No rebanho pelo medo perseguido

Admito que tenho pouco ou nenhum respeito por quem, diante de situações extremadas, dramáticas para a sociedade em que vive, possuindo voz prefere calar-se e nem por um segundo verbalizar a sua opinião. Pior ainda quando hoje é tão fácil fazê-lo. Se confrontarmos essas pessoas em privado, até podem afirmar que a sua escolha é esta ou aquela, eventualmente próxima da nossa, mas fazê-lo de forma pública é algo que está claramente abaixo do seu receio atávico de tomar posições. Como cantou José Mário Branco em «Perfilados pelo Medo», de 1971, para elas «decisão e coragem valem menos / e a vida sem viver é mais segura», lá seguindo em cuidadoso silêncio no meio do seu «rebanho pelo medo perseguido».

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