Arquivo de Categorias: Atualidade

Peregrinação

Não queria acreditar nas informações que me tinham chegado, pensei que fosse uma brincadeira de gosto sofrível, mas acabo de confirmar em directo através da Rádio Marca: os embaixadores de Portugal e do Vaticano estão ambos no estádio madrileno de Santiago Bernabéu, o primeiro de impecável gravata azul e o segundo de alvíssimo cabeção, para receberem Cristiano Ronaldo. São insondáveis os destinos da Pátria e os caminhos do Senhor.

    Atualidade, Devaneios

    Tegucigalpa-Caracas-Havana e volta

    Honduras

    Sigo em directo imagens da repressão do exército hondurenho sobre os manifestantes que pretendem receber no aeroporto de Tegucigalpa o presidente eleito, Manuel Zelaya, de regresso ao país depois de há uma semana atrás ter sido derrubado por um golpe de Estado. De repente, voltam a nossas casas imagens de aberta violência militar sobre populações desarmadas, que não víamos na América latina desde os anos 80. Acompanho pela Internet uma transmissão da TeleSur, a rede de televisão multi-estatal latino-americana com sede na Venezuela, que destaca a coragem dos manifestantes e a legitimidade democrática de Zelaya. Mas sigo também a Cubavisión, que a partir de Havana noticia e comenta há longas horas aquilo que se está a passar, recorrendo a «analistas políticos» que não referiram uma única vez o facto de o presidente deposto pelos golpistas ter sido referendado em eleições democráticas. A registar.

      Atualidade, Olhares

      WW e o 4 de Julho

      Walt Whitman

      Mesmo à medida das mentes acossadas da casta dirigente da Coreia do Norte, a escolha deste 4 de Julho para lançar mais sete mísseis balísticos sobre o Mar do Japão. Aliás, já em 2006 haviam feito a mesma coisa. O aniversário da Declaração de Independência dos Estados Unidos América – documento fundador do mundo contemporâneo que em 1776 preludiou a Revolução Francesa e questionou o domínio colonial dos europeus – pareceu-lhes uma óptima data para demonstrarem com fogo-de-artifício as saudades que têm da Guerra Fria. Só que no mesmíssimo dia, embora em 1855, Walt Whitman publicou a primeira edição de Leaves of Grass, impressa na Rome Brothers. Bem vistas as coisas, talvez esta data possa não agastar menos os norte-coreanos. E também os seus comparsas de outras latitudes.

      FOR YOU O DEMOCRACY

      Come, I will make the continent indissoluble,
      I will make the most splendid race the sun ever shone upon,
      I will make divine magnetic lands,
      With the love of comrades,
      With the life-long love of comrades.

      I will plant companionship thick as trees along all the rivers of America, and along the
      shores of the great lakes, and all over the prairies,
      I will make inseparable cities with their arms about each other’s necks,
      By the love of comrades,
      By the manly love of comrades.

      For you these from me, O Democracy, to serve you ma femme!
      For you, for you I am trilling these songs.

      Walt Whitman – Leaves of Grass

        Atualidade, Memória, Poesia

        Chapeau!

        Toreador

        Não é que considere um gesto aprumado e de fino recorte dialéctico o fragmento da simbologia taurina – associada frequentes vezes à codificação mediterrânica da honra e vergonha – que levou à demissão do ministro Manuel Pinho. Mas parece-me mais aceitável uma atitude repentista de sincera irritação, com razão ou sem ela – «por qué no te callas?» –, do que o espectáculo diário da hipocrisia do salamaleque.

          Apontamentos, Atualidade

          Despromoção

          Franco e Salazar

          Francisco Franco y Bahamonde, antigo «caudillo de España por la gracia de Dios», acaba de ser publicamente despojado, pelo Ayuntamiento de Madrid, dos títulos e mercês de alcaide honorífico, filho adoptivo, medalha de ouro e medalha de honra da cidade. Após, há algum tempo, a Universidade de Santiago de Compostela lhe ter invalidado, «por falta de méritos», o doutoramento honoris causa. Com muitas pessoas a favor e umas quantas contra. Por aqui, o ajuste de contas com o corpo físico e simbólico da ditadura tem sido tratado quase sempre de uma forma menos frontal. Abstraindo os pontuais assomos iconoclastas dos meses do PREC, a solução adoptada passou quase sempre pelo emudecimento dos apectos práticos do passado do regime, pela ligeireza das atitudes incriminatórias, pelo elidir da dimensão do mal, pelo arejamento das responsabilidades dos seus protagonistas. Daí à presente esteticização do ditador local, do tempo que ensombrou e dos valores que soube impor, foi um passo apenas.

