Memória do tango

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Ao ver uma pequena multidão de jovens turcos revoltosos a dançar o tango em plena Praça Taksim, lembrei-me deste post escrito há sete anos. Quando a minha e a nossa vida (e, talvez, também a deles) era um pouco menos preocupada.

Por considerá-lo imoral, em 1910 o governo argentino decidiu proibir o tango. Nessa época eram extremamente populares tangos com títulos másculos, como «Esta noche me emborracho» e «Metele bomba», ou bastante ordinários, como «Tocamelo que me gusta!», «Dós sin sacarla», «Dejamelo morir adentro» e «El 69», o que não é de admirar pois o local de eleição dos tangueros e das suas acompanhantes era então a sala comum do prostíbulo. Devido àquela medida profilática, renovada algumas vezes até à década de 1950, foram muitos os dançarinos e orquestras de Buenos Aires e de Rosário que se viram forçados ao exílio, levando a música do bandoneón até Nova Iorque, Paris, Londres ou Berlim. Aí foi depurado, maquilhado, transformado em espetáculo de sociedade, retornando a casa mais maduro e asseado como «pensamiento triste que se baila». Mas jamais perdeu o odor canalha e pouco conforme a uma vida sossegada. Afinal, Carlos Gardel, El Morocho, o mais famoso dos seus cultores, fez a maior parte da carreira a cantar com uma bala alojada num pulmão, e essas coisas não se apanham com correntes de ar.

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