Arquivo de Categorias: Opinião

Para que servem os livros difíceis

Nunca se leu tanto como hoje. A afirmação poderá parecer estranha a quem da leitura valorize sobretudo a qualidade e a profundidade, mas lê-se de facto muito mais em quantidade e em regularidade. A prática da leitura sistemática aumenta continuamente, se nela incluirmos as necessidades da vida quotidiana, das organizações e do mundo do trabalho, a intervenção da publicidade ou da imprensa light e desportiva, e sobretudo a articulação com a televisão, a comunicação móvel e a Internet, com os seus largos milhões de sites e a omnipresença do email e das redes sociais. Já a leitura mais densa, crítica e reflexiva, apoiada na literatura de ficção e de não-ficção, para além da escrita académica e da produção ensaística, parecem, de facto, enfrentar um bloqueio. O império do zapping, associado à estridência do sensacionalismo e ao destaque dado à informação superficial, por vezes nada fidedigna, determinam um desvio que afeta até espaços onde há poucos anos seriam impensáveis, com ecos no próprio sistema de ensino, inclusive no universitário, onde os hábitos de leitura, se excetuarmos os níveis de formação mais elevados, são cada vez mais escassos e simplistas.

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    Leituras, Olhares, Opinião

    Identidade e a «liberdade dos outros»

    Li há dias um artigo da jornalista Teresa de Sousa onde se condenavam as movimentações de protesto, a decorrer sobretudo nas Américas e na Europa, que têm envolvido marcas monumentais evocadoras do racismo, do esclavagismo e do colonialismo. Já escrevi sobre o tema, que contém aspetos complexos e contraditórios, e não irei agora repetir argumentos. Considerava-se, entretanto, no eixo do artigo, em relação a quem nesses protestos participa, que «o seu credo é que os indivíduos não existem para além da sua identidade, como não existiam, para o marxismo, para além da sua classe»; uma afirmação ligeira que parte de um juízo injusto e por isso justifica um comentário. Seguindo esse raciocínio, no mundo em que vivemos existiria então uma espécie de gente, chamemos-lhe simplificadamente os «identitários», que em nome das suas convicções replica formas de pensamento que tendem a desvalorizar a liberdade individual, recuperando escolhas real ou supostamente assumidas pelos «marxistas».

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      Atualidade, Democracia, História, Opinião

      Ruína das estátuas e combates pelo passado

      Numa tarde do final de abril de 1945, quando uma equipa de soldados norte-americanos fez explodir perante uma câmara de filmar a suástica de ferro e granito que em Nuremberga encimava o Estádio onde tinham sido encenados os gigantescos comícios dos congressos do Partido Nacional-Socialista, asseverou-se perante o mundo a derrocada do devaneio imperial de Hitler. Onze anos depois, durante o levantamento popular antissoviético de Bucareste que teve o apoio dos comunistas reformistas húngaros, uma das primeiras iniciativas da multidão em fúria foi a demolição da estátua colossal de Estaline erguida à entrada do Parque Városliget. Estes dois episódios de iconoclasia – replicáveis à escala dos largos milhares – podem ser invocados contra o receio de que da destruição de peças monumentais tomadas como símbolos de uma ordem política detestada resulte forçosamente um apagamento da História. Pelo contrário, assinalaram escolhas julgadas necessárias, adquirindo um peso histórico próprio.

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        Atualidade, Cidades, Democracia, História, Opinião

        Combate social e consensos

        Observo algumas posições exaltadas, nas quais, a partir do justo entendimento do racismo como um problema real e grave da sociedade portuguesa, se fala da ordem política vigente, e até do trajeto histórico da nossa democracia, como expressão continuada de um «poder racista». A leitura de certa teoria radicalizada, bem como a imersão em realidades onde conflitos dessa natureza estão mais presentes e são bem mais agudos, faz com que os seus autores defendam a transformação de uma realidade contraditória e conflitual, onde existem muitos problemas por resolver, alguns dessa natureza, num campo de batalha capaz de virar às avessas a própria democracia e alguns dos seus fundamentos.

        Como os jornais e as redes sociais acabam muitas vezes por ampliar ou maquilhar estas percepções, elas ganham um eco que raramente corresponde ao seu real impacto. Partindo de pressupostos muitas vezes corretos, pela forma que tomam, pela urgente urgência que pretendem impor, afastam muitos cidadãos mobilizáveis dos combates pela justiça e pela igualdade, fragmentando e debilitando o próprio campo do progresso. Salvo em momentos críticos ou revolucionários, que são raros, combater por uma mudança social substantiva implica sempre a produção de consensos, jogando com estados de consciência, e também um avanço por etapas. Não pela ordem do caos para obter o céu já e agora, o mais tardar amanhã de manhã.

