nome do que é mais importante.

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                              Carta aberta ao primeiro-ministro

                              Uma carta-aberta é aquilo que sabemos. Escrita por alguém (neste caso o escritor e ensaísta Eugénio Lisboa), dirigida a outro alguém (aqui o destinatário é o infeliz que é neste momento o primeiro-ministro de Portugal) e aberta à leitura de todos porque a todos importa. Retirada do blogue Da Literatura, de Eduardo Pitta.

                              CARTA AO PRIMEIRO-MINISTRO DE PORTUGAL

                              Exmo. Senhor Primeiro Ministro

                              Hesitei muito em dirigir-lhe estas palavras, que mais não dão do que uma pálida ideia da onda de indignação que varre o país, de norte a sul, e de leste a oeste. Além do mais, não é meu costume nem vocação escrever coisas de cariz político, mais me inclinando para o pelouro cultural. Mas há momentos em que, mesmo que não vamos nós ao encontro da política, vem ela, irresistivelmente, ao nosso encontro. E, então, não há que fugir-lhe. (mais…)

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                                Obama não é Romney

                                É provável que muitas pessoas o tenham entretanto esquecido e, uma vez que a Queda do Muro aconteceu há já perto de um quarto de século, que muitas outras nunca se tivessem apercebido de tal coisa. No entanto, durante os anos da Guerra Fria, os governos dos países do «socialismo de Estado», autoproclamado «realmente existente», bem como a maioria dos «partidos irmãos» que no resto do planeta os apoiava, sempre mostraram maior empenho na vitória republicana nas eleições para a presidência dos EUA do que interesse no resultado contrário. A lógica era simples: republicanos e democratas eram uma e a mesma coisa, não passando de inimigos «da humanidade progressista e da paz dos povos», e por isso mais valia que vencessem os menos enganadores, os mais assumidamente agressivos e por isso os mais capazes de ajudar a congregar vontades para o combate anti-imperialista. Era a lógica do quanto pior, melhor: um governo americano mais inflexível no domínio interno e mais propenso a aventuras no plano mundial, seria preferível para a vitória planetária do socialismo. (mais…)

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                                  Angola 2012

                                  Por um conjunto de razões que não tenho agora tempo para esclarecer, as eleições parlamentares de hoje em Angola fazem-me rememorar uma frase de Paul Theroux deixada no seu Viagem por África: «Em países onde os políticos corruptos se vestem todos de fatinho às riscas, as melhores pessoas andam esfarrapadas.»

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