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Gestão por Objectivos

«Lancemos mãos à obra, na plena consciência de que o plano despertará a grande força criadora que reside em cada alemão, fazendo-a florescer.» (Walter Ulbricht)

Não surpreende a notícia, amplificada pelo Expresso: o inspector-geral da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica enviou às direcções regionais do organismo que dirige um documento no qual se previam, apenas para este ano, 410 detenções, 25.420 processos por infracção, 1.230 suspensões de actividade, 1.640 processos-crime e 12.000 contra-ordenações. A prática é sobejamente conhecida desde o tempo dos absurdos planos quinquenais estalinistas e das quotas maníacas de fuzilados, deslocados, detidos e enviados para «campos de reeducação» que, ao longo de décadas, o poder soviético e os seus plagiários foram materializando. O problema é que a «gestão por objectivos» imposta de forma mecânica por governos cegamente tecnocráticos e orçamentários, aplicada agora, como se sabe, a um número crescente de organismos dependentes do Estado (incluindo-se nestes as instituições públicas de ensino, de investigação e de saúde), tende assustadoramente a aproximar-se dela. Mas não faltará quem diga que não, que não senhora, que isto apenas serve para promover a eficácia e a justiça social.

    Apontamentos, Atualidade

    Desrazão de bancada

    Podemos sempre fazer um esforço para recuar até aquele instante, localizado algures no nosso passado remoto, no qual decidimos ser aquele, e não outro, o clube de futebol do qual vamos gostar para toda a vida. Em certos casos, aquele com o qual nos envolvemos em momentos de euforia ou de depressão. Os motivos mais simples e mais comuns são os que condicionam a maioria dos adeptos: «é-se» do clube A ou B porque os nossos pais também o são, porque é esse o clube que mais adeptos tem na nossa terra ou no nosso bairro, porque – o pior dos motivos – é aquele o clube «que ganha sempre». Mas podemos sempre escolhê-lo porque gostamos da cor berrante ou discreta das camisolas, porque o associamos a um certo grupo social, porque é o clube da namorada que se deseja ou simplesmente porque é aquele que melhor se opõe aquele outro que simplesmente detestamos.

    Porém, em cada tempo e circunstância as referências que nos fazem preferir uma camisola – ou a paixão por um emblema – serão sempre diferentes. Leio na crónica de hoje de Vasco Pulido Valente que, na sua infância, o Benfica estava «ligado à esquerda» (e por isso teria o miúdo Vasco simpatizado com ele), enquanto o Sporting era identificado com o regime. Populares, autenticamente populares, pelo menos na capital do país, seriam clubes como o Oriental, o Atlético ou o Belenenses. «Do Porto não se falava», e tal se aplicava, na época, mesmo a muitos dos habitantes da cidade do Porto. Para mim, as referências foram já completamente outras. Na viragem para a década de 1960, o Benfica era o clube «de toda a gente», do qual o regime se servia para mostrar um rosto benévolo do Império e para divulgar a imagem de uma já inexistente grandeza. O Belenenses era o clube do Tomás e do Tenreiro, enquanto o Atlético já mal se via, o Oriental tinha descido à Segunda Divisão e a Académica era apenas a simpática equipa «dos estudantes». O Sporting parecia-me, então, ser o clube de uma parte mais autónoma e razoavelmente esclarecida, embora um tanto snobe, da população. Apenas uma circunstância permanecia intacta: do Porto continuava a quase não se falar e tal se aplicava, na época, mesmo a muitos dos habitantes da cidade do Porto.

