Uma dupla questão de moral

Poderia abordar este assunto de outra forma, mas dada a polémica na qual acabei por me ver envolvido, terá de ser assim. No dia 3 de Março, na sequência das notícias sobre o convite feito a Pedro Passos Coelho pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP), da Universidade de Lisboa, no sentido de o ex-primeiro-ministro passar a ensinar ali como professor catedrático convidado, deixei no meu mural do Facebook uma curta nota. Transcrevo-a na íntegra:
«Nada tenho contra a possibilidade de um ex-governante lecionar numa universidade. Independentemente das suas escolhas políticas. Nada tenho contra o acesso especial à carreira universitária, inclusive em lugares do topo, a pessoas de reconhecido mérito, cuja experiência e obra, ainda que desenvolvidas noutros lugares que não a sala de aula, possam acrescentar algo em termos de conhecimento ou de real prestígio para a escola. Ora é aqui que bate ponto no caso agora em apreço: sem formação, mérito ou reconhecimento não faz sentido, a não ser por nepotismo, o convite dirigido pelo ISCSP a Passos Coelho. É uma desonra para uma escola pública, e uma afronta para quem, no sistema universitário, tanto dá ao longo da vida subindo custosamente a pulso, ou nem sequer o consegue fazer devido ao rigoroso limite de vagas.» (mais…)
