Redes sociais: os prós e os contras

De vez em quando, embora cada vez mais nos últimos tempos, amigos e amigas que usam com regularidade as redes sociais começam a mostrar um compreensível incómodo face ao que de mau diariamente presenciam. Vários deles acabam mesmo por abandoná-las, ou, pelo menos, por reduzir a sua presença ao mínimo, o que é praticamente a mesma coisa. Não é escolha que já não me tenha ocorrido em momentos mais negativos, mas como uso a Internet, de forma sempre muito ativa, desde 1994 – em boa parte da minha vida, pois – passei por tantas experiências, algumas bem conturbadas, que acabo sempre por relativizar o que acontece. O que não me impede de pesar periodicamente os prós e os contras que esta presença contém.

Aqui vai um pequeno inventário atualizado.

Começo pelo que elas nos trazem de negativo, sendo o rol necessariamente longo e incompleto. A presença da agressividade, até a de pessoas que no contacto direto são habitualmente afáveis. A disseminação da mentira, em boa parte associada a formas de extremismo ou de dogmatismo político, sobretudo à direita, mas também, infelizmente, de outras áreas. A falta de gentileza e a transformação de relações normais em momentos de conflito. O uso do meio como lugar para caluniar pessoas de quem não se gosta ou posições das quais se discorda. A palavra usada de forma demasiado fácil, rápida e imponderada, levando a conflitos ou mesmo a cortes de relações, muitos que jamais ocorreriam em contactos presenciais. Ainda, sobretudo mais recentemente, o excesso de publicidade agressiva, em boa parte com recurso a esse instrumento abusivo que são os algoritmos. Além do uso do meio pelas centrais de propaganda da extrema-direita e dos populismos que procuram disseminar o ódio, a desconfiança e a desinformação.

Mas existe também muito de positivo, limitando-me aqui à experiência das redes que mais utilizo, que são o Facebook, o Instagram e o WhatsApp. Esta contabilidade é também incompleta. A possibilidade infinita de conhecer mais e de forma mais rápida sobre qualquer assunto. A atualidade e a diversidade da informação que chega. A forma fácil de «fazer amigos e conhecer pessoas», podendo muitas delas tornar-se efetivamente nossas próximas, como já me aconteceu com largas centenas. A grande hipótese de reencontrar homens e mulheres cujo contacto fomos perdendo ao longo da vida e que de outro modo jamais reaveríamos. A habitação de um lugar público para exprimir opiniões de uma forma livre e, por vezes, para fazer valer os nossos pontos de vista como cidadãos. A capacidade de facilmente divulgar eventos e iniciativas nos quais participamos ou que de algum modo nos interessam. A vivência de um espaço que nos permite sair da bolha, silenciosa e triste, para a qual tantas vezes somos empurrados. O que pode perfeitamente fazer-se sem que a presença se torne obsessiva e nos afaste da vida lá fora.

Por tudo isto, o que tenho feito, além de permanecer ligado, é procurar dizer aos amigos de quem gosto que permaneçam. Ainda que, como também acontece comigo, o façam de forma assumidamente seletiva. A nossa qualidade de vida agradece e a democracia também.

Fotografia: Robin Worrall

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