    Claro que estes retratos possuem uma base estritamente empírica, capaz de produzir hoje resultados completamente diferentes. A verdade é que nenhuma ideia-feita pode contrariar o impulso irresistível para se gostar da cor mágica das camisolas ou para se simpatizar com o nome de um clube de futebol. Afinal, verdade lapalissiana, existe sempre qualquer coisa nos afectos que não se explica, e que pode induzir estados de alma e atitudes genuinamente irracionais. Por isso compreendo as lágrimas do Manuel do Laço quando soube que o seu Boavista iria descer de divisão por causa do apito final do «Apito Dourado». Se tivesse agora quatro ou cinco anos de idade, com o amor que tenho geralmente pelos fracos e pelos humilhados, talvez me tornasse um adepto incondicional do time do maillot xadrez. Nesta fase da vida, permaneço fiel à minha escolha irracional.

      Apontamentos, Etc.

      Uma casa portuguesa com certeza

      Manuel António Pina escreve hoje assim no JN: « Os partidos de direita preocupam-se muito com a insegurança nas ruas, mas é dentro de casa e da família que se praticam diariamente em Portugal os crimes mais cobardes, sobre as mulheres, sobre as crianças, sobre os idosos, sobre, em geral, os mais fracos e vulneráveis». Nem mais. E mais.

        Apontamentos

        Coisas que se sabem

        Decorreu há poucos dias, em Aveiro, uma reunião de alunos chineses a estudarem em diversas universidades portuguesas, destinada a «esclarecê-los» sobre o carácter inalienável dos «direitos históricos» da China sobre o Tibete, e a instruí-los sobre que argumentos deveriam utilizar quando confrontados com o tema por colegas e professores. Coordenação a cargo de um controleiro gentilmente cedido pela embaixada da RPC. Coisas que se sabem quando se contacta regularmente com estudantes universitários de muitas proveniências.

          Apontamentos, Atualidade

          Do verbo queimar

          Apontamentos do Maio – 5

          Como se percebe pelas referências regulares que tenho feito a posts seus na barra da direita deste blogue, simpatizo com muitas das posições de Pedro Sales, de quem sou habitualmente leitor. Mas divirjo da forma como, no Zero de Conduta, comenta uma frase escrita por José Pacheco Pereira em 1973, referindo-se a Maio e a Crise da Civilização Burguesa, de António José Saraiva, como livro «para ler atentamente e queimar». Comento-a como pretexto para falar de uma prática, utilizada por vezes no combate político, que recuso de todo.

          Não conheço ao pormenor, nem penso que tal interesse para o caso, aquilo que Pacheco Pereira possa ter dito agora, perante uma opinião pública sem memória, para minimizar os estragos que aquela frase possa provocar na sua imagem. O que sei, e aquilo que me importa, é que a sua posição na época se conformava com a atitude expressa pelos grupos maoístas – área na qual, como se sabe, então militava – a respeito da perspectiva estritamente lúdica, «idealista» e «pequeno-burguesa» de Saraiva sobre o Maio de 68. Um livro no qual se depreciava a função revolucionária da classe operária e da sua «ideologia de classe», insistindo-se, algo deslumbradamente, no papel criador que o Maio e as suas circunstâncias pareciam então destinar à juventude e à imaginação. Não se esqueça, a propósito, que se viviam então os ecos da Revolução Cultural Chinesa, durante a qual o libricídio – como a destruição de estátuas, retratos ou monumentos – era utilizado para promover o eclipse do conhecimento antigo e dos vestígios da cultura burguesa que o socialismo não tinha podido erradicar.

          Não me parece bem que se pegue agora num passado com 35 ou 40 anos e se faça deste bandeira para diminuir as posições de alguém. Sobretudo quando tal passado correspondeu a uma fase da vida sobre a qual assumidamente esse alguém virou uma página. Por outro lado, a esquerda está igualmente cheia de gente de quem será relativamente fácil encontrar frases, juízos e actos «comprometedores», associados a atitudes de intolerância ou mesmo de violência como esta que José Pacheco Pereira, metaforicamente ou não, alvitrou. Mas nem a discordância política nem a perseguição ad hominem justificam o recurso a argumentos que em circunstâncias normais descartamos. E que, muito justamente, condenamos nos outros.

