Li hoje no Público, assinado por Elsa de Barros, professora do 1º ciclo, um artigo tão útil quanto preocupante («A falta de vocabulário representa uma forma de desigualdade social: como contribuir para a colmatar?»). A partir da sua experiência pessoal, a autora refere a dificuldade em fazer-se compreender nas aulas, pois «não só os alunos não conheciam vocábulos aparentemente simples, como era difícil explicitá-los, porque lhes faltavam muitas outras noções que lhes permitissem compreender a explicação». Essa dificuldade passa em boa parte por dinâmicas de exclusão social, como bem refere com exemplos. Mas também por outros fatores, onde se integram, acrescento agora eu, o défice de leitura, aquilo que ouvem em casa e o que lhes passa pela frente, ou não passa, na televisão e nos jogos de computador. O problema é ainda maior se constatarmos como, falo de experiência própria, esta dificuldade de compreensão quase generalizada já chegou há pelo menos uma década mesmo aos alunos do ensino superior. A verdade é que, com cada vez menos palavras, a ignorância tende a aumentar, a variedade do mundo a encolher e a incompreensão do outro a espalhar-se.

