A praga e o seu necessário antídoto

Nem a relativa calma e o descanso de agosto nos livram da praga quase bíblica de vendedores da banha da cobra que a extrema-direita mobiliza sem parar um só dia para iludir o povo ou mobilizá-lo para os seus objetivos, sejam estes os confessos ou os ocultos. Dúzias de empertigados comentadores da televisão, a chusma disforme de influenciadores digitais, mais uns quantos políticos profissionais com défice de vergonha e untuosos propagandistas com abrigo em jornais que se presumiriam responsáveis, desdobram-se no afã de normalizar o ódio, a violência, a divisão, o medo, a ignomínia, a mentira.

Deste modo, transformam a realidade coletiva num imenso campo de batalha, que só não vê quem já foi engolido por ele ou está em vias de o ser. O problema passa também por que do lado da democracia, do progresso, ou no território da moderação e do bom-senso, a maioria das vozes se ocupa mais a queixar-se desse exército das trevas, em vez de lhe fazer frente onde é mais necessário fazê-lo. Ou seja, no território da comunicação e da informação, incluindo aquela das redes sociais, que não pode ser deixado, diante daquela vaga de insanidade e sordidez, sem a força argumentativa do contraditório.

    Apontamentos, Atualidade, Democracia, Direitos Humanos, Olhares.