            Apontamentos, Atualidade, História, Memória

            Serenidade


            A chama olímpica passou por Pyongyang, a capital da Coreia do Norte. Sem registo de incidentes, naturalmente. E sem a necessidade da presença de agentes de Pequim com bandeiras impecavelmente engomadas a fazerem de «manifestantes pró-chineses». Por ali o povo permanece sereno.

              Apontamentos, Atualidade

              O que a gente lê

              Se aquilo que António Cunha Vaz diz hoje em entrevista saída no Público com chamada de primeiríssima página, o padrão ético que transpira, as atitudes que insinua, a pesporrência que exibe, as rasteirinhas que passa, são coisas para levar a sério, chamar-lhe-ia um exercício público de abjecção. Se está a brincar connosco, chamar-lhe-ia um excelente momento de parvoíce.

                Apontamentos

                A vida a 26

                Deixei de frequentar «cerimónias comemorativas» de Abril. Sessões de reprise, quase sempre organizadas por pessoas com saudades de si próprias ou por autarcas com escassez de imaginação. Transformadas tantas vezes em dever. Repetindo, ano após ano, as mesmas palavras de ordem, as mesmas canções, as mesmas histórias, o mesmo cravo vermelho ao peito «que a todos fica bem». Sempre o que se me afigura uma idêntica, pesada e opressiva nostalgia. Aborrecem-me, admito. Aborrecem-me quase tanto quanto aborrecem a generalidade dos portugueses normais com menos de quarenta e oito anos. Transferi pois o 25 de Abril para a memória-cache, como parte central da minha vida e como âncora da memória colectiva que partilho. Como uma dobra, separando o que ficou para trás – a desigualdade como princípio, a vida triste, a fealdade no poder, o medo persistente como a caspa – de tudo aquilo que ali mesmo começou. Um campo aberto a sucessivos trilhos, a mil e uma quimeras, a todos os desígnios e precipícios possíveis e impossíveis. Mesmo aos piores. Prefiro por isso falar do 24. E de como a vida a 26 se tornou infinitamente mais trepidante, mais bela, melhor apesar de tudo. Graças a um 25 inesquecível para quem o viveu.

                PS1 (a 25) – Estou a tornar-me repetitivo, eu sei.
                PS2 (a 26) – Cruzo este post com este outro que escreveu Luís Januário.

                  Apontamentos, Atualidade, História

                  Dupla personalidade

                  Não há muito mais para dizer sobre a posição frouxa do Sr. Silva durante a visita à Madeira. Onde, de sorriso nos lábios, contemporizou com o colérico soba local na desqualificação agressiva desse «bando de loucos» que tem a suprema ousadia de se opor à sua administração populista e prepotente. O Presidente Cavaco, aquele cavalheiro discreto, de atitude aparentemente equidistante, carnes secas e pose indulgente, que nos habituámos a ver à distância nos últimos tempos, voltou a recordar-nos o homem sisudo, inflexível, sem dúvidas ou enganos, que foi o primeiro chefe de governo da III República totalmente liberto da «mácula» de ter resistido ao regime que Abril fechou. O conformismo cultivado durante a juventude deixa sempre marcas para o resto da vida.

                    Apontamentos, Atualidade

                    Originalidade regional

                    A proposta de criminalização da toxicodependência na Madeira parece passar por ser mais uma originalidade regional ou uma daquelas brincadeiras de mau gosto de A. J. Jardim. Mas ela não pode tolerar um encolher de ombros idêntico àquele que tem caído sobre outras acções passadas e presentes do seu governo relacionadas com a saúde pública, como o retardamento em anos do uso obrigatório do cinto de segurança, a tentativa de camuflar alguns surtos epidémicos, a grave demora na entrada em vigor da lei sobre a interrupção voluntária da gravidez, ou a inexistência de um plano sistemático de combate ao alcoolismo na zona do país onde a sua incidência mais se faz sentir (e a campanha até poderia começar pela festança anual do Chão da Lagoa). Para além da favorecer os traficantes, a ser aplicada, justamente numa das regiões onde o flagelo da dependência da droga atinge das mais elevadas taxas de incidência, a medida configurará mesmo o crime de genocídio.

