Arquivo de Categorias: Opinião

O sentido do tempo e a lição de Abril

O filósofo italiano Giorgio Agamben afirmou em entrevista recente: «A minha perspetiva do tempo histórico não pode deixar de ser descontínua. Nunca se sabe onde vai parar a ideia de um tempo contínuo. A antiguidade tomou-o como um círculo. O cristianismo, como uma linha. Por mim, prefiro a interrupção. O momento da liberdade de ação».  Quem possua uma visão dinâmica do percurso histórico – não me refiro à sequência à qual chamamos cronologia, mas ao movimento que percorre as sociedades – decerto aceitará este ponto de vista. Uma perspetiva que não reconhece o valor e a necessidade dos momentos de viragem, é imobilista e incapaz de explicar a torrente dos dias. No fundo, é essa a origem última do pensamento conservador. Seja qual for o quadrante político – existe também, é sempre bom lembrá-lo, um conservadorismo de esquerda – no qual este se inscreva. (mais…)

Democracia, Ensaio, Olhares, Opinião

Palavras em luta

Fotografia de Enrique Jardim
Fotografia de Enrique Jardim

A propósito do projeto de resolução do Bloco de Esquerda que visa sugerir uma designação mais inclusiva para o Cartão de Cidadão, tenho lido e escutado posições que me têm deixado estarrecido. Muitas chegam de pessoas de quem gosto, com quem partilho muitas opiniões, e que considero sensíveis, sensatas e inteligentes, mas que neste caso mostraram um lado intempestivo e desnecessariamente agreste que desconhecia, colocando-se até ao lado de gente de quem em regra se distanciam. Desde logo pelo tom agressivo e liminarmente depreciativo – porquê tanto fel e sarcasmo por uma matéria destas? –, mas também pela natureza meramente reativa e não racional de alguns dos argumentos e comentários utilizados. (mais…)

Apontamentos, Democracia, Olhares, Opinião

Os dias da ira

Observada do exterior, a situação no Brasil parece mais confusa e perigosa a cada minuto que passa. Mas para a generalidade dos brasileiros, seja qual for o campo político no qual se situem, sê-lo-á de um modo ainda mais intenso. Terão a triste vantagem de conviver há muito com a instabilidade política, a desigualdade social e uma corrupção endémica, mas a enorme desvantagem de sofrer na pele as suas imprevisíveis e nefastas consequências. Já para nós, acantonados no observatório razoavelmente protegido deste lado do Atlântico, é sempre menos difícil, pois sofremos as suas ondas de choque somente em diferido. Por isso se entende a forma como, do lado de lá, estes dias estão a ser vividos com as paixões à solta e as cabeças bem quentes. (mais…)

Atualidade, Democracia, Opinião

Ter graça ou ser engraçado

Fotografia de Egle Kisieliute
Fotografia de Egle Kisieliute

Mark Twain considerava o riso a arma humana mais poderosa. O filósofo Henri Bergson explicou o motivo dessa força: ele é um instrumento de socialização, naturalizando momentos e acontecimentos que de outro modo não saberíamos explicar. Bergson dava o exemplo do riso provocado pelo tropeção de alguém numa pedra: aquilo que nos leva a rir perante essa situação é a incapacidade humana para se desviar da pedra e o aspeto descomposto que o corpo toma no momento da queda, mas é o riso que nos permite aceitá-la. Por isso é sempre tão difícil esclarecer o motivo pelo qual rimos, pelo qual achamos graça a um gesto ou a uma frase. O riso, na verdade, substitui a explicação.

