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Ópio para o povo

O Alto Representante das Nações Unidas para a Aliança das Civilizações declarou à Visão que uma das mais importantes tarefas da referida aliança consiste em fomentar a «integração da história das religiões» no ensino e em promover o «diálogo inter-religioso». Quis com isto dizer o «laico» Jorge Sampaio que apoia um reforço do papel das religiões na formação cultural e ética das novas gerações. Tenderia a concordar se, como um outro dever da mesma aliança, idêntico destaque fosse dado à sua crítica e à enunciação do papel central que elas historicamente têm cumprido como entraves da mudança, factores de desigualdade social e agentes da guerra. O que não deixaria de ser uma forma de aproximação entre os povos (a «aliança das civilizações» da qual fala o novo jargão) e de melhoria da sua qualidade de vida.

    Atualidade, Opinião

    Segundo plano

    Não conheci Simone de Beauvoir logo através dos livros. Na viragem para a década de 1970 apenas tinha acesso a uma imprensa mais ou menos generalista que se lhe referia de uma forma quase sempre superficial – «a existencialista», «a defensora do amor livre», «a companheira de Sartre» – e que já então oscilava entre o reconhecimento do seu papel pioneiro no campo do feminismo e a revelação de um feitio difícil. Associado, talvez demasiado livremente, à relação complicada que mantinha com o filósofo. Aquele penteado antiquado com o qual aparecia em todas as fotografias, o raríssimo sorriso, o ar reservado ou colérico, reforçavam ainda uma silhueta que parecia muito distante. Bem mais distante que Paris e o quartel-general de Saint-Germain-des-Prés.

    A outra Simone, anunciadora, ainda nos anos 40, de um feminismo «de segunda vaga», só a encontrei anos depois, ao procurar pôr em dia as leituras das quais falavam as pessoas da geração imediatamente anterior à minha. Mas rapidamente percebi que a frase-epítome do Segundo Sexo (1949) – «não nascemos mulheres, tornamo-nos mulheres» – tinha entretanto sido apropriada por uma esquerda que procurava conciliar a «emancipação da mulher» com a emancipação mais geral do proletariado, rumo a uma sociedade-outra na qual, então sim, fosse possível construir uma efectiva situação de «igualdade» (ou, mais exactamente, de paridade). Até lá, pois, a tarefa fundamental seria o derrube da ordem estabelecida, jogando com as «capacidades objectivas e subjectivas» existentes na sociedade a fazer tombar, as quais admitiam uma situação de efectiva diferença ao nível dos papéis sociais.

    Esta interpretação, associada no caso português à persistente secundarização que o salazarismo impôs à mulher, fazendo recuar o seu lugar social a um nível de subalternidade anterior ao verificado durante a Primeira República, tornou inevitável a sua depreciação prática, tão atávica quanto assumida, na própria lógica de organização das diversas facções da oposição de matriz marxista. Isto apesar da introdução gradual, ao longo da década de 1960 e nos ambientes estudantis universitários e urbanos, de uma situação mais «permissiva». Independentemente do reconhecimento teórico da importância do seu papel – que os sectores conservadores recusavam liminarmente –, na prática as mulheres da esquerda foram quase sempre mantidas, de acordo com um modelo que só nos anos 90 começou a recuar de forma visível, num lugar de segundo plano, enquanto retaguarda da luta pela mudança na qual deveriam trabalhar os seus homens.

    Tantos anos depois, essa é ainda uma marca patente no conservadorismo moral de muitas das mulheres associadas ao referido quadrante político e cultural, e também uma das causas da sua quase-ausência nos rostos visíveis e com protagonismo da geração agora no poder. A verdade é que, em Portugal, a «segunda vaga» do feminismo, beauvoiriana, quase não existiu, para além de algumas manifestações mais ou menos folclóricas e de experiências pessoais isoladas, muitas vezes de «estrangeiradas». E a «terceira», propondo uma mais eficaz desconstrução das diferenças, apenas agora – globalização oblige – começa a fazer-se sentir. Mas antes tarde que nunca.

