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Fantasia bíblica

Bíblia ao pequeno almoço

Contou-me certa vez um antigo dirigente estudantil que na juventude tinha lido e sublinhado integralmente O Capital. Disse-lhe então uma coisa um bocado destemperada mas sincera: «Acho que merecia um prémio. Ao fim destes anos todos a viver como marxista e ex-marxista, e a conviver com marxistas e ex-marxistas, é a primeira pessoa que encontro que tenha lido O Capital de uma ponta à outra». Admito que também não o li na totalidade e costumo sempre sugerir a quem sei que jamais o lerá – mas precise de alguns rudimentos sobre os conceitos de mais-valia e de modo de produção capitalista – que ao menos se entretenha com o prefácio à Contribuição para a Crítica da Economia Política. Como é sabido, este apontava já para algumas das principais teses desenvolvidas anos depois no livro mais espesso do barbudo de Trier.

Lembrei-me disto quando soube hoje pelos jornais que os resultados de um inquérito feito a nível nacional revela que «apenas» 9,7% dos portugueses leram a Bíblia Sagrada. Por acaso sou um deles, embora o tenha feito numa idade em que apenas vi aquilo que queria ver: uma narrativa mágica sobre a eterna luta entre o Bem e o Mal que eu concebia à imagem e semelhança de um filme de Cecil B. DeMille ou de William Wyler. Mas pelo que conheço dos meus compatriotas e dos seus hábitos de leitura – a larga maioria nem o Código da Estrada de João Catatau terá lido com atenção de fio a pavio –, não me parece que tantos o tenham feito. Corro alguns riscos ao dizer isto, mas acredito que uma boa parte dos que afirmaram ter lido a Bíblia se devem referir a fragmentos do Novo Testamento escutados num ofício religioso ou àquele intocado volume negro de capa cartonada que têm lá em casa, dignamente perfilado com a Enciclopédia Alfa, o Livro de Pantagruel e os volumes encadernados da obra completa de Agatha Christie que escondem da pequenada a trilogia do Henry Miller. Ou será mesmo assim ou então a vida terá feito de mim um cínico e um incréu.

    Apontamentos, Atualidade

    Um problema para o Super-Obama resolver

    Super-Obama

    Hoje de manhã, quando me perguntaram o que pensava sobre a escolha de Barak Obama para Nobel da Paz, pensei que estavam a gozar comigo. Não porque me parecesse completamente imerecido – não faço para daquele grupo de idiotas que considera «Obama pior que Bush» sem conseguir perceber que o vento mudou e a América com ele – ou por falta de simpatia pela pessoa em si. Longe disso. Mas simplesmente porque ainda não tinha ouvido a notícia e não a julgava possível. Acontece que a parte que cabe ao presidente dos EUA na obra de pacificação do mundo está ainda quase toda por fazer e declarações de intenção, associadas a enormes doses de charme, não deveriam servir, julgava eu, de atestado de cumprimento da missão que este prémio supõe. Ao mesmo tempo, eleva a fasquia e coloca sobre os ombros do presidente americano uma pressão que pode vir a prejudicar o seu trabalho futuro. Obama não é Clark Kent e muito menos o Super-Homem.

      Apontamentos, Atualidade

      Desigualdade é isso mesmo

      Bem sei que nem tudo aquilo que os candidatos autárquicos, principalmente ao nível de freguesia, anda por aí a dizer, decalca necessariamente as posições dos partidos que sustentam as suas candidaturas. Por isso não vou identificar a lista que concorre à Junta de Freguesia de Alcafache, em Mangualde – digo apenas que não é de direita –, que sendo composta apenas por mulheres declara possuir, por este preciso motivo, razões de sobra para ter «maior sensibilidade para os problemas sociais». Como toda a gente sabe, os homens são sempre, e lá no fundo, uns grandes e insensíveis brutos. E as senhoras óptimas a fazer naperons, a ajudar os necessitados e a espalhar o Bem. São ínvios e insondáveis os caminhos das representações conformistas do feminino.

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        Sem noite

        Estive apenas duas semanas em Banská Bystrica, à beira do Hron. Mas foram dias felizes, perfeitos, sem noite. Naquela época não sabia que existiam dias sem noite abaixo do paralelo 62.

        Iuri Bradáček

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          Também eu

          Roberto Bolaño

          Pior que os seguidistas, que falam de qualquer coisa por falta de tema ou só porque toda a gente escreve sobre o assunto e não são capazes de se conter, são os pseudo-enfants terribles que abrem a boca com a soberba da insciência convencida. Eu cá, que lá fui decifrando o Ulisses e mais alguns livritos voluminosos, mas só ontem comecei o 2666 do Bolaño e o vou ter de ler devagar, prefiro não falar de cor. Frequento a crítica, penso pela minha cabeça, ando um bocado a pé, e depois se verá. Por enquanto calo-me para não perturbar o encantamento ou escrever disparates.

