Trotsky, 86 anos depois

Completam-se neste 21 de agosto de 2026, 86 anos sobre o assassinato no seu exílio do México, por Ramón Mercader, um agente do NKVD, a temível polícia política de Estaline, de Leon Trotsky. Falo do escritor, eminente intelectual marxista e revolucionário bolchevique, presidente do Soviete de Petrogrado, organizador do Exército Vermelho e figura central da vitória dos comunistas na Guerra Civil Russa de 1918–1922, que após a morte de Lenine se tornou o principal rival de Estaline na disputa pela hegemonia do Partido Comunista da União Soviética. Trotsky foi também o criador da teoria da revolução permanente, defensor do internacionalismo revolucionário, crítico incansável da burocratização estalinista e fundador da Quarta Internacional, destinada a levar a cabo uma revolução socialista de dimensão mundial.

O seu trajeto e escolhas não estão isentos de crítica – como o não podem estar, aliás, os de qualquer figura pública com elevadas responsabilidades políticas – mas foi, sem sombra de dúvida, pela acção e pela criatividade teórica, uma figura central da história do socialismo. É por isso absolutamente chocante, e significativo, que tantos anos depois da sua terrível morte, setores ligados à ortodoxia marxista, em particular a alguns, cada vez menos, dos partidos comunistas, continuem a utilizar para combater a sua memória – tenho-o visto de novo por estes dias – as falsas acusações de Estaline a propósito da sua hipotética colaboração com os fascismos e com o capitalismo. Prolongando uma das mais degradantes tradições do socialismo dogmático: aquela que considera existir apenas uma via para o progresso da humanidade, transformando todas as outras em inimigos a caluniar e abater.

PS – Sobre o assassinato de Trotsky e o trajeto do seu executante direto pode ler-se O Homem que Gostava de Cães, o belo romance do grande escritor cubano Leonardo Padura, de 2009 (editado entre nós, pela Porto Editora, em 2011).

Na fotografia, de 1938, pode ver-se Trotsky durante o exílio mexicano, tendo a seu lado o pintor Diego Rivera e o poeta André Breton.
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