Presidenciais: agora é centro-esquerda

Algumas notas muitíssimo breves sobre a primeira volta das presidenciais, originalmente deixadas no meu mural do Facebook.

•⁠ ⁠Os resultados finais só podem surpreender quem andasse bastante distraído (incluindo, talvez, as próprias empresas de sondagens). Nenhum dos candidatos, nem mesmo o paupérrimo do Marques Mendes ou o do Vieira, determinou o inesperado;

•⁠ ⁠Apesar de ter votado Seguro, quero elogiar o Jorge Pinto, em cuja candidatura votei no referendo interno do Livre (concordando a 100% com as suas linhas), e que, dentro dos condicionalismos do seu timing, fez uma campanha notável. Todavia, esta, como muitos dos apoiantes logo consideraram, deveria ter sido retirada no início da campanha oficial;
•⁠ ⁠Ao contrário do que disse o desaustinado e sempre irritadiço comentador Sérgio Sousa Pinto, a esquerda à esquerda do PS não “desapareceu”, já que os 7,5% de votos de vantagem do Seguro vieram todos do Livre, do Bloco, do PAN e até do PCP. É só fazer as contas;
•⁠ ⁠Lamento ter de o dizer, mas na segunda volta a votação necessária será no sentido de reforçar o centro-esquerda, já que o Seguro conseguiu agregar quase o máximo à esquerda, sendo agora preciso apontar ao centro para conseguir afastar Ventura da presidência;
•⁠ ⁠Nesta direção, os democratas devem desenvolver uma campanha moderada que não deixe que os eleitores comuns sejam capturados por Ventura. É preciso também ajudar a desmontar junto deles as mentiras e manipulações do Ventura sobre emigrantes, violência, direitos sociais, SNS, etc., insistindo na importância da coesão social e da tranquilidade pública.

A política tem sempre uma componente tática essencial. Na segunda volta, para reduzir os fatores de risco que podem levar o país de Abril a ter na presidência alguém de extrema-direita, defendendo ao mesmo tempo a Constituição da República, é preciso tê-la em linha conta e não exigir o impossível.

Rui Bebiano

    Apontamentos, Atualidade, Democracia, Olhares.