Quando nas aulas de história contemporânea lhes procurava explicar o sistema partidário português, uma das dificuldades que tinha com os meus alunos estrangeiros, principalmente europeus, que se mostravam interessados no tema, passava por anular junto deles um compreensível e recorrente equívoco. Consistia ele em associarem o Partido Social-Democrata à social-democracia, julgando-o à medida do que conheciam dos partidos análogos dos seus países.
Como sabem muitas pessoas, esta é uma ideologia de centro-esquerda – dispenso agora uma referência à sua longa e atribulada história – que, dentro da democracia representativa, procura conciliar o capitalismo com a justiça social, defendendo o papel de um Estado forte e protetor. Procurando ainda reduzir as desigualdades através da regulação económica, com impostos progressivos e um acesso alargado a serviços públicos como a saúde e a educação.
Já o PSD português, nascido Partido Popular Democrático com a Revolução de Abril e rebatizado em 1976, por causa do clima tendencialmente progressista do qual Sá Carneiro se aproximara, é hoje um partido de centro-direita, por vezes associado à extrema-direita, que tendencialmente favorece a atividade privada naqueles domínios essenciais da sociedade. Chamá-lo «social-democrata» é, pois, uma prática muito difícil de explicar e de colocar no devido lugar.

