Quatro anos de guerra e a democracia na Europa

Há quatro anos, na noite em que começou a invasão da Ucrânia pela Rússia de Putin, um conhecido major-general português, que se intitula especialista em geopolítica, estratégia e relações internacionais, mas é essencialmente um descarado propagandista de Putin, declarou perentoriamente na televisão, onde continua a perorar com regularidade, que o conflito estaria concluído, com a vitória russa, «no máximo numa semana». Neste momento, a perspetiva é que ele continue ainda por um tempo largo e indefinido, com o seu terrível rol de destruição maciça de cidades, vilas e aldeias, e a morte de centenas de milhares de civis, sobretudo de militares, sejam estes ucranianos ou russos. 

Pelo caminho uma solidariedade ativa, traduzida em ajuda militar, em sanções à Rússia e em retaguarda de exílio, da maioria dos países democráticos europeus, e palavras vagas sobre a paz de alguns líderes da América latina e de forças políticas autoproclamadas «de esquerda», para as quais a «solidariedade com os outros povos» é um chavão usado ao sabor dos interesses estratégicos que, na realidade, em cada momento defendem contra os próprios princípios. Além disso, com Trump a protagonizar um recuo envergonhado dos EUA que tem, e em muito, contribuído para adiar a solução. Esta apenas pode ser a vitória da Ucrânia e um novo equilíbrio geoestratégico pacífico na região. O seu heroico e sofredor povo merece-o e a democracia na Europa, apertada entre duas tenazes e com os seus problemas próprios, exige-o também.

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