Islão e direitos humanos
Não conheço, a não ser por alusões laterais e três ou quatro leituras-relâmpago, o trabalho de Tariq Ramadan, o cidadão suíço, muçulmano praticante e professor de Estudos Islâmicos Contemporâneos em Oxford, que é também visitante em instituições académicas do Qatar, de Marrocos e do Japão. Por isso, falar aqui sobre o seu trabalho académico parece-me imprudente e de evitar. Sei do lugar importante que desempenha no processo de compreensão de um islamismo ocidental, ou mais especificamente europeu, distinto daquele que, emergindo de forma mais direta da sua matriz histórica, é praticado, sob diferentes rostos, no Médio Oriente e em outras paragens mais a sul e a leste. Foi em parte esta atitude de autonomia cultural, associada à crítica dos regimes islâmicos ditatoriais, que fez com que, até há pouco tempo, fosse considerado heterodoxo e persona non grata em países como a Tunísia, o Egito, a Arábia Saudita, a Líbia e a Síria. Ramadan estará nesta quinta-feira, dia 5, em Lisboa, na Fundação Gulbenkian, onde ao final da tarde proferirá uma conferência pública. (mais…)