      Atualidade, História, Memória

      STASI minds

      Os resultados de um inquérito realizado pela Universidade Livre de Berlim, tendo como universo de respondentes cerca de 5.000 alunos alemães com idades compreendidas entre os 15 e os 17 anos moradores na Renânia do Norte-Vestefália, na Baviera, em Berlim e no Brandeburgo, foram encarados pelo Le Monde com bastante alarme. O diário francês considerou-os inquietantes e um claro sinal das graves lacunas na informação sobre a história recente do seu próprio país que muitos desses jovens possuem.

      Perto de 37 por cento deles, por exemplo, considerou que a STASI, o eficientíssimo órgão de segurança e de contra-informação do Estado da ex-RDA – que se autodesignava como «Escudo e Espada do Partido» e integrava milhões de agentes e informadores –, era «um serviço de informações como outro qualquer». 54,4 por cento dos inquiridos não tinha conhecimento do ano de construção do Muro de Berlim nem sabia que este foi erguido por iniciativa do governo comunista alemão. E 40 por cento entendia que o regime democrático no qual actualmente vive não é melhor que a anterior ditadura comunista, valorizando alguns factores de segurança no emprego que esta parecia assegurar.

      O singular é que um artigo não-assinado do Avante! («O sonho do socialismo») põe de lado as inquietações do Le Monde e não disfarça a felicidade e o contentamento pela desculpabilização do antigo regime leste-alemão que parece revelar a débil memória histórica dos jovens inquiridos. Fala rancorosamente, e com uma dose notável de ignorância e parcialidade, sobre «a verdadeira história do muro de Berlim e as pesadas responsabilidades das três potências administrativas ocidentais, que impuseram a divisão da Alemanha no pós-guerra contra a vontade da União Soviética»(*), e aponta alegremente para o facto de 32 por cento dos inquiridos não se importarem de regressar a um sistema no qual fosse possível recuperarem as «vantagens daquela sociedade», aceitando «restringir as suas liberdades individuais» para o conseguirem. As frases transcritas em itálico são do Avante!.

      (*) Disponível nas livrarias uma investigação sólida escrita num registo invulgar: O Muro de Berlim. 13 de Agosto de 1961 – 9 de Novembro de 1989, de Frederick Taylor (Tinta da China).

        Atualidade, Memória

        Exultate, jubilate

        Tive hoje a oportunidade de presenciar dois fedayin proibicionistas a entrarem lampeiros e coruscantes num restaurante sem espaço para fumadores. Li-lhes nos olhos e bebi-lhes das palavras a alegria e o arrebatamento dos iluminados. E tremi.

          Atualidade, Devaneios

          Agrião obrigatório

          O meu último post de 2007 era previsível e contém, digamos, uma espécie de declaração de derrota.

          Desde que o proibicionismo antitabagista se preparou para substituir as campanhas contra os malefícios do tabaco, insisti na ligação entre o gozo de fumar e práticas culturais tão válidas quanto o são aquelas que associamos ao consumo do álcool e do café. Serão males que, para muitas pessoas, se foram traduzindo num bem maior: o acesso a um padrão de vida que têm todo o direito de escolher. Em seu nome – e apesar de quase não fumar ou consumir bebidas alcoólicas – fui tomando aqui e ali a defesa de uma política equilibrada, capaz de combinar os interesses de todas as partes.

          Em vão, pois no final ganhou uma delas. Aquela que foi capaz de associar uma maioria de políticos e legisladores profissionais – que procuram mostrar um «ar de modernidade» empurrando, hipocritamente, concidadãos para um gueto – à minoria de fanáticos e exaltados que entende ser a sua maneira de viver a única irrepreensível e aquela que merece todos os direitos de cidadania.

