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Porquinhos e censurados

Segundo o Yorkshire Post, a directora de uma escola inglesa da região, preocupadíssima com a sensibilidade religiosa dos seus pequenos alunos, maioritariamente provenientes de famílias muçulmanas, resolveu retirar da biblioteca os livros que mencionavam a história de Prático, Heitor e Cícero, os conhecidos Três Porquinhos. Sempre achei as peripécias destes bichos humanizados – concebidas no século XVIII mas definitivamente popularizadas, a partir de 1843, com as Nursery Rhymes and Nursery Tales de James Orchard Halliwell-Phillipps – uma coisa desenxabida, piorada depois na versão moralista e um tanto apatetada de Walt Disney. O mais interessante da história era sem dúvida o seu vilão, o Lobo Mau, que surgia como referente simbólico de um dos grandes medos que durante séculos afligiram os europeus. Mas aquilo que terá incomodado a senhora foi antes a referência subliminar – que deveria ser omitida em nome de uma maneira servil, e um bocadinho patológica convenhamos, de entender a diversidade cultural – a qualquer coisa de comestível. Como carne de porco, por exemplo.

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    Little Italy, ali

    A notícia chega de Vila do Conde e, como sabemos, apesar de situada numa região movimentada e de elevada concentração demográfica, Vila do Conde não é propriamente São Paulo. Mas o crime tomou ali uma configuração particularmente preocupante. Na zona industrial da Varziela, onde existe um grande número de lojas de imigrantes de origem chinesa, estas têm sido objecto de uma série de roubos e extorsões à maneira da velha Little Italy de O Padrinho II. Parece que os chineses que se dedicam ao pequeno comércio são, maioritariamente, para além de grandes trabalhadores, tão ciosos do seu dinheiro que preferem guardá-lo consigo a depositá-lo no banco ou a transaccioná-lo sob a forma de cheques ou de cartões de crédito. O resultado é tornarem-se alvos preferenciais de quem se dedica a apropriar-se daquilo que não lhe pertence. Foi justamente o que percebeu uma das quadrilhas da região, agora desmantelada, a qual ao longo de algum tempo se dedicou a espiar os hábitos diários dos chineses e a adaptar a sua mão-leve a esses hábitos, entrando-lhes nas casas enquanto se encontravam nas lojas. O que não deixa de parecer um tanto estranho, para a sociedade quase paroquial na qual ainda há pouco acreditávamos habitar, é que essa quadrilha era composta por imigrantes albaneses. Bem-vindos pois ao presente!

    Pós-escrito – Parece-me claro que este post não integra intenções xenófobas. Constata apenas a emergência de uma forma de sociabilidade que ainda aparece entre nós – sugestionados durante décadas pela conversa dos «brandos costumes» – como uma originalidade.

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      Tédio e zeros

      O Dia D, suplemento de economia editado pelo Público que pode ser folheado por leitores normais, costuma oferecer na última página a explicação do «dia mais longo» da vida pessoal – ignore-se agora a redundância – de certas e determinadas pessoas. Na escolha dos declarantes, o denominador comum reside na sua condição de figuras mais ou menos públicas. Como seria de esperar, as respostas são muito diversas, mas, invariavelmente, as piores são aquelas fornecidas por políticos e executivos directamente ligados ao universo empresarial. Por muito jet-lag que experimentem, números do The Economist que citem e tardes em Wimbledom ou Roland-Garros que tenham passado, raramente declaram algo de mais emocionante do que um dado dia no qual precisaram tomar, em poucas horas ou mesmo em minutos, decisões gravosas envolvendo um grande número de zeros. Não sei se os nossos gestores estarão entre os mais aborrecidos do mundo – insuspeitos, tal como os portugueses, de influências calvinistas, os japoneses serão, sem dúvida, muito piores – mas jamais nos convencerão a olhá-los como modelo.

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        Evidência

        Sublinho duas frases de Giuseppe Granieri que chegam com a Geração Blogue: «Os blogues, no seu conjunto, são a parte habitada da Rede». Por detrás deles, sempre «um indivíduo e o seu ponto de vista sobre o mundo». Fora deles, neste território, nada de tão livre, simples e imprevisível.

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          Esses não morreram na cama

          Pinochet
          Quando soube da notícia apenas lembrei aqueles a quem atiravam nas pernas, depois arrancavam os olhos à faca, de seguida os dentes com um alicate, e, ainda vivos, empurravam para dentro de helicópteros Puma para serem lançados ao Pacífico. Esses não morreram na cama.