            Atualidade, História, Memória

            O regresso de Costa

            Afonso Costa

            Cerca de cem anos depois, a figura, a acção e o pensamento (se assim lhe podemos chamar) de Afonso Costa (1871-1937) – com Salazar, Cunhal e Soares, um dos quatro grandes políticos que protagonizaram o nosso século XX – continuam a levantar poeira e alguns engulhos. Na recém-publicada colectânea Portugal – Ensaios de História e de Política, Vasco Pulido Valente dá-nos um texto verrinoso, polémico, mas ao mesmo tempo bastante estimulante, sobre o prócere do nosso jacobinismo tardio. Num post titulado «Psicografia do Dr. Afonso Costa», agora é a vez de Nuno Resende pegar num velho artigo de Carlos Malheiro Dias e retomar a retórica anticostista, desenvolvida durante décadas por católicos ressentidos, monárquicos levemente coléricos e salazaristas da primeira geração. É capaz de merecer a pena, quando se aproxima o inevitável fragor associado ao centenário da República, que às comemorações oficiais e oficiosas possa também ficar ligada alguma controvérsia. Será bem mais útil e interessante.

              Atualidade, História, Memória

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              Avante!

              Seguindo o rastro deixado num post de Daniel Oliveira e noutro de José Simões, lá fui em romaria ao tal artigo do «Avante!» que dá a volta ao mundo para tentar não falar do Irão.

              Adenda: No Público de hoje, António Vilarigues escreve sobre irregularidades eleitorais em Portugal. Após adiantar alguns dados, conclui: «curiosamente, sobre estes acontecimentos nada li, nada ouvi, nada vi na comunicação social.» Um texto «oportuno», sem dúvida. Para bom entendedor…

                Atualidade, Devaneios

                Arrependidos

                Arrependidos

                No judaísmo e no cristianismo, o arrependimento é um acto central da virtude religiosa que consiste num sentimento de rejeição sincera, por parte do pecador, do seu comportamento pregresso, do qual resulta a intenção de um retorno à lei moral. Nesta direcção, o arrependido é um penitente, existindo uma relação de sinonímia entre ambas as palavras, ademais com raiz etimológica partilhada. «Repentudo» era ainda, no século XIII, uma palavra comum, híbrida, utilizada no português com idêntico sentido. As vidas dos santos encontram-se, aliás, repletas de relatos desse instante redentor no qual se abjura de um passado de transgressão em nome de um caminho novo, de rectidão e pena. Existem, no entanto, modelos distintos de arrependimento: desde aquele, sincero, que resulta de uma apreensão gradual da falta de justeza de uma atitude que é seguida da sua correcção, a um outro, meramente formal, que se segue à imposição, muitas das vezes condicionada pelo medo ou pela coacção, de uma atitude que não é sentida.

                Os sistemas totalitários, consolidados por uma ideologia, de pendor laico ou não, que se vê transformada em «religião do poder», serviram-se sempre do arrependimento como processo para moldar a opinião pública ou isolar a dissidência. Foram diversos os intelectuais alemães que cumpriram o papel de arrependidos, o mesmo acontecendo em França durante a República de Vichy. Os Processos de Moscovo recorreram mesmo às declarações dos «arrependidos» como arma de arremesso lançada contra outras vítimas, transformando as suas palavras em libelos da acusação destinados a esmagar os «inimigos do socialismo». Na China pudemos ver, durante a Revolução Cultural, de que forma foi possível encenar, sem qualquer maquilhagem, o «arrependimento» público de um acusado, transformado publicamente num ser desprezável, cuja atitude de rejeição de si próprio visava confirmar a abjecção e a infâmia do próprio dissídio. De Cuba chegam ainda os ecos fantasmagóricos das declarações prestadas durante o julgamento do General Arnaldo Ochoa, o único guerrilheiro de origem proletária de Sierra Maestra, e depois das arengas avulsas, devidamente televisionadas, de outros penitentes. Por isso, não nos podem surpreender já – a nós que temos, felizmente, a possibilidade de consultar arquivos, de confrontar memórias, e que por isso mais dificilmente nos deixamos enganar – as imagens daquela pobre mulher iraniana, sentada ontem em frente das câmaras, afirmando para todo o mundo, penitente, que «os culpados somos nós, os manifestantes».

