Arquivos Mensais: Julho 2011

notas & recados

Correio

#20 – Só agora li este texto de Nuno Serra sobre a crise (que la hay, la hay) do Bloco de Esquerda. O menos que posso dizer é que, não a achando exaustiva, concordo por inteiro com as teses que o seu autor nele coloca a bold. Gostava de imaginar que opiniões como esta são efectivamente tomadas em linha de conta do lado de dentro. Porque nas fímbrias, às quais pertenço, tenho a absoluta certeza de que o são.

    Apontamentos, Novidades, Opinião

    Di cosa parliamo, quando parliamo di…

    De novo ao encontro de apontamentos guardados. Este de Abril de 2004.

    Arendt associava  a centelha da revolução ao momento no qual o fio do tempo «começa subitamente de novo», revelando «uma história inteiramente nova, uma história nunca antes conhecida ou contada.» Entendida desta maneira, ela chispa obrigatoriamente nos momentos luminosos, inesperados, irrepetíveis, da experiência colectiva. O mesmo se pode aplicar à vida individual: não é revolucionário quem simplesmente o deseje, ou defenda um programa capaz de proclamar com décadas de antecipação a necessidade histórica da mudança mais abrupta. Mas sim aquele que, num infinito jogo de risco, é capaz de inscrever na sua vida, principalmente na parte da vida que partilha com os outros, instantes ruidosos, insurrectos, de afirmação do inesperado e do ainda não contado. O que consegue, como um dia escreveu Adorno, «contemplar todas as coisas como se elas se apresentassem sempre sob uma perspectiva redentora». Sabendo aproveitar o vento da urgência.

      Apontamentos, Olhares

      República, Estado e Igreja revisitados

      Jesuíta
      Medição antropométrica da cabeça de um jesuíta.

      Se tivermos em conta os contributos aparecidos nos últimos dois anos em redor da passagem do seu centenário, a República Portuguesa saída do 5 de Outubro de 1910 é agora um dos períodos da vida nacional mais inquiridos pelos historiadores. Esta circunstância não invalida porém – é esse aliás o principal interesse de toda a História viva –, a possibilidade de ocorrerem interpretações inovadoras, por vezes a contracorrente, que sistematicamente alertam para os limites de leituras estereotipadas e condicionadas por respostas previamente escolhidas. Aquilo que de marcadamente inovador contém A Separação do Estado e da Igreja, de Luís Salgado de Matos, é pois a sua capacidade, apoiada numa investigação pormenorizadíssima e numa argumentação liberta de apriorismos, para ler com outras lentes aquilo que já foi repetidamente abordado e sobre o qual tudo pareceria estar dito e escrito.

      (mais…)

        História