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Charles et moi

Agora já posso escrever isto. O segundo disco de 45 rpm em vinil que comprei foi Love Me Do, dos Beatles, mas o primeiro foi Et Pourtant, de Charles Aznavour. Desde a pré-adolescência, a vida toda, sem abandonar os outros gostos, para mim «o» cantor dos amores démodés, perdidos, impossíveis, finitos, implacáveis, que foram tantas vezes aqueles que efabulei ou talvez tenha vivido. Ao longo de décadas, confesso, fui estranhamente pensando no que aconteceria no dia em que Charles morresse, como sentiria uma espécie de orfandade de alguém que não conheci, mas me ajudou tantas vezes a viver a vida. E fui construindo uma playlist improvável, destinada a esse momento, que trouxe sempre no bolso. Chegou a vez de a pôr a tocar só para mim.
[Publicado originalmente no Facebook]

    Apontamentos, Artes, Memória, Música

    «Like a complete unknown»

    Fotografia de Zoe Pilger
    Fotografia de Zoe Pilger

    Longe de ser consensual ou de causar indiferença, a escolha do Nobel da Literatura deste ano tem suscitado reações extremadas, algumas um tanto irracionais. Ainda bem que assim acontece, pois não é todos os dias que tantas pessoas, incluindo-se nestas algumas que pouco ou nada se interessam realmente por literatura, e mais em particular por poesia, exercem o seu direito a pronunciar-se sobre a justeza ou a desrazão de um prémio desta natureza. Nas redes sociais, onde o repentismo e a facilidade da escrita são um microfone aberto, essas opiniões têm sido particularmente ferozes.

    Em boa medida por razões geracionais, fiquei feliz com a escolha. Bob Dylan – ou melhor, os diversos Dylan de um trajeto obstinado e sinuoso – tem, sem dúvida, um lugar fulcral na banda sonora e na educação poética da minha vida. Além disso, sempre fui dos que valorizam tanto o texto quanto a música das canções nas quais reparam e de que gostam. Mas tal não significa que tenha julgado a opção do Comité Nobel necessariamente a melhor. Se me pedissem antes para escolher vinte candidatos ao prémio, talvez não colocasse lá Mr. Zimmerman, mas isso aconteceria também com a muitos dos autores premiados pela academia sueca. O que me interessa aqui é outra coisa: qual o motivo que levou a decisão a paroxismos de análise e à exaltação dos ânimos? Respondo centrado em dois aspetos. (mais…)

      Leituras, Memória, Música, Olhares, Opinião

      Banana

      Velvet Underground

      Alguém insinuou que estava a mentir quando, a meio de conversa sobre o modo como na década de 1960 os jovens portugueses de classe média se dividiam entre adeptos dos Beatles e fãs dos Rolling Stones, disse que era antes seguidor dos Velvet Underground. Que não podia ser, e tal, porque a música deles ainda não chegara cá. Que sim, disse eu, porque ia todos os dias à missa. Isto é, ouvia religiosamente o programa Em Órbita, no Rádio Clube Português, e este, pioneiro contumaz da música moderna, passava regularmente a banda nova-iorquina fundada em 1964 sob os auspícios de Andy Warhol. E assim era. Este sábado, 16 de Abril, até se perfazem 50 anos sobre o início da gravação do seminal The Velvet Underground & Nico. Quase toda a gente sabe qual é: aquele álbum “da banana”, reunindo Lou Reed, John Cale, Sterling Morrison, Maureen Tucker e, claro, a inefável Nico. 50 anos, com mil diabos.

        Apontamentos, Artes, Memória, Música

        Brixton Boy

        David Bowie por Annie Leibovitz
        David Bowie por Annie Leibovitz

        Como aconteceu com tantos milhões de pessoas de diversas gerações, credos, gostos e modos de estar, a morte de David Bowie não me deixou indiferente. Aliás, mesmo que eu o quisesse, isso seria impossível, dada a catadupa de notícias, memórias, entrevistas, vídeos, documentários, fotografias, músicas, dossiês temáticos e muito, muito mais, projetando por todo o lado a vida, a morte e a presumível imortalidade do «Brixton Boy».