Existe, no entanto, um abismo separando o «ter graça» e o «ser engraçado». Conhecemos bem o sensato adágio português, transmitido de geração em geração sem alterar uma vírgula, que sublinha essa diferença entre as duas atitudes, enaltecendo a primeira como uma qualidade rara e positiva, e denegrindo a outra como um vulgar defeito. (mais…)

Devaneios, Olhares, Opinião

Uma memória dolorosa a revisitar

Museu da História do Gulag, Moscovo

Há alguns dias, a propósito do lançamento em Espanha dos diários da poeta russa Marina Tsvietáieva, Antonio Muñoz Molina escreveu o seguinte no suplemento literário do El País: «Dizia George Orwell que a grande cegueira da esquerda europeia nos anos trinta tinha sido querer ser antifascista sem ser antitotalitária: em termos mais claros, denunciava a Hitler, Mussolini e Franco [em Portugal, acrescento, também a Salazar], fechando os olhos aos crimes de (…) Estaline. Essa antiga cegueira continua sem se dissipar de todo: a diferença é que agora a ninguém falta a informação contrastada necessária para curar-se dela.»

Não sendo este um tema premente nas preocupações políticas da esquerda internacional, ou sequer da portuguesa, com toda a justeza e sentido mais preocupada com as prioridades do presente, estamos agora em bom tempo para olhá-lo sem temores e interditos. Como é sabido, varrer fantasmas para debaixo do tapete só os esconde temporariamente, e quando saímos das declarações diplomáticas das direções partidárias e viajamos até aos mitos e às crenças profundas de uma parte dos militantes – por vezes, até dos mais jovens, com escasso ou deturpado conhecimento da história – verificamos que eles continuam lá. (mais…)

Democracia, História, Memória, Opinião

A soberania e os antisoberanistas

Fabrizio Bensch/Reuters

Pelos finais da década de 1980, dava eu aulas de história política cujo programa dedicava cerca de um mês a anatomizar as origens e os progressos do conceito de soberania. Ainda não se viviam os tempos de simplificação impostos por Bolonha, as cadeiras eram anuais, e por isso tinha tempo suficiente para, por exemplo, dedicar uma aula inteira à vida e obra de alguém como Jean Bodin, ou Bodino (1530-1596), o pouco simpático jurista francês, conhecido também como «Procurador Geral do Diabo» devido à ferocidade com que se dedicou a justificar a perseguição de heréticos e de pobres mulheres acusadas de feitiçaria. É dele, no entanto, a clássica definição de soberania, tomada como a dimensão de poder que nada reconhece de superior na ordem externa nem de igual na ordem interna. (mais…)

Atualidade, Opinião

«E Agora, Esquerda?»

Intervenção na apresentação em Coimbra, em 29 de Janeiro de 2016, da coletânea de intervenções «E Agora, Esquerda?», de Porfírio Silva (ed. Âncora)

«E Agora, Esquerda?» é o título, em forma de questão, que Porfírio Silva nos propõe. Levanta muitos e diversos problemas, mas como seria impossível tratá-los a todos aqui, fiz algumas escolhas. Destaco seis tópicos, que enuncio sob a forma de perguntas de retórica.

Primeira pergunta: «Falamos de Esquerda ou de Esquerdas?»

É uma velha e complexa questão para a qual não vou esboçar uma resposta. Mas gostava de rebater um mito a seu respeito construído em Portugal. Tende muitas vezes a apontar-se os acontecimentos do chamado «biénio revolucionário» de 1974-1976 como fase decisiva para estabelecer uma tripla e quase intransponível clivagem, separando o Partido Socialista, o Partido Comunista Português e a chamada «extrema-esquerda», ou, como hoje usa dizer-se, «a esquerda da esquerda». Quase todos os livros de história sobre o período, bem como a memória daqueles que o viveram, tendem a confirmar essa ideia, dando a entender que só então se produziram os conflitos, aparentemente insanáveis, que determinaram a acentuada divisão das esquerdas.

De facto, a longa ressaca da revolução, iniciada com o 25 de Novembro de 1975, foi também uma ressaca dos conflitos que esta viveu. E todos sabemos como entre o conflito não resolvido e o rancor vai menos de um passo. Mas ao contrário daquilo que alguma mitografia benévola propõe a propósito de uma suposta «unidade antifascista», essa separação vem detrás, tendo sido particularmente intensificada depois da campanha de Humberto Delgado, ao longo da década de 1960 até ao 25 de Abril. (mais…)

Atualidade, Opinião

Ler jornais (ou não)