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            Xeque ao capitalismo

            Spassky e Fischer

            Apesar de ter hoje nacionalidade eslovaca, faz agora 25 anos vivia ainda em Brno. Julgo que foi pelo diário Právo, e por algumas notícias que passavam no canal estatal de televisão, que segui o primeiro encontro para o título mundial de xadrez travado entre Gary Karpov a Anatoli Kasparov. A minha recordação desse tempo é muito vaga. É curioso mas lembro-me muito melhor, talvez por causa da propaganda, dos duelos anteriores de Boris Spassky com Bobby Fischer, que no princípio dos anos setenta nos eram mostrados como combates de morte entre a descomunal argúcia socialista e uma esperteza capitalista rude e sempre arrogante. Nessa época tratava-se de uma verdade inquestionável e só anos depois entendi que o mundo não era assim tão simples de interpretar.

            Iuri Bradáček

              Apontamentos, Memória

              Por um cigarro em paz

              Um cigarro em paz
              Soldado republicano fotografado na frente de Madrid

              Já sabia que tinha acontecido assim, mas a crónica de Antonio Muñoz Molina no Babelia reavivou-me a memória de uma ocorrência que sempre achei perturbante. Mesmo quando fazia por acreditar em absolutos e na límpida separação entre o bem e o mal. Sobreviventes anónimos da Guerra Civil espanhola recordam insistentemente, conta Molina, como fora das áreas de combate o mais duro de suportar era, para além da fome, a falta de tabaco. Este faltava na zona republicana, pois era produzido na Estremadura e nas Canárias, controladas desde o início pelos franquistas, mas nas áreas administradas pelos insurrectos não havia papel de fumar de boa qualidade, uma vez que as fábricas estavam em regiões nas mãos da República. Organizavam-se então encontros perto da linha da frente para que os dois produtos fossem trocados e pelo menos alguns pudessem experimentar desse «alívio plácido após uma longa privação».

              Episódios de uma camaradagem desta natureza, entre populações situadas em campos adversos ou mesmo entre inimigos, são comuns em situações de conflito e aconteceram também durante as nossas Guerras Coloniais. Um antigo comandante guerrilheiro do MPLA descreveu-me certa vez o modo como os seus combatentes, sabendo que os opositores directos iriam passar pelo mesmo trilho e estavam há muito tempo isolados, deixavam afixados num papel espetado numa árvore os resultados do campeonato português de futebol da Primeira Divisão. Se fosse o caso, alguns portugueses faziam a mesma coisa. Outras vezes metiam-se uns com os outros, de maneira quase amigável, a propósito de certas simpatias clubísticas: «no domingo vão ser cinco a zero!», «vocês ontem não jogaram nada, cabrões». Episódios que reforçam o particular absurdo das guerras atravessadas por um passado partilhado e uma língua comum.

                Apontamentos, História, Memória

                Que mil Cíceros floresçam

                Cícero

                Durante a entrevista concedida ao semanário Expresso deste sábado, Judite de Sousa considera que «se recuássemos dois ou três mil anos Francisco Louçã era o Cícero da Grécia Antiga». Sim, falamos de Marcus Tullius Cicero, o versátil romano que foi um grande orador, filósofo, escritor, jurisconsulto e político lá pelo século I a.C. Segundo Judite, Marco Túlio terá também viajado no tempo (aliás, não é preciso ser-se grande erudito para saber que mil anos de décalage para ele eram ginjas). Diz ainda que Obama é «o Cícero contemporâneo». É cada vez mais perturbante a forma como certos pivôs e jornalistas considerados de topo – que deveriam, ao menos estes, possuir uma formação sólida e não se verem como vedetas a quem é permitido dizer qualquer coisinha – ostentam ignorância e proclamam banalidades em estado gasoso como se fossem  pensamentos lapidares. Já quase me esquecia: Judite declara na mesma entrevista ser levada a crer que «José Sócrates emprenha pelos ouvidos». O que não fará dele propriamente um grande Cícero. Nem dela uma especialista em freaks.