                  Atualidade, Democracia, História

                  As causas da causa

                  A rua

                  Um dos bloggers que visito diariamente, com o qual numerosas vezes concordo (e quando discordo é geralmente no pormenor), é João Tunes. Referiu-se ele ontem, num post do seu imperdível Água Lisa, a uma frase que eu deixara aqui a propósito dos círculos internos a quem o antiamericanismo primário conduz frequentes vezes a posições bastante criticáveis ou a claros erros políticos. No que respeita à situação no Irão, aprecio a viragem de 180 graus na posição dos comunistas portugueses – que não eram, aliás, os únicos aos quais me referia –, bem como o facto de, após uma semana de enormes protestos de rua e do constante alargamento da sua visibilidade mundial, e provavelmente depois de uma criteriosa pesquisa científica, terem decidido falar sobre o assunto criticando as autoridades iranianas.

                    Apontamentos, Atualidade

                    Visionários

                    Passei hoje por um enorme outdoor da Juventude Socialista no qual ainda não tinha reparado. Nele surgiam destacadas três frases de campanha, mas como ia a conduzir apenas tive tempo de ler a última. Esta conclamava as multidões de jovens a lutarem decididamente «pelo direito ao TGV».  Uma meta política exaltante, acredito. Provavelmente, eu, adepto contumaz da velha Wells Fargo, é que não estarei a captar o alcance visionário da proposta, a centelha de rasgo que a gerou e transformou em bandeira.

                      Atualidade, Devaneios

                      Teerão também é aqui

                      Teerão

                      Nas eleições iranianas, juram os apoiantes de Moussavi e confirmam os observadores, ocorreu uma manipulação em larga escala dos votos e dos resultados destinada a assegurar a vitória de Ahmadinejad. A verdade é que, para além da luta eleitoral, se defrontam hoje no Irão dois modos incompatíveis de viver o Islão. Não dois ramos de uma mesma religião, mas duas formas de viver a vida da qual a religião é apenas uma parte. Uma que visa o unânime, a tirania do livro único, para a qual a modernidade, os direitos humanos ou a evidência social das mulheres constituem uma criação demoníaca que é preciso esmagar. A outra que é capaz de partilhar uma experiência humana contraditória e plural, mais próxima de uma ancestral cultura islâmica de liberdade que nos últimos tempos tem sido esquecida. Duas formas de estar no mundo que correspondem a dois modos de vida: o pulsar de um universo peculiar mas integrador de uma tradição partilhada, global, jovem, aberta à diferença, contra o ritmo cadenciado do ódio cego, da escalada da violência, do obscurantismo e da recusa da interacção com o diferente. Os que aceitam falar contra aqueles que escolhem obedecer. Não ter posição neste confronto, fazer de conta que não é connosco, ou, pior, tomar partido por Ahmadinejad só porque este se arvora em paladino do anti-americanismo, apenas revela cegueira e menosprezo pelos princípios básicos de uma ética democrática.

                      Adenda: Ontem mesmo a nossa «televisão de serviço público» falou da situação no Irão durante 30 segundos no preciso momento em que a BBC News passava imagens em directo dos confrontos em Teerão. Após uma reportagem de cerca de 18 minutos sobre as andanças mundanas daquele rapaz madeirense que joga à bola.

                        Atualidade, Opinião

                        Um filme que já vimos

                        Sentido de voto

                        As eleições europeias são, numa certa medida, as mais importantes de todas. Não decidem quem nos vai governar a casa ou quem guardará durante quatro anos a chave da junta, mas como nelas o «voto útil» tem reduzido peso, expressam de forma mais completa que as legislativas ou as autárquicas a vontade de muitas pessoas comuns. Além disso, uma grande parte dos sectores mais despolitizados, que decidem muitos dos resultados, nesta altura deixa-se ficar em casa a ver a TVI, ou vai dar milho aos pombos e fazer o circuito dos centros comerciais. Sobressai então, um pouco mais, a opinião daqueles que a têm. Mesmo quando ela se traduz em votos dispersos, deixados em branco ou anulados com um risco de alto a baixo.