Os sinais não são de agora, mas ganharam particular relevo nos últimos tempos. A maioria dos grandes jornais especializados na atualidade, no comentário político, na informação generalista e na vida cultural, vive uma fase crítica e tem vindo a perder leitores de forma rápida e exponencial. E não apenas no que respeita às edições em papel, uma vez que o crescimento do digital, notório nos anos mais recentes, parece também ter parado. As razões são múltiplas e complexas e têm uma dimensão global, centrada em particular nos países nos quais a indústria do entretenimento e a proliferação da informação rápida e superficial têm sido mais fortes e constantes. Em termos relativos, aliás, lêem-se hoje menos jornais na Itália ou no Japão que na Índia ou na Costa do Marfim. (mais…)

Democracia, Leituras, Olhares, Opinião

À procura de um presidente

Começo por uma nota autobiográfica. Só por duas vezes, ambas distantes, vivi as eleições presidenciais com genuíno entusiasmo. A primeira foi em 1976, quando da campanha eleitoral de Otelo Saraiva de Carvalho, tomado por muitos portugueses, entre os quais então me incluí, como capaz de se opor à reversão do processo revolucionário português que havia sido lançada com o 25 de Novembro. A segunda vez foi dez anos depois, com a candidatura de Maria de Lourdes Pintasilgo, projetada já contra a implantação do «reino dos falsos avestruzes» – a expressão foi cunhada nessa altura por João Martins Pereira, aplicando-se aos protagonistas de uma política de interesses feita a contracorrente dos ideais de Abril – cúmplices de uma democracia formal, cinzenta e amputada. À exceção desses dois momentos, o meu voto foi, nas presidenciais, sempre um voto útil, depositado em quem me parecia estar em melhores condições para impedir a vitória do candidato da direita ou que com esta aceitava pactuar. Como infelizmente acabou por acontecer há uma década, deixando o país e a república representados pela figura rústica, timorata e retrógrada da qual agora nos despedimos. (mais…)

Atualidade, Democracia, Opinião

Pessoal e transmissível

Imagem de Victor Bezrukov
Imagem de Victor Bezrukov

Nestes dias de pausa e expectativa em que se pode respirar alguma esperança e se inicia um processo de reconfiguração política do país, e quando aquilo que possa escrever já não será interpretado como um apelo à dúvida ou à divisão, chega o momento de fazer um curto balanço pessoal das minhas escolhas políticas dos últimos anos.

Entre 1999 e 2014 fui simpatizante, colaborador e sempre eleitor do Bloco de Esquerda. Por duas vezes cheguei mesmo, em eleições autárquicas, a ser seu candidato independente. Só não fui militante porque sou naturalmente avesso a afirmar certezas quando tenho dúvidas e a militância partidária ativa exige alguma capacidade para delas publicamente abdicar. Respeito quem pensa de forma diferente e se dispõe a agitar bandeiras, mas tomo para mim, como uma espécie de princípio orientador, a afirmação de Camus segundo a qual «se existir um partido dos que não têm a certeza de ter razão, eu farei parte dele.» Tal não significa, porém, que negue a importância da atividade partidária, absolutamente nuclear em democracia, e me recuse a com ela confluir. Como não significa a ausência de um pertinaz empenho nas barricadas comuns do combate por uma sociedade mais justa, mais livre, mais igualitária e mais feliz, no qual me mantenho desde 1969. Na realidade, durante quase todos aqueles quinze anos, do BE apenas me separaram algumas, pouquíssimas, posições no campo da política internacional. Divergências políticas mais sérias, só as comecei a sentir em 2011, quando o Bloco e o PCP, por causa das implicações do PEC4, votaram a queda do governo socialista de José Sócrates, abrindo objetivamente caminho à vitória da direita e não aceitando depois fazer a autocrítica desse passo. (mais…)