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          Da vida das estátuas

          Todas as revoluções e combates emancipatórios se erguem contra os símbolos dos regimes que pretendem derrubar ou das formas de opressão que pretendem abolir. De entre os mais significativos, pela clareza e presença pública da mensagem que invocam, sobressaem as estátuas, destinadas a enaltecer e a perpetuar a lembrança de figuras ou acontecimentos produzidos no passado. O objetivo é sempre preservar a memória dos indivíduos e dos seus feitos, conservar a repercussão dos eventos recordados ou enaltecer determinadas opções históricas. À parte aspetos menores, como o estilo caduco e o mau gosto original de muitos desses monumentos, a procura de eternização de uma mensagem tende a esquecer algo essencial e sempre presente: tudo no curso da atividade humana é transitório e contextual, nada é perpétuo e absoluto, daí resultando que, o que a dado momento e para certos grupos possui um significado, noutro tempo e para outros setores representa algo diverso, ou mesmo o oposto.

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            A informação na selva da opinião

            Pela mão do meu avô paterno, aprendi a ler antes ainda da primária e com recurso a um jornal diário nacional, podendo ser esta uma das razões – gosto, pelo menos, de acreditar que assim foi – para logo me ter transformado num quase dependente da informação. Na verdade, muito poucos terão sido os dias de vida em que a partir de certa altura me mantive inteiramente longe dela, e na era pré-Internet chegava em algumas alturas a fazer largos quilómetros diários só para comprar alguns jornais. Não sei ao certo quando comecei a fazê-lo já de uma forma crítica, mas educado ainda durante o salazarismo, cedo também tive de desenvolver algumas estratégias, tanto como leitor quanto como autor, aliás rapidamente censurado. Ainda assim, habituei-me a encarar a comunicação social sobretudo como um grande espaço para o conhecimento do mundo, para a educação da sensibilidade e de mobilização para a cidadania; mesmo, como acontece de uma forma imprescindível nas democracias, quando nela se exprimem ou defendem ideias e escolhas que de modo algum são as nossas.

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              Dilema na «era da ignorância»

              O historiador britânico Eric Hobsbawm publicou entre 1962 e 1994 uma tetralogia sobre o caminho do mundo desde a Revolução Francesa à extinção da União Soviética. Cada volume aborda diferentes «eras»: a das revoluções que abalaram a sociedade do «Antigo Regime» (1789-1848); a do capital que passou a dominar o planeta (1848-1875); a dos impérios que ofereceram novas formas e dimensões ao poder político e económico (1875-1914); por último, a dos extremos, onde ideologias antagónicas conduziram a guerras e a tensões vividas numa escala sem precedentes (1914-1991). Essas «eras» correspondiam a fases do percurso humano nas quais povos e Estados se organizaram e se equilibraram em função de quadros de desenvolvimento ou de conflito diferentes e contraditórios, mas traduziram também percursos assentes em ideias partilhadas sobre o itinerário histórico, rumo a sociedades futuras que as diferentes forças e ideologias olhavam como inevitavelmente melhores e mais racionais.

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                Sinais negativos nestes dias de clausura

                Há dias, ao passar no suplemento literário Babelia, do diário El País, pelos resultados de um inquérito de pergunta única sobre a fase de confinamento, «O que descobriu durante este tempo?», dei com uma resposta da poeta e tradutora andaluza Aurora Luque: «Que é necessário simplificar e procurar a lentidão, o silêncio e o respeito. Que as redes sociais nos dominam e controlam e que nos roubaram o tempo verdadeiramente livre.» Colocadas no plano do senso comum, estas palavras podem parecer um tanto exageradas ou despropositadas. Afinal, o fechamento domiciliar e a redução da vida social e profissional deveriam ter provocado um abrandamento das solicitações do quotidiano, dando lugar, apesar da calamidade, a um tempo mais lento e mais tranquilo. Todavia, este cenário benévolo deve ser relativizado, dado o isolamento obrigatório ter adicionado pesados fatores de tensão e de cansaço, e também porque para muitas pessoas com atividade ligada ao teletrabalho as novas condições e os exigentes deveres profissionais acabaram por impor uma dose adicional de esforço, angústia e fadiga.

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                  «Não Há Festa Como Esta!»

                  A Festa do Avante!, organizada pelo PCP a cada setembro, nasceu em 1976, já no refluxo do processo revolucionário, como forma de agregação da militância comunista e como espaço de resistência. Inspirou-se em boa parte na do jornal L’Humanité, criada em 1930, com a qual o PCF visou objetivos de certa forma análogos. Teve desde o início uma componente lúdica – aquela que ocupou sempre mais tempo do programa e que atraiu pessoas de diferentes quadrantes sociais e políticos – e outra assumidamente política, traduzida em algumas escolhas artísticas, em uma ou outra sessão cultural, nas brochuras e bibelôs dos pavilhões dos «partidos irmãos» e sobretudo no grande comício final de domingo à tarde.