                  Apontamentos, Devaneios

                  Falar barato

                  Falar barato

                  Recordava-me há dias um amigo que em período eleitoral sobrevém «uma suspensão da normalidade em todos os planos, o discursivo incluído». Concordo com ele, penso que todos concordaremos, e, quanto mais não bastasse, para lhe dar razão bastaria ver como aqui, na blogosfera – onde, se não estou equivocado, não circulam dominantemente magarefes e lutadores de wrestling –, pessoas habitualmente reputadas como estimáveis, ponderadas e inteligentes se travestem episodicamente em desbocadas, deixando entre parêntesis a politesse (a palavra «delicadeza» corre hoje certos riscos), e comportando-se como elementos radicais das claques de futebol. Muitos retomam, aliás, os velhos princípios da política provinciana, na qual, como se sabe, qualquer argumento político racional é ultrapassado por afirmações gratuitas e um «diz-se que diz-se» bastante dependente das intricadas teias locais do favor, da família e da amizade. Nessa tendência para a interrupção da normalidade integra-se o recurso à «pequena política», ao truque barato, ao «pé para o chinelo», ao uso da primeira arma de arremesso que apareça para achincalhar o adversário e reduzir a discussão ao menor denominador comum.

                  Isto vem tudo a propósito de uma espécie de notícia publicada pelo Correio da Manhã, na qual se utilizam fragmentos de uma conversa informal, off the record, ocorrida nos estúdios da RTP antes do debate da passada terça-feira entre Francisco Louçã e José Sócrates. Aí se dá destaque, como se de um escândalo se tratasse, a umas quantas graças banais ditas principalmente pelo secretário-geral do PS. Além da sua utilização jornalística ser muito condenável no plano ético, aquele tipo de piada é coisa que qualquer de nós poderia dizer, e não vejo que um político responsável, pelo facto de o ser, tenha necessariamente de controlar as emoções e as palavras 24 em cada 24 horas. Aliás, devemos desconfiar, e muito, de alguém que não saiba rir, não diga tolices e em público apenas fale a sério. Pela mesmíssima razão, fui, aliás, um dos que condenaram a manipulação do normalíssimo «porreiro, pá» (prefeririam os utilizadores um «cumprimento vossa excelência»?), ou a utilização de pequenas frases casuais retiradas do Twitter pessoal de políticos e jornalistas para os diminuir, como já ocorreu. A educação democrática, julgo sinceramente, passa também por aqui. Deve ser uma prática permanente, não um acto de circunstância. E a lógica do «vale sempre tudo» apenas contribui para reduzir a dimensão humana da actividade política e alimentar uma noção de debate público como se de um jogo de pingue-pongue contra uma parede de cimento se tratasse. São preferíveis políticos de rosto humano, falíveis, por vezes vaidosos, a autómatos previsíveis e aparentemente clarividentes. E isto nada tem a ver com a minha hipotética simpatia, ou a falta dela (muito mais provável, já agora), por José Sócrates, Manuela Ferreira Leite, Carmelinda Pereira ou aquele senhor de bigode que é o Presidente da Junta.

                    Apontamentos, Olhares, Opinião

                    Estrada fora, sem papéis

                    Driving

                    Cristina A., 48, com cadastro, tem todas as condições para colher a simpatia de muitas pessoas. Foi julgada e condenada em Coimbra por ter sido apanhada ao volante sem carta de condução, o que declarou fazer «há 20 e tal anos» sem sequer ter passado num exame de Código da Estrada («o que me faz confusão são as perguntas ranhosas», lamentou-se ela aos jornalistas). Admitindo que já foi apanhada oito vezes em situação idêntica, disse que apreendeu a conduzir no mato, «mas graças a Deus nunca tive um acidente». Isto apesar de já ter «batido os 200 quilómetros à hora». A sua maior ambição – como a de tantos de nós, aliás – é conduzir um camião. Quem não invejará um pouco, se não a vida, o descaramento de Cristina por acelerar assim, estrada fora, sem papéis?

                      Apontamentos, Devaneios

                      Jaume los tiene

                      Tricolor

                      Jaume d’Urgell identifica-se no Twitter como «um madrileno nascido em Barcelona, preocupado com o bem comum, a cultura, os Direitos Humanos, a razão crítica e a comunicação». É militante republicano, e foi nessa qualidade que em 14 de Maio de 2006 escalou a fachada de um edifício oficial situado na Gran Vía de Madrid substituindo a bandeira nacional espanhola, de matriz monárquica e ainda conotada com o franquismo, pela tricolor. Jaume não escondeu a cara e deixou-se identificar, tal como assumiu a responsabilidade do seu acto e não aceitou pagar a multa de 4.000 euros decidida por um tribunal, optando por cumprir três meses e meio de prisão efectiva. Agir de outra forma «seria dar-lhes razão», declarou. Mantém em seu nome uma página pessoal e um blogue – La bitácora de Jaume – dedicado à causa republicana. Um bom exemplo de coerência e bravura que nada tem a ver com as brincadeiras azuladas a que temos assistido por aqui. Toda a história no Público espanhol.