        Admito que não o fui, não sou, um absoluto incondicional de Bowie. Terei gostado muito de boa parte do que fez como músico, ator, performer, «artista visual» (como lhe chamou Annie Leibovitz), e outras coisas mais, mas terei ficado razoavelmente indiferente a algumas outras. Em cada álbum, por exemplo, escolhi sempre três ou quatro temas, deixando os restantes mais ou menos de parte. E não, não viajei até ao sétimo céu com as palavras do Major Tom em Space Oddity. Em 1969, aliás, as viagens espaciais que me ocupavam eram outras. (mais…)

          Artes, Atualidade, Memória, Música, Olhares

          Edith 1963

          Piaf

          Todos temos, daquela fase da vida que medeia entre os 6 e os 12 anos, lembranças ténues, esparsas e invariavelmente aleatórias. Nada recordamos de factos reconhecidamente importantes – um exame decisivo, o passamento de um familiar, o primeiro devaneio vagamente amoroso – e, de repente, percebemos que alguma coisa na qual ninguém mais reparou, insignificante para os outros mas para nós decisiva, ficou cravada na memória que nos cabe. Perfazem-se hoje exatos 50 anos sobre o desaparecimento de Edith Piaf e lembro-me muito bem da estrada do norte, da paisagem húmida e verde, sobre as quais, sentado no banco de trás do Volkswagen carocha, pude ouvir na rádio em onda média a notícia da sua morte. Logo seguida da passagem desse hino à vida, tão pessoal e triste e redentor, que é «Non, je ne regrette rien». Com a idade que tinha, não conhecia uma palavra de francês, não sabia que a Piaf falava da vida vivida, mas julgo ter sido aquela a primeira vez que percebi, de uma forma silenciosa mas inesquecivelmente intensa, que a presença de alguém nem sempre se dissolve com a sua morte.

            Apontamentos, Memória, Música, Olhares

            Isto agora, José…

            José Afonso

            Republico este post no dia em que, se por cá estivesse a aturar a corja e a dar-nos força para a pôr a andar, José Afonso perfaria 84.

            Não, não vou invocar uma relação de proximidade com José Afonso. Falei com ele uma única vez, por curtos instantes, e ouvi-o cantar uma dúzia, se tanto, sempre com a cábula por perto. Ouvi-o desafinar. Vi-o até tocar violão, coisa que, como lembra Rui Pato e posso confirmar, fazia pessimamente. Mas mais nada. Por isso não o chamo de Zeca, tratamento carinhoso e plebeu que sempre olhei como um exclusivo dos seus íntimos. Gostei medianamente de alguma da sua música (das primeiras baladas, de forte carga simbólica mas ainda demasiado próximas, para o meu esquisito gosto, do fado de Coimbra), muito de outra (com aquelas linhas poéticas inesquecíveis), muitíssimo de dois ou três discos, tão bons, tão bons, nos textos e nas composições. Vejo Cantigas do Maio, arranjado por José Mário Branco, como um dos três maiores álbuns de sempre da música popular portuguesa (a par do Com que Voz, da Amália, e do Mudam-se os Tempos…, do mesmo José Mário). Mas aquilo que sempre olhei como um seu lado singular, estimável e verdadeiramente exemplar foi o bravo quixotismo, a perene inquietude, o pendor para a anarquia, a atitude crítica, o modo poético de falar, de pensar, até de parecer, a capacidade para fazer amigos (lembram aqueles que o foram), a coragem que o fez circular pela vida sempre sobre parapeitos, o antidogmatismo pelo qual foi criticado por parte dos que agora, numa vaga de unanimismo acrítico, o incensam como um dos seus (nem sempre foi, sabiam?). Será esse lado independente e solidário, simples e desassossegado, convicto mas aberto à fantasia, que, tanto quanto a sua música, dele podemos recolher ainda como exemplo. Faz-nos falta. Faz, faz, porque isto agora, José…

              Artes, Atualidade, Memória, Música

              Memória do tango

              tango

              Ao ver uma pequena multidão de jovens turcos revoltosos a dançar o tango em plena Praça Taksim, lembrei-me deste post escrito há sete anos. Quando a minha e a nossa vida (e, talvez, também a deles) era um pouco menos preocupada.