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                    A pandemia e o «novo normal» da distopia

                    A utopia ficciona uma comunidade, colocada fora de um tempo certo ou de um espaço real, na qual se desenha um ideal de organização, felicidade e bem-estar aplicados à vida coletiva. No sentido oposto, a distopia, ou utopia negativa, permite conceber um lugar imaginário, onde se vive sob condições extremas de opressão, desespero e carência. Frente à realidade objetiva, a utopia é principalmente um território de desejo e esperança, enquanto a distopia é um lugar de sofrimento e desolação, determinado pela transformação da natureza e pelos caminhos da intervenção humana. Em Dystopia: A Natural History, Gregory Claeys confere-lhe, no entanto, uma dimensão que pode tornar-se tendencialmente positiva, dado mostrar um conjunto de medos «naturais» (deuses, monstros, calamidades) ou «sociais» (tecnologias opressivas ou sistemas totalitários), a partir dos quais a humanidade pode confrontar-se com cenários que de modo algum deseja e por isso deverá afastar.

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                      Privacidade e perigo da hipervigilância

                      Ao contrário de uma ideia muito comum, individualismo não é sinónimo de egoísmo. Este define um centramento do sujeito em si mesmo e nos seus interesses, não hesitando neste processo em lesar os outros. Já o primeiro apoia-se na independência e na liberdade de escolha e de decisão, não representando necessariamente uma quebra do dever de solidariedade. Funda-se na crença na singularidade do indivíduo, no valor do seu critério, na possibilidade de escapar ao exercício arbitrário da autoridade e de se juntar a outros, participando de livre-vontade em projetos coletivos que visam o todo e a sua transformação. O indivíduo moderno, liberto da dependência do divino pelo humanismo renascentista, e depois sustentado pelos ideais à época emancipatórios do racionalismo e o iluminismo, integra essa dupla condição, capaz, através do contrato social, de associar a escolha de cada um ao seu papel nas dinâmicas partilhadas.

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                        Nova paisagem, o combate de sempre

                        Ninguém no seu juízo pode avaliar a agonia que atravessamos numa lógica de otimismo. Pelo que estamos a viver, pela impossibilidade de estabelecer metas temporais para as etapas que se seguem, e sobretudo pela certeza de que nada mais será como dantes. É impossível, salvo entre pessoas tolas, ignorantes ou escravizadas por dogmas, conceber a vida futura como exatamente igual àquela que abandonámos há cerca de um mês. Algumas práticas voltarão a ser o que eram, ainda que adaptadas – não é concebível, por exemplo, regressar a cafés e restaurantes fechados em que toda a gente se acotovela – mas outras surgirão, inteiramente novas ou herdeiras daquelas que temos vindo a testar. Velhas formas da vida social, processos tradicionais de trabalho, modos e ritmos do divertimento, até a vida pessoal e familiar, irão mudar, mais ou menos lentamente, de forma mais ou menos profunda, mas irreversivel.

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                          Ficção e realidade da catástrofe

                          A ficção pós-apocalíptica é produzida sobre paisagens de mundos que num dado momento colapsaram. Propõe sempre uma dupla tensão: entre a consciência do fim de um tempo, associado a uma ideia de felicidade perdida, e a necessidade humana de sobreviver às consequências da devastação, promovendo um reinício. Este configura uma nova realidade, não uma reprodução do passado. Neste processo desenvolve-se uma consciência dos erros ocorridos, associada a uma mudança radical dos comportamentos individuais e coletivos. Era esse já o sentido tomado pela narrativa bíblica, incluída no Génesis, sobre Noé e a sua arca, salvos da destruição diluviana de uma civilização sacrílega para fazerem emergir uma sociedade nova e que se pretendia retificada. Em Waterworld, o filme de Kevin Reynolds, de 1995, deparamos com o mesmo cenário de um planeta submergido e de uma espécie humana sobrevivente, com a agravante de a vida ser aqui a de uma guerra feroz de todos contra todos pelo domínio dos raros territórios firmes.

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                            O intolerável regresso da eugenia

                            Tenho fortes dúvidas sobre se a larga maioria dos cidadãos que têm tomado posições públicas sobre «o direito à vida», em temas tão diversos como a interrupção voluntária da gravidez, a fecundação ‘in vitro’ e o direito à morte assistida em casos de extremo sofrimento físico e psíquico, saberá o que é a eugenia e conhecerá ao menos um pouco da sua terrível história. Define-a, vale a pena lembrar, o esforço de «melhorar a raça humana» – o hoje caduco conceito de raça é aqui invocado propositadamente – através de um conjunto de práticas que passam pela seleção artificial, protegendo e salvaguardando aqueles que em determinado contexto são considerados melhores, mais fortes ou mais puros, e descartando os que são tomados como mais frágeis ou considerados impuros.