          Por isso deixarei praticamente de fumar, uma vez que apenas o fazia em sociedade e não aceito passar a ser tratado a partir de agora como um pária. Confinado a expelir baforadas furtivas em pátios e portarias, exposto à chuva, ao vento e ao opróbrio dos higienistas triunfantes. Mas vou vingar-me nas carnes verdes, pois a minha esperança de vida ainda integra a possibilidade de me ver um dia reduzido ao consumo obrigatório do agrião, do nabo e da cenoura. Não posso perder tempo.

            Atualidade, Opinião

            Cumplicidades

            Diversos têm sido os blogues que têm apontado A Terceira Noite como um dos seus apeadeiros favoritos no ano que agora acaba. Como não se trata de mais uma votação sem critério visível, mas sim da expressão subjectiva do genuíno interesse de quem declara a escolha, agrada-me a empatia que ela revela.

            Esta aproximação leva-me a discordar em pelo menos um ponto do artigo «A cultura do blogue nacional», que José Pacheco Pereira fez sair no Público e agora divulga, ligeiramente ampliado, no seu Abrupto. No todo, ele parece-me um retrato transparente – embora apenas um retrato – deste território de partilha. Parece-me excessiva, porém, a crítica da rede das cumplicidades criadas entre esses «viveiros de elogios mútuos e de complacência» que considera dominarem a blogosfera portuguesa. Não que me agrade o «amiguismo» da citação, o constante cruzamento de hiperligações e referências em circuito fechado, o fechamento a quem se situe fora da mesma área política, o elogio da semelhança e a recusa liminar da diferença. São males reais, que diminuem a independência e o próprio impacto dos numerosos blogues que os praticam. Mas um dos aspectos que me parece mais característico deste espaço de comunicação é também a capacidade que este revela para gerar empatias e aproximações, concretizáveis ou não de uma forma física – o que aqui nem sequer é essencial – e criadoras de áreas de sociabilidade tão tonificantes e legítimas quanto o são aquelas que construímos, a partir do papel, em volta do jornal ou do cronista que nos agrada e escolhemos ler.

            É esta forma de solidariedade que me parece existir na enunciação de cumplicidades da qual A Terceira Noite tem sido objecto. E é por isso que ela me agrada. Obrigado pois pela preferência.

              Atualidade, Cibercultura

              Déjà vu

              O último e mais substancial daqueles que, no Syllabus da encíclica Quanta Cura (1864), o papa Pio IX considerou serem os oitenta «principais erros» do seu tempo, consistia em aceitar que «o Pontífice Romano tem de se reconciliar e acordar com o progresso, o liberalismo e a civilização moderna». Condenava-se ali, sem contemplações, aquilo que na altura era associado à chamada «heresia do americanismo»: a defesa da liberdade de religião e da liberdade de pensamento, bem como o reconhecimento da separação da Igreja do Estado. Lê-se o relato da manifestação que decorreu hoje em Espanha, organizada pelo Arcebispado de Madrid, com perto de um milhão de pessoas a gritarem na rua «por la familia cristiana» e «contra el laicismo radical», e sobrevém uma enjoativa sensação de déjà vu. Mas também de receio e incerteza.

                Atualidade, História

                Prémio Pessoa

                Ainda que com atraso, não posso deixar de referir a merecida atribuição do Prémio Pessoa 2007 à historiadora Irene Flunser Pimentel. Para além desta distinção chamar a atenção de um público alargado para releituras não-assépticas de alguns temas da história portuguesa recente (as organizações femininas no Estado Novo, os judeus em Portugal durante a Segunda Guerra Mundial, a PIDE e a censura, a propaganda da Mocidade Portuguesa Feminina, e, ao que se anuncia, também a vida de José Afonso), ela valoriza igualmente a requalificação da História como instrumento da cidadania. Permitindo ver de que forma se podem conjugar método e rigor com esse «dever de memória» que constitui, afinal, desde pelo menos Heródoto, a essência da própria actividade historiográfica. E mostrando como, neste campo, é possível – e também urgente – escrever ao mesmo tempo para dentro e para fora da academia. Sem que essa escolha implique necessariamente uma simplificação do discurso ou um abrandamento do seu grau de fundamentação. Os meus parabéns a Irene Pimentel.

