Os belos anos dos vinte anos

É comum o uso da referência ao numeral da década para marcar o caráter, para elas único e inigualável, que para muitas pessoas detiveram certos períodos das suas vidas. Consideram que quase tudo o que neles viveram foi perfeito e nunca visto, desde a moda à música, do cinema à literatura, dos hábitos aos divertimentos, das sociabilidades aos consumos ou mesmo às manias pessoais. Foram os «maravilhosos anos 50», os «loucos anos 60», os «incríveis anos 70», os «fantásticos anos 80», e por aí afora. Depois deles «nada voltou a ser que era».

Porém, para quem tenha um conhecimento razoável da história recente, tudo isto é sempre relativo, correspondendo a tempos após os quais, como na canção do Fausto, «outros tempos hão-de vir». Existe, todavia, um traço comum a quem cultiva e proclama a dimensão absoluta dessa excepcionalidade: quem o faz vivia então na casa dos seus vinte anos, quando tudo, absolutamente tudo, é mais intenso, mais enérgico, mais dramático, mais único, mais «novo», e, por isso, incomparavelmente melhor lá dentro da sua memória.

Fotografia de Etienne Girardet
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