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                              Pandemia e trauma

                              Apenas passaram dez dias sobre a declaração do estado de emergência e a passagem da nossa vida quotidiana para um novo patamar de reserva e de cuidado. A maior e a mais generalizada preocupação é com a saúde física dos cidadãos e a capacidade coletiva para conter o mais possível a expansão da pandemia e os seus resultados nefastos. Com ela em mente, temos vindo a adaptar as nossas vidas à situação de confinamento doméstico, a novos processos de trabalho e a cuidados particulares no convívio diário com os outros.

                              De vez em quando, comentamos a forma como tudo isto – em particular no que respeita à vivência do medo, da solidão ou da perturbação das rotinas – nos está a incomodar também no plano psicológico. Mas quase todos parecemos confiantes a este respeito, permitindo-nos até fazer algumas piadas sobre o assunto. «Vamos todos pirar» dizemos uns aos outros, nos raros encontros de rua ou de hipermercado, à distância do interlocutor de dois ou três seguros metros .

                              Todavia, todo este regime está para durar bastante, eventualmente com agravamentos, e quando pensamos nesta hipótese diminui rapidamente a nossa vontade de rir. Poderemos estar mais um, dois, três, quatro meses nesta situação e ninguém pode prever para já como sobreviveremos e dela sairemos no plano da saúde mental. Será por isso importante que as autoridades e as pessoas do conhecimento psi possam começar desde já a refletir sobre o problema, concebendo estratégias para suavizar o inevitável trauma e o prolongado efeito pós-traumático.

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                                Os «outros»

                                É muito fácil ser-se egoísta por estes dias de medo e flagelo. Pensar apenas em nós, depois nos nossos, talvez um pouco e só bem depois nos outros. E quanto mais «outros» estes forem, menos nos importarão, mais invisíveis se tornam para nós e para as câmaras que trazem a realidade às nossas casas. Em contexto de catástrofe para a qual ninguém estava preparado, é fácil fazer exigências. Como faz quem de microfone nas mãos ocupa o seu tempo a queixar-se da incapacidade para fazer testes de despiste a quem o deseje, quando deveria saber que não existe um único Estado que o tenha podido fazer. E só um declarou até agora contar consegui-lo a curto prazo: a Islândia, que é uma ilha e tem apenas 370.000 habitantes.

                                Mas tão necessário e ainda mais urgente é pensar nesses «outros», nos distantes: os mais pobres, os sem-abrigo, os sem informação e que não entendem o que está a acontecer, os que vivem apinhados em bairros miseráveis, os trabalhadores despedidos ou que continuam a trabalhar para que a vida prossiga, os prisioneiros esquecidos dos familiares. Pior, muito pior: a larga maioria da população da África, da Índia ou do Paquistão, da América Latina fora dos espaços mais protegidos, onde a pandemia está a chegar e que, sem sistema de saúde, com débeis condições de higiene e um Estado eficaz, provavelmente irá morrer aos milhões. Não esquecendo os refugiados, ainda mais abandonados. Ao pé desses «outros», o nosso sofrimento será quase uma benção.

                                [Originalmente no Facebook]

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                                  Quatro anos que abalaram o mundo

                                  Quando recuo na memória da parte da história contemporânea que pude testemunhar, encontro quatro anos nos quais aconteceram situações excecionais, que em muito abalaram a perceção da realidade e o mundo daqueles que as viveram. Corresponderam a quatro momentos de viragem, onde novos factos, equilíbrios e até valores se impuseram, dando corpo a viragens que se confirmaram irreversíveis. Foram anos-catástrofe – decisivos, no sentido da palavra katastrophḗ no antigo grego – que fecharam uma etapa no trajeto da história recente, inaugurando outra, radicalmente nova. Suscitando de imediato, naqueles que os viveram, a impressão de haverem atravessado uma fronteira, entrando num mundo novo, estranho e inesperado.

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                                    Ser Radical (muito barulho para nada)

                                    Rejeito de todo a conversa dos setores que, principalmente à esquerda do espectro político, desde sempre desvalorizam, ou contestam mesmo de forma bastante violenta, o que se chama de «luta radical». Falo do campo do combate social, protagonizado geralmente por minorias, que aponta para metas de natureza utópica e desenvolve práticas mais extremas, situadas muito acima do estado médio de consciência do cidadão comum. Não o faço por ter passado uma parte importante da minha vida profundamente imerso nesse território social, pois, apesar de hoje ter dele uma perspetiva crítica, de modo algum enjeito o género de experiência, em regra intenso e indelével, que representa.

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