              Por considerá-lo imoral, em 1910 o governo argentino decidiu proibir o tango. Nessa época eram extremamente populares tangos com títulos másculos, como «Esta noche me emborracho» e «Metele bomba», ou bastante ordinários, como «Tocamelo que me gusta!», «Dós sin sacarla», «Dejamelo morir adentro» e «El 69», o que não é de admirar pois o local de eleição dos tangueros e das suas acompanhantes era então a sala comum do prostíbulo. Devido àquela medida profilática, renovada algumas vezes até à década de 1950, foram muitos os dançarinos e orquestras de Buenos Aires e de Rosário que se viram forçados ao exílio, levando a música do bandoneón até Nova Iorque, Paris, Londres ou Berlim. Aí foi depurado, maquilhado, transformado em espetáculo de sociedade, retornando a casa mais maduro e asseado como «pensamiento triste que se baila». Mas jamais perdeu o odor canalha e pouco conforme a uma vida sossegada. Afinal, Carlos Gardel, El Morocho, o mais famoso dos seus cultores, fez a maior parte da carreira a cantar com uma bala alojada num pulmão, e essas coisas não se apanham com correntes de ar.

                Apontamentos, Cidades, Música, Olhares

                As escolhas

                Quanto mais difíceis, incertas e dramáticas são as épocas e as situações, mais facilmente se reconhecem as grandes qualidades e os piores defeitos daqueles que as vivem. Aquilo que de melhor e de pior todos nós temos. E isso acontece mesmo em situações-limite, quando o medo do sofrimento, da exclusão e da morte pode fechar cada um sobre si próprio, aparentemente impenetrável e dúctil, ocupado com as tarefas mais elementares da sobrevivência. Calar-se, não ver, passar ao lado, sair dali, é então a atitude mais comum. No entanto, os relatos dos que sobreviveram ao internamento nos campos de concentração e de extermínio recordam, com insistência, que mesmo nos limites mais extremos da barbárie dos carcereiros e da desumanização dos detidos foi possível, em instantes fugazes, aparentemente impercetíveis, mas muito intensos, encontrar sinais de compaixão e de coragem, bem como, ao invés, marcas indeléveis de impiedade e traição. (mais…)

                  Atualidade, Cinema, Memória, Música

                  A House Is Not A Home

                  Um amigo que sem querer perdi algures disse-me uma vez que a música mais noturna que conseguia conceber era a de Bill Evans. Mas nunca se explicou, não teve tempo ou alguma coisa nos separou antes desse tempo chegar. Talvez ele a associasse, imagino-o agora, à sombra longínqua da cave nova-iorquina onde nunca estivera, ao ruído dos copos cheios e vazios por cima das conversas que ouvira em filmes, ao fumo denso dos cigarros exibidos nas capas dos discos. Nunca o contrariei, embora tivesse uma outra percepção, bem mais diurna e próxima do piano de Bill. Tardes quentes da infância com os febrões próprios da infância. O termómetro a subir e os lençóis frescos, mudados de fresco. Uma mosca a espiralar. A luz filtrada pelas cortinas da casa que um dia foi a minha. Os passos suaves da minha mãe na escada exterior. A porta entreaberta e, vindo lá do fundo do fundo do corredor, aquele timbre singular no velho rádio de onda média. Um Bill febril a chegar com a luz do dia.

