
Na esquerda política, historicamente erguida a partir da contestação da ordem tirânica e injusta do capitalismo, tem-se mantido uma posição dominante de impaciência ou de desprezo perante a inclusão efetiva da diferença. Em Portugal, é verdade que todos os seus partidos e movimentos declaram justamente o contrário, mostrando sempre vontade de se abrirem à integração de pontos de vista e de cidadãos reputados como «independentes». Todavia, estas têm como característica indispensável, para cumprirem o papel que lhes está destinado, o fazerem com que as suas provas de independência jamais contrariem a «linha justa» traçada pelas direções. Nestas condições, deixam de ser as pessoas e as suas ideias a ser integradas, sendo antes o seu corpo e a sua voz que são requisitados em nome da estratégia ou da campanha do momento. Pode então ter-se toda a razão, mas se essa reserva é ultrapassada e se diverge explicitamente dos procuradores da linha que decide, se se defendem em público posições que a contestam, é-se silenciado ou, no limite, combatido. Diga-se aquilo que daí para a frente se disser, ou tomem-se as posições que se tomarem, a marca infamante fica gravada como uma tatuagem. E muitas vezes deixa de haver lugar para essas pessoas nas fileiras. Conheço ou conheci algumas. ler mais deste artigo