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            Ao sorriso, camarada!

            Ségolène
            Do encontro do Partido Socialista Europeu, no Porto, ficará um recanto da nossa memória visual. Uma tribuna na qual se destacava um tom de vermelho entremeado de fatos completos. Os participantes que se aproximavam em francês na segunda pessoa do singular. Uma vaga lembrança, presa na fala, da velha canção de Ferrat («C’est un joli nom Camarade / C’est un joli nom tu sais»). Ségolène Royale simpática, coqueta, coberta de flores, de mais flores e de muitos beijinhos. Da substância não me recordo muito bem: afinal já passaram dois dias.

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              Kramer vs. Bin Laden

              Cosmo Kramer
              Não terão sido as tiradas de Michael Richards numa sessão de stand-up comedy na Laugh Factory, no mínimo «politicamente incorrectas», a condicionarem a mudança. A decisão já estaria tomada. Mas existe algo de intrigante no facto de a TV-Cabo se preparar para, no pacote de canais que entra em vigor no próximo Janeiro, trocar a SIC-Comédia – que até ocupava a décima posição nas audiências – pela Al-Jazeera. Não acredito que seja a previsão de audiências a justificar a medida. E ficamos, literalmente, com menos razões para rir.

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                Era a guerra / É a guerra

                Paris - La guerre

                «Vous parlez tout le temps de guerres. Il ne pouvait pas être question de guerres. Ces gens étaient des hors-la-loi. On ne fait pas la guerre à des hors-la-loi. On les extermine. Des hors-la-loi! Mon garçon, c’était une grande époque. Oh! c’était du beau travail, une merveille de l’organisation et d’audace dans l’exécution.»

                Em De l’origine du XXIe siècle (2000), um filme de 17 minutos de Jean-Luc Godard e Anne-Marie Miéville, contendo imagens de arquivo da 2ª Guerra Mundial e atrocidades nazis, entrecruzadas com extractos de Maurice Chevalier em Gigi, de Jerry Lewis em The Nutty Professor, e de À bout de souffle, do próprio Godard (ECM Cinema).

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                  Fé (ou: o passado nunca existiu)

                  Da entrevista concedida ao jornal Público por Blanco Cabrera, dirigente do Partido dos Comunistas do México que participa, em Lisboa, no Encontro Internacional que junta 63 Partidos «Comunistas e Operários»:

                  «Na Coreia do Norte há fome. Não acha que há um grande distanciamento entre a clique política e o povo?
                  Conhecemos a experiência da sociedade não capitalista na Coreia do Norte. Sabemos que é um caminho que conta com a aceitação do povo.
                  Como é que sabe que conta com a aceitação do povo? A Coreia do Norte é um país opaco e repressivo…
                  Recebemos a informação que nos é dada pelos companheiros do partido coreano e houve uma ocasião em que uma delegação do nosso Partido visitou a República. Efectivamente, é pouco o que se sabe, mas nós confiamos.»

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                    Heróis com mácula

                    Loren
                    Poderão Simone de Beauvoir, Alexandre Solzhenitsyn, Sofia Loren, Mary Quant, Rainer Werner Fassbinder, a princesa Diana, Juan Carlos de Borbón, Franz Beckenbauer ou a Madre Teresa de Calcutá integrar, ao mesmo tempo, o admirável panteão dos heróis mundiais do pós-2ª Grande Guerra? Para a revista Time, que acaba de publicar o extenso dossier «60 Years of Heroes», podem, sem dúvida alguma. Claro que nenhum deles detém a heroicidade paradigmática de figuras como Aquiles, Alcibíades, El Cid, Francis Drake ou Giuseppe Garibaldi, mas a estes já o tempo e a lenda transformaram há muito em semideuses de visita aos parentes terrenos. E a Time possui, do conceito de herói, uma concepção bastante democrática.

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                      Portugalete

                      Recebi há cerca de dois meses um cartão de débito da Caixa Geral de Depósitos que substituía o anterior, em final de prazo de validade. Este apontava como novo «tempo de graça» aquele que se estenderia até Abril de 2009. Há dois dias, porém, chegou-me um novo cartão, agora com o diferente prazo-limite de 09/09. Ao procurar conhecer o motivo de tão rápida troca, tentando saber qual dos cartões deveria afinal utilizar, recebi da amável menina que me atendeu nos «serviços de apoio» da Caixa uma explicação edificante. «Sabe», disse-me a moça, «por razões informáticas foram omitidos nos anteriores cartões os títulos académicos de quem os possui», acrescentando que «entretanto recebemos inúmeras queixas por parte de clientes que se sentiam lesados». Olhei de novo para o cartão mais recente – enquanto ouvia mais um «obrigado por ter recorrido aos nossos serviços» – e lá estava, de facto, o tão requisitado e distintivo título. Situações como esta devolvem-me, por vezes, um certo respeito pelos tempos do tratamento igualitário. «Cidadão», «camarada», «irmão», «sócio», «parceiro», «pá», «amigo» igual a mim.

