Sabemos que a mentira, o erro e a deturpação sempre existiram. Pelo menos desde a invenção da escrita, muito provavelmente bem antes dela. Mas atualmente alguns orgãos de comunicação sedentos de atenção e com frágil sentido da civilidade, associados à realidade tumultuosa e selvagem das redes sociais, estão de tal forma cheios deles que a própria ideia de verdade se encontra banalizada. Tudo pode ser «verdade», como tudo pode ser «mentira», sejam elas grafadas com ou sem aspas. Neste contexto, as patranhas do 1º de abril deixaram de o ser, pois parte da piada consistia em encontrar uma mentira de certo modo única e implausível. Não uma «inverdade» entre muitos milhares delas.