                      Apontamentos

                      Gota de água

                      Generación Y, o blogue havanês já aqui referenciado há meses atrás, é uma das publicações que acaba de receber o Prémio de Jornalismo Ortega y Gasset, atribuído por um júri nomeado pelo diário El País. O extraordinário, para além da capacidade de sobrevivência de um espaço de liberdade onde ela é geralmente cerceada – não sem que Yoani Sánchez, a sua autora, tenha deixado de ser submetida a intimidações -, é a sua forma luminosa e plena de esperança de lidar com um quotidiano desgastante e sem horizonte visível. E tão notável quanto o tom e a regularidade do trabalho desta valente blogger cubana é o calor combativo, e quase sempre sereno apesar de plural, partilhado pela maior parte das muitas pessoas que escrevem nas suas caixas de comentários. Um ponto a favor da causa da liberdade e da democracia em Cuba.

                      Notável, no contexto, esta forma de Yoani se identificar publicamente.

                        Apontamentos, Atualidade

                        Inquietante, (vírgula)

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                        Afinal, os novos colegas da blogosfera ainda estão só a ocupar os seus lugares e irão por certo melhorar as suas prestações. Mas o nível do «português comercial» da generalidade dos posts já publicados pelos mais ou menos jovens vinte e seis deputados e duas deputadas que abriram o blogue Câmara de Comuns é um tanto inquietante. Será uma boa ajuda o uso dos correctores da ortografia e da sintaxe, pois estes costumam apanhar os erros, acertar vírgulas, moderar a dimensão dos parágrafos, captar a ausência de sujeito, ensinar os tempos verbais, conformar as concordâncias, rematar problemas avulsos. O dicionário de sinónimos também permitirá alargar um pouco a riqueza vocabular. As malformações do estilo, essas já serão mais difíceis de resolver. É preciso não esquecer que parte do melhor português escrito produzido no rectângulo passa pelos blogues, e por isso não convém baixar o nível dando um mau exemplo. Sobretudo vindo de quem vem.

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                          Grita Liberdade

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                          Os Repórteres Sem Fronteiras estão a organizar uma campanha destinada a mobilizar atletas, jornalistas, membros dos Comités Olímpicos e membros do público presentes nos Jogos no sentido destes usarem, durante a estadia em Pequim, um autocolante com a palavra «Liberdade» escrita em caracteres chineses.

                          Entretanto a televisão local transmitiu em directo a chegada da chama olímpica, mas atrasou as imagens em alguns minutos para prevenir eventuais distúrbios. Ao mesmo tempo, todos os voluntários e jornalistas foram submetidos a revistas por parte das autoridades. Pela amostra, os agentes dos serviços de segurança chineses vão chegar ao final de Agosto completamente stressados.

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                            Provável excesso de chá

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                            Foi um oportuno post de Joana Lopes que me chamou a atenção para as declarações de Jorge Sampaio ao pasquim gratuito Sexta – por desinteresse passei a deitá-lo no lixo sem o abrir –, a propósito daquilo que este considera ser a instalação da ambiguidade na linha de separação que hoje possa ainda traçar-se entre o que é a esquerda e o que significa a direita. Segundo Sampaio, que enquanto PR nos atirou à cara ad nauseam com o seu passado de combatente pelas causas da liberdade e da justiça social (que apesar de todas as vicissitudes foram e são essencialmente património da esquerda), «não podemos ficar reféns de debates ideológicos» e o que conta nos tempos que correm é sobretudo uma aplicação de «políticas concretas e sustentáveis». Que não possuam cor, ou que desejavelmente a não tenham. Uma ideia estafada, com pelo menos duas décadas de eco, como se sabe. E potencialmente de direita. Mas que poderá ser considerada por alguns dos preclaros membros da Comissão Política Nacional dos socialistas, tendo em vista a próxima revisão do programa partidário. Se é que este ainda lhes merece um minuto de atenção.