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                        Provocação

                        Uma palavra velha no ar, para legitimar a censura. A palavra é «provocação». O encenador Hans Neuenfels é «provocador» porque, no Idomeneo, colocou em cena as cabeças cortadas de Buda, de Cristo e de Maomé. O papa é «provocador» porque argumentou em nome da fé que julga «a verdadeira», confrontando os que consideram a sua como «a única». Lenine «provocou» quando escreveu O Estado e a Revolução. Saramago «provocou» quando criou uma nova leitura dos evangelhos. Stravisnky «provocou» quando produziu A Sagração da Primavera para os Ballets Russes de Diaghilev. Joyce e D. H. Lawrence «provocaram» quando escreveram Ulisses e O Amante de Lady Chatterly. Genet quando redigiu o Diário de um Ladrão. Rushdie quando lançou os Versículos Satânicos. Não constar do Index librorum prohibitorum será talvez, no limite, grosseira «provocação». Mas não existe criação, ou ideia inovadora, ou defesa coerente de uma causa, que vivam sem a suprema «provocação» de confrontarem outras. Dizer que não é conveniente porque, que não agora porque, que se deve silenciar porque, que pode ser chocante porque, é o argumento primeiro de todas as ditaduras e de todos os que desejam, ou admitem – o que é praticamente a mesma coisa -, um controlo «razoável» das consciências. Será que dizer uma verdade assim tão simples e tão essencial constituirá uma «provocação»?

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                          O sublime do cigarro

                          Magritte, Belga
                          René Magritte: projecto de publicidade para os cigarros Belga (1936)

                          Se existe leitmotiv certo nas imagens que tenho reproduzido nos blogues, ele pode ser encontrado na presença do cigarro. Não se trata de campanha contra o antitabagismo demencial que tem ocupado governantes de diferentes países. Nem de tique de dandy ou de rebelde, procurando no gesto singular a marca da diferença ou da insubmissão. Fui percebendo que o fazia de forma não-consciente, levado, talvez, tanto quanto pelo gosto do tabaco, pela beleza que detecto na volúpia do verdadeiro fumador. Não o viciado em nicotina, que já não fuma por prazer, mas aquele que sabe esperar o justo momento e se pode rever nas palavras de Richard Klein em Cigarettes Are Sublime (Duke Univ. Press, 1993). Assim: «Fumar um cigarro pode ser comparável a escrever um poema: inalando o fumo quente da própria criação, deixando que as palavras no papel possam arder ao ar visível de uma elocução surda, exalando em espiral figuras de desejo, conduzindo, com gestos modulados pelo fumo, uma conversa que ninguém mais pode escutar.»

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                            Private Road

                            Ser benigno, caro Luís Mourão, não é obviamente a mesma coisa que ser sensato. O pior que nos pode acontecer é que em nome da amabilidade, ou do desejo frouxo de permanecermos invisíveis, alguma vez, algum dia, esqueçamos a capacidade de pensar sozinhos e de falar de maneira única. De pronunciar o que pensamos como só nós pensamos e somos capazes de pronunciar. Concordemos pois em dissonância.

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                              Vida soviética

                              Shostakovitch
                              Nos cem anos sobre o nascimento de Dimitri Shostakovitch pode recordar-se a intensíssima capacidade criadora, a multiplicidade dos géneros dos quais se serviu, a dimensão monumental de quase todas as sinfonias, a dor e o grito que se podem escutar principalmente nos quartetos de cordas. Pode também falar-se da tensão constante que foi a sua hesitação entre o vermelho e o cinza. Do esforço, e do perigoso jogo que jogou, para sobreviver ao combate entre o seu interesse pelo experimental, pelas «perversões formalistas» e «cosmopolitistas», ou pelo introspectivo e melancólico, e o panfletarismo do realismo socialista, que o «paizinho dos povos» foi acompanhando com sucessivas exigências e ameaças pessoais. Mas prefiro lembrar a vida quase sempre solitária de uma figura pública. Homem de Mármore e comunista, e músico, que conviveu, por vezes como cúmplice, com a degradação do silêncio.