Atualidade, Democracia, Olhares, Opinião

Havemos de conseguir

Todos temos, de quando em vez, a necessidade de idealizar um lugar que seja improvável, mas não impossível. Um daqueles espaços, ou ambientes, nos quais, como nas cidades invisíveis, cuja descrição Italo Calvino colocou na fala imaginária de Marco Polo ao imperador Kublai Khan, projetamos alguns dos nossos melhores desejos. Na verdade, toda a dinâmica da mudança exige que a pensemos previamente num espaço concreto, cujo desenho ultrapasse as circunstâncias do momento e tenha condições de apontar para outras, inexistentes, mas absolutamente plausíveis. Nas quais por antecipação nos sintamos mais capazes e também, se possível, mais felizes. Só assim conseguiremos superar a repetição e o tédio do previsível, evitando afundar-nos numa sociedade bloqueada e sem futuro. (mais…)

Atualidade, Democracia, Opinião

Os dois monstros e a culpa

Paolo Pellegrin / Magnum Photos
Paolo Pellegrin / Magnum Photos

Perante a dimensão da catástrofe, não venham com os argumentos do costume. Argumentos que fazem bastantes vezes algum sentido mas deslocam a responsabilidade do horror para alvos que, neste momento, são laterais, e que desviam a atenção daquele que é, já não existe outra forma de o identificar, o inimigo principal. Refiro-me ao ataque do islão mais irredutível e radical – pelo que se sabe, e pelas características dos atentados em Paris, falamos do autoproclamado Estado Islâmico – a pessoas comuns, de todos os credos, falas e raças, apenas culpadas por viverem na Europa e se divertirem. E a uma declaração de guerra aos fundamentos históricos da democracia, da laicidade e do simples direito à fruição da vida – recordemos que as vítimas foram essencialmente pessoas que gostavam de futebol, ou de música, ou de jantar fora numa noite de sexta-feira –, que para os fanáticos assassinos são demoníacos e não possuem qualquer valor. (mais…)

Acontecimentos, Atualidade, Democracia, Opinião

Metamorfoses

Fotografia de Paolo
Fotografia de Paolo

Perante a possibilidade de um governo de esquerda, tem sido, por muitos dos políticos e comentadores que o contestam, invocada como um espetro e reiterada como um mantra a hipótese de regressarmos ao ambiente, aos desígnios e aos conflitos vividos no período, inevitavelmente agitado como o são todos os tempos de revolução, de 1974-1975. Para quem não o faz por cegueira ou por ignorância, essa aproximação só pode ser determinada pelo oportunismo e pela demagogia, e é tão facilmente refutável quanto rapidamente redutível a zero. A realidade é outra, o contexto internacional é diverso, os protagonistas são diferentes, o tecido social mudou, os partidos também foram mudando, e por aí adiante. E o tempo jamais volta para trás. A tal respeito, a conversa pode ficar por aqui e não vale a pena gastar muito mais latim. (mais…)

Apontamentos, Democracia, Opinião

O lastro e o futuro

Durante a campanha eleitoral, num debate sobre a necessidade e a urgência de uma confluência das esquerdas, um dos intervenientes, antigo militante da Acção Socialista Portuguesa e fundador do PS, falou de um tempo, anterior ao 25 de Abril, no qual toda a esquerda «se dava bem», dado possuir «um objetivo comum que era o de derrubar o fascismo». Esse retrato é sem dúvida bastante bonito, mas infelizmente é fantasioso; tal unidade jamais existiu.

Se é verdade que nessa época muito unia as forças que se opunham ao regime salazar-marcelista – que mais podia uni-las, afinal, que a censura e a PIDE ou que a guerra? –, muito era também aquilo que as dividia, chegando essa separação, por vezes, ao extremo do ódio fratricida. Arquivos e testemunhos podem confirmá-lo. Como poderiam «dar-se todos bem» se, afinal, até na vida quotidiana da prisão política se antagonizavam? Por isso, o que aconteceu após a revolução não se traduziu no levantamento inaugural de um muro, como se tem andado agora a dizer, mas apenas num aprofundamento das diferenças. Só que agora não eram tanto, como acontecera antes de 25 de Abril, os grandes princípios políticos e as fidelidades históricas a separar as esquerdas; eram-no sobretudo as suas escolhas no que dizia respeito à relação com o poder político emergente e com o modelo de sociedade a construir. (mais…)