                  Atualidade, História, Memória

                  Os melhores

                  Desconfio sempre de toda a iniciativa que procure dizer-me quais são «os melhores» nisto ou naquilo. Sejam eles restaurantes, vinhos, livros, perfumes, futebolistas ou mesmo… blogues. Nada tenho contra os prémios – nunca pensei devolver os poucos que ganhei – e parece-me bem que se premeiem publicamente qualidades ou capacidades. Mas referir «os melhores» sem explicar o porquê da designação parece-me uma forma de contornar o carácter relativo que comporta sempre um qualificativo dessa natureza. E a situação piora quando um suposto critério de qualidade («o melhor») é determinado por um factor essencialmente quantitativo: o maior número de votos obtidos numa votação assente em critérios vagos e subjectivos de gosto ou simpatia (para além de não imune, por vezes, a uma «chapelada» garantida por amigos, companheiros e clientes). Como dizer que só porque ganhou as últimas eleições legislativas José Sócrates é «o melhor político português». Ou porque vendeu não sei quantas centenas de milhares de exemplares de cada um dos seus livros José Rodrigues dos Santos é «o melhor escritor lusitano». Ou porque Salazar foi votado «o maior português de sempre» tenha sido de facto «o maior». Absurdo, não é?

                  Parece-me por isso de uma grande lucidez o comentário à sua própria vitória feito pelo autor do Bitaites, vencedor absoluto da interessante e repercutente iniciativa O Melhor Blog Português de 2007. Parabéns, dos sinceros, pela pedagógica honestidade. E pelo prémio também, naturalmente.

                    Atualidade, Cibercultura, Etc.

                    O aquário azul

                    No grande ecrã de plasma da superfície comercial, o cenário era azul, as luzes azuis, os rostos azulados pela refracção. A voz azul era a do fado pirotécnico de Dulce Pontes. Os fatos pareciam também eles azuis, embora o efeito luminoso pudesse contribuir para matizar o cinza-escuro. Enquanto os líderes europeus assinavam o Tratado Reformador da União, os liderados circulavam distraídos, alheios às imagens da refundação de uma Europa sem chama. Em tonalidades apagadas de um azul de aquário.

                      Atualidade, Olhares

                      Of course, Mr. Mugabe

                      Como seria de esperar, a defesa de Mugabe diante das suaves críticas sobre a situação dos direitos humanos no seu país que teve de ouvir durante a cimeira UE-África centrou-se na recordação do papel histórico das antigas lutas de libertação do jugo colonial – parece que elas justificam a longa licença sabática da democracia em África – e na «arrogância» ou no «complexo de superioridade» dos governantes europeus brancos que fizeram essas críticas. Aguarda-se que os defensores locais das atrocidades consideradas «compreensíveis», ou mesmo «justificáveis» (ainda que eventualmente «lamentáveis»), em nome da emancipação de um sempre luciferino «Norte» e dos direitos perpetuamente legítimos do «Outro» – seja ele qual for, desde que seja de facto «Outro» –, façam agora ouvir a habitual lengalenga.

                        Atualidade

                        O Irmão Líder e os kamikazes

                        Posso andar distraído, mas não tenho encontrado comentários sobre os inenarráveis anúncios pagos que o presidente líbio tem feito publicar em jornais portugueses. Anúncios de página inteira, nos quais surgem frases – obviamente imunes ao livro de estilos – como «a análise intelectual é o código dos acontecimentos…» (as reticências fazem parte), «Kadhafy fala todas as portas são válidas para o conhecimento», «o perigo das armas metralhadoras contra os seres humanos baseia-se no uso exagerado na morte colectiva» ou «pela piedade há necessidade de apoiar o meu apelo para anular as armas metralhadoras exceptuando outras armas convencionais», entre muitas outras de idêntico recorte literário. Remetendo todo este arrazoado para a consulta do site www.algathafi.org, da suposta responsabilidade do «irmão líder» que foi recebido ontem aos gritos de «viva a revolução popular!». O mesmo que deu hoje, pasmem-se a orbe e as gentes, um seminário organizado pelo Centro de História da Universidade de Lisboa e subordinado ao tema Problemas da Sociedade Contemporânea, onde recordou sabiamente que «meia dúzia de pessoas decidem o futuro do mundo e depois uns reagem com palavras, outros com explosivos e outros com kamikazes». Para memória futura rezam as crónicas que foi «largamente aplaudido à chegada e à saída».