                    Memória, Música, Olhares

                    Vai então, Scott

                    A passagem do tempo é danada e por isso estão a acontecer tantas mortes de pessoas com quem aprendi a fábula do mundo. No verão de 1967, eu era um pré-adolescente que vivia numa pequena vila de província onde nada acontecia de imprevisto ou de incompreensível. Entretinha-me por isso, como muitos outros em lugares idênticos, a imaginar vias de escape, vidas possíveis, menos frágeis e mais excitantes, alternativas de cidades, hipóteses de estradas, remixes de ambientes onde tudo fosse obrigatoriamente diferente da monotonia pequena com banda sonora de fado plangente e zumbido de moscas. Os cenários previstos eram copiados dos romances de aventuras, das revistas de atualidade, dos filmes e das séries que passavam na televisão, das músicas que podia ouvir e guardar dentro do que era possível ouvir e guardar no Portugal daqueles anos.

                    Como para milhões de jovens, dali, de outros países e de todos os lugares, um dos pontos de fuga e alternativa possíveis era a cidade de São Francisco. Por causa da ponte suspensa e das ruas paralelas e onduladas mostradas no Vertigo de Hitchcock ou no Bullit de McQueen, talvez, é provável; mas principalmente por ser a cidade eleita daqueles ingénuos bandos de rapazes e miúdas de longos cabelos floridos, «a whole generation with a new explanation», que pareciam anunciar (eles acreditavam que sim) o princípio do mundo. Um mundo outro, mais feliz, com toda a certeza, porque menos igual àquele que os (e nos) limitava. Por isso, como tantos mais, ouvi nesse verão, infinitas vezes, em loop eterno, o primeiro disco que comprei, contendo o hino de Scott McKenzie convocando para um encontro algures em San Francisco. Lugar para onde partiria, se me deixassem e o oceano não fosse tão largo, de olhos fechados e com um brilho na alma. Vai então, Scott, e, man, pá, «be shure to wear some flowers in your hair». É o mínimo.

                      Cidades, Memória, Música

                      Elvis’54

                      Elvis Presley

                      Elvis “The Pelvis” Aaron Presley gravou o seu primeiro álbum a 5 de Julho de 1954. Há precisamente cinquenta e oito anos. E o planeta não mais deixou de bambolear as ancas.

                      [youtube]http://www.youtube.com/watch?v=w-ii6jpdOEk[/youtube]
                        Apontamentos, Artes, Música

                        A bela palavra

                        Mantenho uma relação difícil com a palavra «camarada». Houve um tempo no qual a pronunciei vezes sem conta. Para mim significava então um destino, uma missão. Uma vontade de partilhar a redenção dos que a história havia empurrado para a humilhação e a pena. A certeza de que esse resgate chegaria. E por isso um sinal de futuro. Era essa a palavra bonita, «c’est un joli nom, tu sais», que Jean Ferrat, comunista e artista de variedades, proclamava em 1968. Aquela que combinava o sabor da cereja e o da romã com os perfumes do maio. Mas na mesma canção Ferrat rompia com o PCF e acusava os tanques russos: «Ce fut à cinq heures dans Prague/ Que le mois d’août s’obscurcit/ Camarade Camarade». Porque a palavra serviu também, no dobrar das décadas, para perseguir e delatar, para marcar um grau de pureza («amigo, companheiro, camarada»), para torturar e abater («porque desejas, canalha, matar o Camarada Estaline?»), deixando manchar o brilho matinal que estava na sua natureza. E, no entanto, sobreviveu. Porque nenhum mal foi capaz de expulsar a centelha que contém. A fraternidade que invoca, que espera, que procura. «Camarada» permanece uma palavra linda. Por isso necessária.

