Miss Johansson, a moçoila trigueira que impressiona favoravelmente 90% dos homens de meia-idade (e 89% dos outros), afinal canta um bocadinho pior ainda – ah, aquele «it’s over, it’s over» em re sustenido maior! – do que cantava outrora a Dra. Marilyn. Estarei errado?
[audio:http://aterceiranoite.files.wordpress.com/2009/02/17-scarlett_johansson-last_goodbye.mp3]
Tenho recebido mensagens de algumas pessoas, que imagino motivadas pelas referências que aqui tenho deixado e por causa delas me julgam o praticante que não sou, perguntando-me para que serve o Twitter e se vale a pena entrarem no barco. Querem sobretudo que lhes diga quais são as vantagens do acessório, presumindo que não existem desvantagens e suspeitando que estão a perder alguma coisa. Tenho respondido dizendo sempre mais ou menos o mesmo: o Twitter é uma boa ferramenta para o acesso a informação rápida, curta e incisiva, em grande quantidade, mas é também um factor de ruído e um devorador de energia se lhe dermos demasiada atenção. Por isso sou um twitteriano passivo. Recebo, leio e anoto muito mais do que ofereço. E quase só ofereço aquilo que julgo poder interessar minimamente a quem me segue.
Comecei por sofrer de astigmatismo, o que me fez usar óculos desde os 10 anos. Aos 14 declarei profundamente inestético, e mau para aliciar mancebas, aquele apêndice de massa castanho-escura, tendo andado uma década ou mais sem tal objecto encavalitado no nariz. Depois dos quarenta apareceu a miopia. Assustei-me quando sem a graduação apropriada deixei de poder ler as tabuletas da autoestrada – por causa disso perdi-me certa vez em Moscavide quando devia ir a caminho de Huelva -, mas recompus-me com uma colecção de próteses para ver ao perto, ao médio e ao longe, desktops e palmtops, livros e filmes, jogos de campo, de sala ou de mesa. Jamais perdi, porém, a mania de ler as letras miudinhas das bulas dos medicamentos, das obras em papel de arroz, das notas de rodapé. Quem olha os meus ecrãs avisa-me sempre que estou a dar cabo da vista de tão pequenos se mostram neles os caracteres. Talvez por isso, irritam-me um pouco aqueles documentos – recebo-os quase todos os dias – que ampliam o texto a 140, a 165, a 200 por cento. É como se alguém me gritasse aos ouvidos. A quem possa ter esse desagradável hábito e me envie habitualmente dóques, erre-tê-éfes ou xiz-éle-ésses com o zoom elevado a tamanho para ceguetas, peço pois o grande favor de arrepiar caminho. Agradecido.
Declaro sobre a Bíblia Sagrada – e até pode ser a mesma, a verdadeira, a de Lincoln, sobre a qual jurou o escurinho de quem se fala – que começava a escrever este post quando verifiquei que o Pedro Vieira acabava de publicar um outro sobre o mesmo assunto. Mas tenho o dever de insistir na mensagem: é profundamente injusto fazer-se alguém passar por génio inofensivo, e tocador de clarinete nas horas vagas com uma grande admiração por Ingmar Bergman em full-time, para poder filmar em Vicky Cristina Barcelona, sem quaisquer problemas com a polícia, velhíssimas fantasias masculinas envolvendo sexo sáfico e ménage à quatre. Ainda por cima com Scarlett Johansson e Penelope Cruz como protagonistas (mais Rebecca Hall e Javier Bardem, sejamos justos).
Não foi uma situação que estivesse prevista, mas após desistir da SIC-Notícias por casa das banalidades de Rogeiro & Cia. e do ruído da tradução directa, como não acertei logo com o canal da CNN acabei por escutar o primeiro discurso do 44º Presidente dos EUA através da Al-Jahazeera.
Em Intellectuals – um livro já com mais de vinte anos, pronto agora a sair em edição portuguesa – o historiador e jornalista britânico conservador Paul Johnson inventaria as características recorrentes que considera próprias de quem vive aquela condição. Serão estas, aliás, que quase sempre as transformam em figuras públicas, muitas vezes singulares e admiráveis, mas que na vida privada se transmutam em seres falíveis ou execráveis. Eis algumas dessas qualidades-natas (por ordem alfabética para que ninguém se sinta prejudicado): agressividade, ambição, auto-comiseração, auto-convencimento, cobardia, credulidade, crueldade, egoísmo, falsidade, hipocrisia, indolência, ingratidão, intolerância, irascibilidade, manipulação, misantropia, oportunismo, rudeza, snobismo e vaidade. É preciso ser-se imenso, e ainda imensamente competente, para aguentar com tanto atributo em cima.