                        Isto confirma o absurdo das interpretações de sectores próximos da direcção actual do PS, que, em estado pós-traumático, se centram agora na vertigem da bipolarização e insistem na ideia peregrina segundo a qual escolher opções «menores», ou que jamais serão governo, é «fazer o jogo da direita». Essas pessoas sabem muito bem que, se não ocorrer um cataclismo social neste momento imprevisível, tanto o Bloco de Esquerda como o Partido Comunista atingiram o maior score possível, e, em conjunto, jamais superarão os 25 ou 26 por cento dos votos, servindo-se desta previsão para minimizarem a escolha do grande número de pessoas que votou nesses partidos sem necessariamente se reverem neles e reconhecendo aquilo que os separa. Mas isso significa reduzir a democracia a uma espécie de teste americano com duas opções, sendo a «esquerda» da qual falam aquela que sabemos: uma área de gestão realista, desvitalizada e soporífera, filha unigénita da decrépita «terceira via», que reduz a política ao circo mediático, à genica pré-formatada das jotas e à capacidade de desempenho dos comissários políticos. De «esquerda», de «esquerda», sobra então um passado legitimador, a cor da bandeira, o «punhinho fechado», e umas quantas frases ocasionais usadas em campanha.

                        Muito pelo contrário, se o alargamento do espectro político pode implicar dificuldades futuras – leia-se, dificuldades em produzir e manter maiorias absolutas – enriquece também a diversidade democrática e contribui para o empenho na coisa pública de um maior número de pessoas. As dificuldades resolvem-se com aproximações, com acordos, com verdadeiro debate, com algumas cedências de todos, e não com a constante submissão a uma força hegemónica mais bem colocada para ser poder ad infinitum e impor, sem dar ouvidos aos outros, as leis que bem lhe apetecer rabiscar. Afinal, um filme que já vimos. Um filme mau, por sinal.

                          Atualidade, Opinião

                          A leste e ainda mais a leste

                          Berlim-Leste

                          Da responsabilidade de Jean-François Soulet, um especialista em história comparada do mundo comunista, a História da Europa de Leste da Segunda Guerra Mundial aos nossos dias desenha uma síntese do trajecto da metade oriental do «velho continente» desde a invasão da Polónia pelos nazis até à adesão dos países de toda a região à União Europeia. Divide-se em três partes repartidas numa sequência temporal: na primeira delas, «a passagem ao comunismo», o autor ocupa-se principalmente da estratégia da União Soviética para aqueles territórios durante e imediatamente após a Segunda Guerra Mundial; na segunda, «o tempo do comunismo», descreve o processo de «sovietização» de toda a região, posto em prática com o apoio dos partidos comunistas locais, mas também alguns dos movimentos de revolta e dos actos de dissidência que contestaram essa influência; na terceira parte, «a derrocada do comunismo», parte da avalancha de contestação e queda, pós-1989, dos regimes ali implantados, para seguir os processos de democratização dos diferentes Estados, mas refere-se também aos demónios acordados pelo recuo da influência ideológica comunista e às situações, por vezes críticas e trágicas, entretanto vividas. Como escreveu João Tunes no blogue Água Lisa, «ler este livro completa-nos enquanto europeus», como cidadãos «de uma Europa feita de muitos povos, muitos dramas e traumas.» É uma boa síntese, que disfarça uma quase escandalosa lacuna temática na edição local de obras sobre a nossa história recente. [Trad. de Manuel Ruas. Teorema, 382 págs.]

                            Atualidade, História

                            Euna e Laura

                            Euna e Laura

                            Por «actos hostis» e «actividades não-identificadas» – basicamente por estarem a trabalhar, após terem entrado ilegalmente no território controlado pelos empregados do «Querido Líder», sobre a vaga de fugas de norte-coreanos desesperados para a China – duas jovens jornalistas norte-americanas foram condenadas a nada menos que 12 anos de trabalhos forçados. Uma «medida disuasora», como bem assinalam os Repórteres Sem Fronteiras. É importante que não sejam esquecidas pela opinião pública internacional. E que nos lembremos delas sempre que tivermos de avaliar os consignatários locais da ditadura paranóide de Pyongyang.

                              Atualidade, Democracia

                              Esse composto de mudança

                              Banda Larga

                              Em Castanheira do Vouga, no concelho de Águeda, o povo boicotou as eleições durante mais de três horas porque a banda larga não chega à localidade. O presidente da Junta, justamente indignado com a discriminação, afirmou que a Internet é hoje «tão indispensáel como eram há anos o lápis e a borracha.» As reivindicações dos povos já nada têm a ver com o ódio às máquinas manifestado no ímpeto destruidor dos antigos operários ludistas. Será, pois, bom para o PS que as baterias dos Magalhães durem até Outubro com razoável autonomia.