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                                Invenção do património

                                Passou por mim um autocarro dos transportes públicos chamando a atenção dos passantes para o «perímetro medieval» da urbe. Uma linha a branco sobre a chapa traçava os contornos do antigo e inexistente castelo, sublinhando a imagem de um património desenhado por dentro das cabeças. Afinal, tirando a velha porta de Almedina e meia dúzia de pedras perdidas na Couraça de Lisboa, já não existem muralhas, torreões, cubelos. Nem a poeira deles. Quase nada para além de algumas casas oitocentistas, de portas a ranger, alguns edifícios religiosos, pedras exaustas, as luzes e as paredes da universidade antiga. Dão-se porém alguns prospectos aos turistas e a estudantes do sétimo bê e eles crêem-se felizes a circular por entre almocreves, bufarinheiros e artesãos, camponesas, frades e mendigos. Resvalando pelo tempo, como num filme.

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                                  Modo real

                                  «Sou um simpatizante da esquerda por sede de harmonia, de dignidade e de justiça. Mas vejo frequentemente que é a esquerda que mais ameaça essas coisas que me levaram a aproximar-me dela.» Sei que Caetano Veloso falava em contexto brasileiro, mas esta frase que deixou numa entrevista à Folha de São Paulo poderia transformar-se na essência de um manifesto universal, de uma carta-aberta transatlântica, de um abaixo-assinado que eu assinava por baixo sem a mais pequena hesitação.

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                                    As minhas agendas

                                    Estava a pensar falar sobre as agendas da minha vida quando vi que o Pedro Mexia já havia feito coisa parecida numa crónica da Grande Reportagem (agora reunida a outras na colectânea Primeira Pessoa, ed. Casa das Letras). Vale a pena, ainda assim, escrever alguma coisa sobre o assunto. Por dois motivos essenciais. Primeiro, porque se aproxima o Outono e chega com ele a altura de procurar o caderninho mais conveniente, antes que o stock esgote e tenhamos de aceitar a oferta anual das carpetes Avelino ou das confecções M. Santos & Filho. Depois porque quase todos nós temos recordações e sentimentos particulares em relação a esse tipo de objecto íntimo. Eu não escapo à regra.

                                    Lembro o prazer infantil que sentia em receber, em dose tripla ou quádrupla da responsabilidade de uma companhia de seguros qualquer, aqueles cadernos de capa cartonada ou em oleado, por vezes com um pequeno lápis lateral, e cheios de pormenores que achava abolutamente essenciais. Sobre coisas magnas e tão diversas como as fases da lua, o horóscopo chinês, a população de Copenhaga, os afluentes do Amazonas, o ramal da Lousã, a invenção do papel, «anedotas do Bocage», como tirar nódoas de azeite ou o cognome de D. Henrique, o tio e sucessor indesejado do Desejado. Folheava-as durante tarde inteiras, imaginando tudo a partir de muito pouco. Com uma única angústia: a minha vidinha sem responsabilidades não me dava motivos suficientes para apontar o que fazer. A parte da agenda propriamente dita ficava então em branco, com a excepção do meu aniversário, dos resultados do Sporting, e de um frase, exultante e em maiúsculas, inscrita a cada 1 de Julho: «COMEÇO DAS FÉRIAS GRANDES».

                                    A seguir veio a filofax, com os seus separadores coloridos, lugar para cartões de crédito e credifones, uma presilha de botão. Pesada, com menos informação e ainda mais espaço para escrever notas e lembretes, nunca me entusiasmou particularmente. Usei-a principalmente para guardar moradas e, em casa, como pisa-papéis. E de repente, há uns cinco, talvez seis anos, passei a servir-me das agendas electrónicas. Nas quais parece caber de tudo. No meu actual Pocket PC, com inexploradas capacidades wi-fi e bluetooth, tenho agora uma agenda perpétua (sempre demasiado preenchida), um alarme, um processador de texto, uma base de dados, dicionários, programas para a Internet. Para não falar de versões das enciclopédias Compton e Britannica, um atlas sofrível, um guia de restaurantes, a Internet Movie Database, e toda uma série de obras de referência (como o Routledge Companion to Historical Studies ou diversos livros electrónicos sobre o cinema e a história do século XX), que consulto em desespero de causa. Mas falta-me um pouco aquele ritual da espera e da chegada das agendas do ano seguinte, o cheiro a cola e a tinta de impressão, a sensação de agarrar com as mãos a chave do mundo.

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