                          Apontamentos, Música, Olhares

                          Perfilados de Medo

                          [youtube]http://www.youtube.com/watch?v=OzwdYxxhwPc[/youtube]

                          Sobre uma fotografia de sentido expressivo petrificante, tirada ontem durante a cerimónia oficial de abertura do Guimarães 2012 – Capital Europeia da Cultura, e uma troca de comentários no Facebook a respeito da mesma (e apenas dela, não do evento), recupero uma canção de José Mário Branco com cerca de quarenta anos composta sobre um soneto de Alexandre O’Neill com mais de cinquenta.

                          Perfilados de medo, agradecemos
                          o medo que nos salva da loucura.
                          Decisão e coragem valem menos
                          e a vida sem viver é mais segura.

                          Aventureiros já sem aventura,
                          perfilados de medo combatemos
                          irónicos fantasmas à procura
                          do que não fomos, do que não seremos.

                          Perfilados de medo, sem mais voz,
                          o coração nos dentes oprimido,
                          os loucos, os fantasmas somos nós.

                          Rebanho pelo medo perseguido,
                          já vivemos tão juntos e tão sós
                          que da vida perdemos o sentido…

                            Apontamentos, Música, Olhares, Poesia

                            Amendoim

                            Muitos portugueses jamais viveram assim pois nasceram e cresceram num tempo de ilusória abundância. Mas quase todos eram pobres, ou então, como se dizia, remediados. A pobreza não era uma situação, era uma condição; não era uma circunstância, mas um estigma. Quem nascesse pobre não tinha outro horizonte que não o da pobreza, se não tivesse a sorte de encontrar um bom padrinho ou de acertar no Totobola. Em aposta simples, pois a múltipla saía cara. Já remediados eram quase todos, seguindo um padrão de vida que no entanto seria hoje o da pobreza. Tinham dinheiro para o essencial, se poupassem muito e não fizessem o que não deviam. Evitar o mais possível os cafés, os cinemas, os passeios e as noitadas, não fazer férias longe de casa ou jogar cartas a dinheiro, eram deveres essenciais para permanecer remediado e não baixar de nível social. Nem mesmo as crianças escapavam ao regime: tinham brinquedos baratos de lata, pano ou madeira, que passavam de geração em geração, compravam rebuçados de meio tostão e na Páscoa tinham um saquinho de amêndoas que deviam partilhar com os irmãos. Num dia especial, conseguiam um cone de caramelo tingido a corante e embrulhado em papel vegetal. Quando cresciam um pouco e começavam a desinteressar-se dos doces, passavam à pevide ou ao amendoim torrado, companhia rotineira de uma laranjada bebida com moderação. Gelados, só os feitos pelas mães. Matraquilhos, só com os escudos contados. E eram filhos de funcionários públicos, de professores primários, de quadros técnicos, de polícias, até de militares de patente baixa. Não eram filhos de operários, camponeses ou empregados de comércio, pois esses nem com tais frivolidades podiam sonhar. Se tudo acontecer como previsto e a sagrada Europa quiser, será a esse tempo que sem as devidas distâncias tornaremos em breve.

                              Apontamentos, Democracia, Música

                              Cascais’71

                              Cascais 71

                              Em novembro de 1971, o primeiro Festival de Jazz de Cascais («Newport na Europa») reuniu num programa excecional a nata da cena jazística mundial. Se for apreciador do género, para o confirmar basta que leia com atenção todas as linhas do cartaz acima reproduzido. No qual faltam aliás nomes também presentes mas que começavam apenas a carreira e por isso não eram destacados, como o contrabaixista Charlie Haden, a acompanhar então Ornette Coleman, e o pianista (na época apenas elétrico) Keith Jarrett, que tocava com um bastante irascível Miles Davis. Estive por lá, sim, comendo o pó de cimento de um pavilhão ainda em obras e bebendo cervejas estupidamente chocas. Mas, acima de tudo, encaixando momentos de beleza e exaltação cujos ecos continuam, garanto, a reverberar.

                              Obrigado à A.S. por se ter lembrado de me avivar a memória quando deu de caras com isto.

                                Etc., Memória, Música