Atualidade, Democracia, História, Opinião

Os nossos caça-fantasmas

Imagem de Alexandra

A situação política criada em Portugal com as últimas eleições, ganhas pela coligação PSD-CDS, mas com uma clara maioria de eleitores a votarem à esquerda e com uma representação parlamentar correspondente, tem tanto de novo quanto de inesperado. Sobretudo porque configura a possibilidade, jamais experimentada, de a curto ou médio prazo se constituir um governo do «arco da esquerda», ou neste apoiado, capaz de infletir a política austeritária e de destruição do Estado social levada a cabo, de forma violenta e sistemática, pelo último governo. Neste contexto, muitos comentadores próximos da direita política com lugar mais ou menos cativo na comunicação social – entre os quais incluo uma minoria de pessoas vinculada à ala neoliberal e clientelar do PS – têm reagido através de posições que oscilam entre o pânico e o estado de negação, desenterrando episódios avulsos e mitos catastrofistas vindos do processo revolucionário de 1974-1975. (mais…)

Atualidade, Democracia, Jornalismo, Opinião

O realismo político e a esquerda

The Green Wall, por Ruben Monakhov
The Green Wall, por Ruben Monakhov

Quem tenha a paixão (ou o vício) da história, em particular daquela que converge com o presente, habitua-se a colocar tudo em perspetiva, rebuscando com frequência no passado para compreender o presente. Ou, mais proactivamente, para ajudar a superá-lo. Por muito que estejamos a viver uma situação política substancialmente nova, o que possa resultar dela, ainda que dotado de roupagem inovadora, jamais deixará de se inscrever numa sequência. Se tal não acontecer, tudo se precipitará no primeiro precipício que surja pelo caminho. Mas quem se fixar nesse passado, recusando a mudança, caminhará em círculo até cavar o seu próprio buraco. Falo, naturalmente, da situação pós-eleitoral e da possibilidade constitucional que poderá funcionar como alternativa a mais um governo de direita. (mais…)

Atualidade, Democracia, Opinião

Catalunha, 27

LLUIS LLACH, 2015
LLUIS LLACH, 2015

«Si estirem tots, ella caurà / i molt de temps no pot durar, / segur que tomba, tomba, tomba / ben corcada deu ser ja.  // Si jo l’estiro fort per aquí / i tu l’estires fort per allà, / segur que tomba, tomba, tomba, / i ens podrem alliberar.» (Lluis Llach, em L’Estaca, 1968)

Este domingo, 27, é muito provável que os adeptos da independência vençam as eleições autonómicas na Catalunha. Por cá, o tema passa bastante ao lado do interesse público. No passado, quando Franco governava a Espanha «por la gracia de Dios», o apoio aos independentistas – fossem eles catalães, galegos, bascos, andaluzes, valencianos ou outros – era para bastantes portugueses inquestionável. Defender a democracia, era defender a emancipação da tutela de Madrid, logo significava uma posição contra a ditadura e os seus aliados. Salazar, por exemplo. Aliás, esse era um tempo de emancipações, no qual «o direito de cada povo a seguir o seu próprio destino» surgia, para muitos, entre os quais eu me contava, como inquestionável. Tínhamos aliás uma dívida de gratidão: em 1640, fora a revolta da Catalunha que permitira aos portugueses ter uma frente de guerra menos desfavorável e assegurar, após 28 anos de combates, a restauração da independência. (mais…)

Apontamentos, Atualidade, Olhares, Opinião

Hoje, a Grécia

Neste domingo, 20, parece que decorrerão eleições legislativas na Grécia. Digo «parece» porque o assunto desapareceu praticamente dos nossos noticiários, dos títulos dos jornais, dos debates, dos murais do Facebook. Sabemos do caráter efémero que hoje tomam todas as novidades, do justo destaque dado à crise dos refugiados e, no caso português, do inevitável desvio dos olhares suscitado pela campanha eleitoral. Mas já custa entender o desinteresse e o silêncio de muitas das pessoas que ainda há menos de dois meses se inflamavam a defender e a explicar a experiência grega protagonizada pelo Syriza. (mais…)

Apontamentos, Atualidade, Democracia, Opinião