Ontem, 24 de agosto, completaram-se 35 anos sobre a independência da Ucrânia. Uma data de particular simbolismo – de festa, mas também de resistência e de combate – nesta fase dramática da vida do país, quando a invasão militar da Rússia continua a fazer vítimas diárias e a forçar um esforço de guerra que, para além da morte, da destruição e do sofrimento provocados de ambos os lados, prejudica em muito o desenvolvimento do país, o bem-estar do seu povo e a própria democracia ucraniana, limitada devido ao estado de guerra. Como prejudica a afirmação de uma Europa forte e democrática. Uma realidade que só não reconhecem a extrema-direita, em regra incondicional apoiante de Putin, e aquela parte da esquerda mais ortodoxa que continua a observar o mundo como se o Muro de Berlim jamais tivesse sido derrubado, conservando um sentimento de nostalgia por um passado mais imaginado que real.
Por um acaso, também ontem recebi no Facebook dois «pedidos de amizade» de pessoas próximas do PCP, embora não saiba em que qualidade. Como sempre, fui ver os seus murais para decidir se as aceitava no meu espaço e a observação, coincidente em ambos os casos, ultrapassou o esperado. Para além da mera reprodução de comunicados do partido e de sucessivas proclamações de apoio a Cuba – que por ser alvo de um cerco injusto e de ameaças da parte de Trump, não deixa de ser uma ditadura – uma sucessão de posts depreciativos para toda a demais esquerda e, acima de tudo, múltiplos apontamentos e ligações contra a Ucrânia, onde se repetia a conhecida invenção sobre o caráter «nazi» do seu governo, insultando-se o seu presidente e os seus militares, sem uma palavra de rejeição da invasão. E, pior ainda, os comentários de quem segue tais pessoas, eram de uma vileza e numa linguagem agressiva que algumas pessoas pensariam impossível entre quem se diz democrata.
Obviamente, rejeitei ambos os pedidos. O que não altera minimamente a forma como vejo o papel necessário do PCP e os meus amigos que sendo militantes ou simpatizantes do partido, apesar de deles discordar muitas vezes, continuo a respeitar como pessoas que pensam pela sua cabeça e com quem é possível, ou mesmo agradável, conviver e dialogar. Existe por ali, todavia, um lado negro, e geralmente muito ignorante, que, apesar do constante recuo político da sua área, deste modo apenas o faz acentuar-se, tendendo a procurar manter-se «firme» no seu imobilismo com a bandeira a adejar entre os destroços.