                        Apontamentos, Atualidade

                        RTP-Memória

                        Admito que hoje, ao seguir na televisão a conversa entre Jerónimo de Sousa e José Sócrates, senti pena do primeiro. Muito cansado, sem chama, quase deferente, mastigando as palavras, incapaz sequer de repetir o discurso oficial, monocórdico mas combativo, do seu próprio partido. E lembrei-me muito da voz e da presença de Álvaro Cunhal. Sócrates tratou «o Jerónimo» como se este fosse um delegado sindical de um lar para a terceira idade a quem se deva sempre uma certa dose de condescendência. Cunhal jamais admitiria que alguém o tratasse daquela forma e a ninguém passaria pela cabeça fazê-lo. Foi mau para todos e triste de ver.

                          Apontamentos, Atualidade

                          Acto de contrição

                          Delicado

                          De acordo com as palavras do engenheiro Sócrates em variante soft da entrevista de hoje à RTP, «talvez não tivesse havido da nossa parte a suficiente delicadeza na nossa relação com os professores». Demonstrar arrependimento, convenhamos, é sempre uma atitude meritória. Principalmente em campanha. E fazer o pino também. Ficamos à espera.

                          P.S. – Já depois deste post escrito, a ministra da Educação não fez o pino, mas rastejou, admitindo agora, já com o Juízo Final em andamento, «que existiram problemas de comunicação entre Governo e professores nos últimos quatro anos». É por estas e por outras idênticas que tantas pessoas honestas cospem para o chão e se benzem quando tal espécie de gente lhes passa por perto.

                            Apontamentos, Atualidade

                            Há precisamente setenta anos

                            Polónia 1939
                            Soldados alemães guardam um grupo de judeus em Sanok, Polónia (Setembro de 1939)

                            «Quem foi a primeira vítima de uma guerra que viria a fazer mais de quarenta milhões delas? Um prisioneiro desconhecido de um dos campos de concetração de Adolf Hitler, com toda a probabilidade um criminoso de direito comum. Numa tentativa para apresentar a Alemanha como vítima inocente de uma agressão polaca, vestiram-lhe um uniforme polaco, levaram-no para a cidade fronteiriça alemã de Gleiwitz, e a Gestapo abateu-o na noite de 31 de Agosto de 1939, na estranha encenação de um «assalto polaco» à estação de rádio local. Na manhã seguinte, quando as tropas alemãs começaram a entrar na Polónia, Hitler apresentou, como um dos motivos que justificavam a invasão, “o ataque ao retransmissor de Gleiwitz por tropas regulares polacas”.»

                            (in Martin Gilbert, A Segunda Guerra Mundial, editado pela Dom Quixote)

                            O resto da história é conhecida. Ou melhor, vai sendo conhecida.

                              Apontamentos, História

                              O fatela de Tripoli

                              al-Khaddafi

                              Grande festa em Tripoli neste 1º de Setembro para comemorar 40 anos de Muammar Abu Minyar al-Khaddafi à frente da Jamahiriya Líbia. O destacado predador da liberdade de imprensa, déspota responsável por atentados sistemáticos contra os direitos humanos, ex-terrorista e antigo paladino do extinto «socialismo árabe», mas com dinheiro suficiente para comprar cumplicidades por todo o planeta, não consegue, no entanto, fugir à suprema ignomínia: o ter sido designado pela revista Time como um dos líderes mundiais mais mal vestidos da actualidade (embora, reconheça-se, a seguir a Kim Jong-Il e a Vladimir Putin).

                                Apontamentos, Democracia

                                O Milagre de S. Cristiano

                                Cristiano Ronaldo providenciou há dias um milagre que não foi devidamente divulgado fora da Região Autónoma da Madeira. Uma britânica com mais de 80 anos perdera-se do grupo em que seguia quando participava num passeio turístico junto à levada do Caminho dos Balcões, no Ribeiro Frio. A tentativa de resgate foi rapidamente lançada, mas não estava a resultar. A noite aproximava-se e o temor de que ela pudesse ser fatal para a turista começava a crescer. O desânimo instalava-se já quando, subitamente, se ouviu de uma ravina uma voz que bradava: «Cristiano Ronaldo! Cristiano Ronaldo! Cristiano Ronaldo!». Era mesmo a senhora que estava perdida, assim reencontrada. Não conhecendo uma única palavra de português, servia-se do nome do jogador de futebol para procurar salvação.

                                Provavelmente ainda voltaremos a ouvir falar deste caso, quando um dia se tratar da canonização do futebolista madeirense. Sim, que Aurélio Agostinho, o bispo de Hipona, também tivera a reputação de levar uma vida de devassidão e intemperança, com muita espetada em pau de louro e fímbria de manto pelo meio, antes de reconhecer que a sua missão terrena era outra: a de transportar o mais comum dos mortais até à Cidade de Deus. E acabaria canonizado.

                                  Apontamentos, Devaneios