                          Atualidade

                          Um bombom para o tirano

                          Quando, a propósito da vinda de Robert Mugabe à Cimeira União Europeia-África, o Secretário de Estado dos Assuntos Europeus afirma que «confontar tiranos é melhor do que não falar com eles», parece esquecer lições da História que, de tão fundamentais que são, nem será necessário evocá-las. Numa tirada propositadamente ambígua, típica do nosso melhor «diplomatês», pretende fazer-nos acreditar que uma palavrinha meiga pode sempre abrandar o déspota e levá-lo a mudar de atitude. A chamá-lo à razão. Mas será conveniente esperarmos sentados pelos resultados da benévola iniciativa. Já o povo do Zimbabwe, esse, segundo relatam as agências noticiosas, precisa mexer-se todos os dias para sobreviver à crise económica e às arbitrariedades do seu governo.

                            Atualidade

                            Abuso

                            Admito sem problemas que Sócrates receba o fanfarrão Hugo Chávez e lhe dê uma palmada nas costas. Afinal temos muitos compatriotas amedrontados na Venezuela e o gás natural que tem chegado da Nigéria poderá não ser da melhor qualidade. Já me parece patético, e também algo abusivo, que cerca de duas centenas de portugueses ligados principalmente à União de Resistentes Antifascistas Portugueses, à Associação de Amizade Portugal-Cuba, a um certo Comité de Solidariedade com a Venezuela, a alguns sectores da CGTP e por supuesto ao PCP, dêem as boas-vindas ao «revolucionário bolivariano» com palmas, vivas e, imagine-se, canções de José Afonso.

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                              La mala educación

                              Creio que a melhor e mais curta sinopse do desaguisado público ocorrido em Santiago do Chile, durante a 17ª Cimeira Ibero-Americana, entre a la majestad arrogante de Don Juan Carlos Alfonso Víctor María de Borbón y Borbón-Dos Sicilias e el compañero parlapatão Señor Hugo Rafael Chávez Frías, foi feita feita pelo Lutz Brückelmann no Quase em Português: «um tipo a responder mal-educado a um tipo mal-educado». Se chamar mal-educado ao coronel, cantor e putativo presidente vitalício corresponde apenas a uma constatação, fazê-lo em relação a um Bourbon de múltiplos e recuados costados, e ademais casado com uma Sophía Margaríta Viktoría Frideríki Glíxbourgk, ou Glucksburgo, da Grécia e Dinamarca, não é para todos.

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                                E-Dazibao

                                Logo a seguir aos Estados Unidos, a China é o 2º Estado do mundo com um maior número de utilizadores da Internet (90,7 milhões no final de 2006). Ao mesmo tempo que florescem blogues e BBS (os nossos velhos electronic bulletin boards), toda a rede é alvo de uma apertada vigilância política. Este sistema pode dar algumas ideias aos poderes que noutras partes do mundo pretendem limitar o acesso inteiramente livre à rede, mas, de acordo com alguns sinólogos ocidentais mais optimistas, a explosão dos acessos poderá também alimentar um rastilho capaz de estimular a mudança dentro da sociedade chinesa e do próprio regime. Um pouco como ocorreu, na antiga União Soviética, com a informação paralela proporcionada pela imprensa samizdat. Sobre este assunto pode ler-se, no Eurozine, um excelente artigo do checo Martin Hala.

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