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                              Foge!

                              Coimbra, duas da tarde. Na FNAC, à entrada da livraria, um par hetero vestindo o negro, vetusto, trajo académico. Ela, estacando num repente: «Olha, aqui são os livros. Foge!». Ele, claramente o cérebro da parceria: «Não deve de haver aqui nenhum que me interesse». Meia volta, volver.

                              Sei que de forma alguma representam o todo. Ou sequer a maioria. Porém, dados os números conhecidos dos índices de leitura que ocorrem entre os estudantes universitários da cidade, e o sistemático abaixamento dos critérios de exigência nas avaliações, existe uma forte probabilidade de serem dignos representantes da parte acima da média dos mapas bolonheses do aproveitamento escolar. Se disser que é preocupante estarei a ser suave na apreciação.

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                                Montparnasse deles

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                                Não li na devida altura (1985) Montparnasse, mon village, de Vasco de Castro. Sim, o Vasco cartoonista que fez outras coisas também. Tratava-se de um exercício de revisitação pela via da memória ao exílio parisiense vivido pelo autor entre 1961 e 1974. Há muito esgotado, o livro acaba de sair em edição revista e aumentada da Campo das Letras, com o título Montparnasse. Até ao esgotamento das horas. Bem sei que aquilo que está a dar é a bastardização de soixante-huitiards mais ou menos assumidos como Vasco e outros que tal (alguns deles, aliás, merecidamente execrados pela folclorização ou pela manipulação que fazem do seu próprio trajecto). Mas não deixa de se revelar empolgante para muitos dos putativos leitores o reconhecimento de uma experiência de elaboração romanesca, contada na primeira pessoa, da solidão, da penúria e do estado de revolta em cenários de invejável felicidade juvenil. Revigorará almas carentes de tal coisa, que as há, que as há. Outras lamentarão com uma furtiva lágrima a usura do tempo. Outras ainda encolherão os ombros e passarão à frente. C’est beau, la vie.
                                Voz de Jean Ferrat

                                  Apontamentos, Memória

                                  Votado e lavrado em acta

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                                  O caso do docente de Braga, a quem terá sido dito que «um professor universitário não pode ser criativo nem humorista» e foi determinado que tivesse tento na língua, circula por aí, entalado entre jornais e monitores. Eduardo Pitta e Manuel António Pina dedicaram-lhe textos de sinal diverso. Muitos outros se lhes seguiram. Entretanto o móbil do «crime», o blogue do referido professor, de gosto duvidoso e humor que não fará propriamente rir multidões, não abona muito em favor do lançamento de uma efectiva vaga de indignação. Já um tal «Voto de Repúdio aprovado pelo Conselho do Departamento de Sociologia da Educação e Administração Educacional, em 27 de Fevereiro de 2008», no qual publicamente se declara que «o docente Daniel Luís é o único responsável pelo encerramento dos seus blogues, a que procedeu de livre vontade na sequência de um apelo do seu Departamento, votado e lavrado em acta», merece, pelo menos, a preocupação de qualquer cidadão capaz de reconhecer os valores essenciais do discernimento e da tolerância democrática. Seja ele universitário ou não. Tenha ou não sentido de humor.

                                    Apontamentos, Opinião

                                    Vento de leste

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                                    Para nós, que vivemos neste «país de poetas» de fábula no qual os jornais de grande circulação – se é que tal existe por estes lados – deixaram de ter suplementos literários, não pode deixar de funcionar como um deprimente motivo de reflexão o facto de Babelia, o suplemento de sábado do vizinho El País, anunciar neste momento uma tiragem de 2.086.000 exemplares.

                                      Apontamentos, Olhares