Olga Tokarczuk e a IA

No início deste mês, Olga Tokarczuk fez umas afirmações a meu ver inteiramente legítimas e de interesse. Ela descreveu a um jornal de que modo, na preparação de um romance, usou recursos de inteligência artificial para a informarem sobre que tipo de música os seus personagens poderiam, num dado contexto temporal e social, servir-se para dançar. Além disso, declarou ter ficado muito impressionada com os resultados e questionou-se sobre a forma como a ferramenta pode ser usada como auxiliar do processo de criação literária. Foi o que bastou para que uns quantos fanáticos anti-IA – que dela só conhecem os óbvios aspetos negativos, não sabendo, nem querendo saber, dos positivos – começassem a propagar que a grande escritora polaca e prémio Nobel usava aquele processo para escrever os seus romances. A afirmação é, obviamente, absurda, bastando conhecer a sua escrita única para o compreender, mas encarar o tema é muitíssimo pertinente.

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