Cristiano Ronaldo foi designado pela FIFA como o Jogador do Ano de 2008 e, de acordo com a lalistawip, é a 11ª pessoa mais citada na Internet. Numa lista comandada por Barack Obama, CR7 está apenas um pouco abaixo de Paris Hilton, imediatamente após Elvis Presley, e muito acima de José Mourinho (137º), Durão Barroso (240º), Fernando Pessoa (340º) ou José Sócrates (2265º, malgré Magalhães). Porém, se nos fiarmos nas notícias que chegam, em breve o português mais referido na rede poderá ser um cão.
Adenda ainda sobre o moço Cristiano. Dizia hoje no Prós e Contras a Sra. Dra. D. Fátima Campos Ferreira (a fonte é o blogue Água Lisa) que «as mulheres são muito atraídas pelo Ronaldo pela maneira como ele mexe as pernas». Como uma conversa leva a outra – tal qual naquela lengalenga «Senhor dos Passos, Paços do Concelho, Conselho de Guerra, Guerra Junqueiro…» – acabei por deduzir que o futebolista madeirense possui uma costela de fandagueiro ribatejano.
Que me perdoem os companheiros bloggers que voltam à carga, perplexos ainda, ou confiantes na singularidade da descoberta, sobre se Tintim, um dos nossos heróis do século XX, era ou não era gay. Mas qual é a dúvida se, ao digitarmos «tintin gay», o Google resolve devolver-nos 455.000 links?
N’A Bola de ontem: «[O goleador Liedson] atingiu a marca de Yazalde, homem que nasceu num bairro pobre da Argentina, vendeu jornais, depois bananas e mais tarde ganhava a vida a picar gelo. Até nisso há algo de semelhante entre ambos: não há muito era Liedson repositor de armazém…»
Fez ontem um ano. Um ano já. Tiraram-me um prazer. Sinto-lhe a falta. Todos os dias. Sabia-me bem. Naquele momento. Ali mesmo. Sem culpa. Sem desculpa.
Neste reinício de viagem para quem faz as suas contas do tempo pelo calendário gregoriano, quero agradecer, do fundo dos neurónios e do coração, a todos aqueles e a todas aquelas, contados já na escala das centenas, que têm colocado A Terceira Noite nas suas listas de destinos recomendados (sabe-se lá porquê, o Technorati não as desvenda a todas). E muito particularmente a quem incluiu agora este blogue no seu rol das preferências anuais. Obrigado pelo interesse e pela paciência de Job.
Jamais me teria ocorrido, até à comunicação presidencial desta noite sobre o Estatuto Político-Administrativo dos Açores e o lodaçal partidário que envolveu a sua aprovação, reconhecer publicamente que fui cavaquista durante 5 minutos. É a verdade, admito. Gestos públicos de honradez são, no meio, raros e por isso vistosos. Mas os 5 minutos em causa passaram muito depressa. E a peça encerrou com uma saída silenciosa do protagonista.
Que me absolvam os proprietários e as titulares dos restantes, mas os mais originais votos de ditoso Natal que recebi do mundo-dos-blogues chegaram-me da autora de amor e outros desastres. Na pele de uma bela ária do Montezuma, de Vivaldi. Temendo desiludir quem considera «interessantíssimo» aquilo que por aqui vou escrevendo – mas como, se me aborreço mortalmente a mim próprio? – retribuo, agradecido embora fora do tempo, com este outro excerto, «orientalista» em sentido contrário, das Indes Galantes de Jean-Philippe Rameau.
Os problemas de tesouraria das instituições universitárias – ou, mais concretamente, a gradual desresponsabilização do Estado em relação aos custos de manutenção do ensino superior público – têm forçado todas elas a prodígios de engenharia financeira e a alguns cortes dramáticos. Como sintoma de que o alerta vermelho se encontra activado, até 5 de Janeiro a Universidade do Minho irá mesmo desligar a corrente eléctrica e reduzir ao mínimo a segurança e a limpeza em diversas instalações. Mas determinadas medidas são de deixar qualquer cidadão com a impressão de que existe qualquer coisa de errado na definição daquilo que deve ou não ser prioritariamente cortado. De acordo com o Público, o Instituto Politécnico de Portalegre decidiu, por exemplo, diminuir o número de banhos dos estudantes que vivem nas residências universitárias. Suspeito que aquilo que assim se poupar acabará por ser dispendido em desodorizante ambiental ou com custos de saúde, e tenho a impressão de que este tipo de medida apenas costuma ocorrer em tempo de guerra ou de catástrofe natural, mas a gestão do IPP lá avaliará as suas prioridades.