                                Atualidade, Cibercultura

                                Eleições no eucaliptal

                                No eucaliptal

                                Sou um dos muitos cidadãos, provavelmente alguns milhares, que por ter obtido recentemente o Cartão do Cidadão viu o seu habitual local de voto alterado. Hoje, dentro da cidade de Coimbra e seu termo, só à quarta vez e no quarto sítio consegui meter a cartolina no pote. Andei quase 50 quilómetros dentro da cidade, perdi-me duas vezes, fiz inversão de marcha em becos, conduzi em sentido proibido, apanhei uma chuvada, falei com um polícia, um enfermeiro e um cidadão com aspecto (e comportamento) de demente que foi o único a orientar-me em condições. A nova mesa de voto, descobri ao fim de horas, fica no meio de nada, num pavilhão pré-fabricado e entre eucaliptos e urzes, já quase fora da cidade. Isto quando aquela até agora habitual está a 100 metros de minha casa. Suspeito que também por aqui a abstenção marcará pontos. Uma pessoa que eu cá sei fica a dever-me esta.

                                  Atualidade, Devaneios

                                  Eles, elas e os livros

                                  O ovo estrelado

                                  A poucas horas de fechar a campanha eleitoral para as eleições europeias, vale a pena conferir as respostas dos cabeças de lista dos principais partidos ao pedido feito pela revista LER para que indicassem os «dez livros obrigatórios» que irão levar para Bruxelas. Como seria de esperar, as respostas dizem muito sobre as pessoas, a sua dimensão cultural e a amplitude da sua abertura política. Sublinho as respostas de Vital Moreira e de Ilda Figueiredo, discrepantes mas produtos de uma mesma artesania que não brinca em serviço.

                                  Vital Moreira (PS): Cinco monografias sobre a integração europeia e cinco sobre o Parlamento Europeu.

                                  Paulo Rangel (PSD): Memórias de Adriano (Marguerite Yourcenar), A Castro (António Ferreira), Peregrinação Interior (António Alçada Baptista), O Processo (Franz Kafka), Jóia de Família (Agustina Bessa-Luís), A Imortalidade (Milan Kundera), Júlio César (William Shakespeare), A Montanha Mágica (Thomas Mann), Mensagem (Fernando Pessoa), De profundis, Valsa Lenta (José Cardoso Pires).

                                  Ilda Figueiredo (CDU): Constituição da República Portuguesa, Outro Rumo: Nova Política ao Serviço do Povo e do País, A Arte e os Artistas do Vale do Côa (Luís Luís), O Livro Negro do Capitalismo, A Globalização da Pobreza e a Nova Ordem Internacional (M. Chossudovsky), Materialismo e subjectividade – Estudos em torno de Marx (José Barata Moura), Obras Escolhidas (Álvaro Cunhal), Subsídios para a História das Lutas e Movimentos das Mulheres em Portugal sob o Regime Fascista, O Caminho das Aves (José Casanova), A Viagem do elefante (José Saramago), A Terceira Mão (Manuel Gusmão), Triunfo do Amor Português (Mário Cláudio), Alentejo (Eugénio de Andrade).

                                  Nuno Melo (CDS): Dicionário da Língua Portuguesa, A Espuma do Tempo (Adriano Moreira), O Império Maríimo Português (Charles Boxer), Actas das Sessões Secretas da Câmara dos Deputados e do Senado da República sobre a Participação de Portugal na I Grande Guerra (Ana Mira), O Doutor Arrowsmith (Sinclair Lewis), Amor nos Tempos de Cólera (Gabriel García Márquez), A Primeira Guerra Mundial (Martin Gilbert), Para Além do Capricórnio (Peter Trickett), Trafalgar (Roy Adkins), Estratégia, o Grande Debate (Sun Tzu/Clausewitz).

                                  Miguel Portas (BE): Odisseia (Homero), Bíblia, O Rei Lear (Shakespeare), Memorial do Convento (José Saramago), As Benevolentes (Jonathan Littel), Breviário Mediterrânico (Predrag Matvejevitch), As «Quatro Eras» (A Era das Revoluções, A Era do Capital, A era dos Impérios, A era dos Extremos, de Eric Hobsbawm), Le Proche Orient Éclaté (Gerorges Corm), Comment le peuple juif fut inventé (Shlomo Sand), The superclass: the global power elite and the world they are making (David Rothkopf).

                                  Gostaria muito de conhecer as escolhas da segunda linha de cada um dos partidos, mas ficará para outra oportunidade.

                                    Atualidade, Olhares